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Governo celebra reabertura dos mercados de China, Egito e Chile à carne brasileira

Ministro da Agricultura destaca "vitória de nossa capacidade exportadora" em nota

O Blairo Maggi inspeciona frigorífico no Paraná, na terça-feira, 21 de março. AFP

O pesadelo que assombrou o mercado da carne brasileiro após a deflagração da Operação Carne Fraca, há pouco mais de uma semana, parece estar passando. A investigação sobre um esquema de fraude e propina que envolve ao menos 21 frigoríficos jogou sombra sobre todo o setor e levou a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) a calcular uma queda de 20% nas exportações do setor neste ano. China, Hong Kong, União Europeia, Coreia do Sul e Chile anunciaram a suspensão temporária das compras dois dias após a operação. A Coreia do Sul voltou atrás no dia seguinte e, neste sábado, o Ministério da Agricultura celebra em nota a "reabertura total" do mercado chinês à carne brasileira. Horas depois, o Governo adicionou Chile e Egito ao rol de mercados reabertos.

Na nota assinada pelo ministro Blairo Maggi, o Governo diz que a liberação chinesa — o maior mercado para a carne brasileira — "trata-se de atestado categórico da solidez e qualidade do sistema sanitário brasileiro e uma vitória de nossa capacidade exportadora". "Nos últimos dias o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Itamaraty e a rede de embaixadas do Brasil no exterior trabalharam incansavelmente para o êxito que se anuncia hoje", celebra o ministro.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, o Governo chinês confirmou a reabertura do mercado e destacou a parceria comercial com o Brasil. Segundo Pequim, após a suspensão, tomada para "garantir a qualidade e a segurança de todos os derivados de carne importados", recebeu a garantia das autoridades brasileiras que "todas as medidas para assegurar a qualidade dos produtos" foram tomadas. "O Brasil é um importante colaborador da China no trabalho pela qualidade e segurança dos produtos comercializados. E a China gostaria de aprofundar o acordo de cooperação com o Brasil", informou.

Segundo o Governo brasileiro, "a China nunca fechou o mercado aos nossos produtos, mas apenas tomou medidas preventivas para que tivéssemos a oportunidade de oferecer todas as explicações necessárias e garantir a qualidade da nossa inspeção sanitária". A notícia vem em boa hora para evitar a perda de mercado, já que países como a Argentina enxergaram oportunidade na crise da carne brasileira para tomar mercado do vizinho.

Apesar da boa notícia internacional, as reverberações da Operação Carne Fraca parecem longe do fim. As investigações seguem — 33 servidores do Ministério da Agricultura foram afastados — e nesta sexta-feira os frigoríficos paranaenses Souza Ramos, Transmeat e Peccin foram instruídos a recolher as carnes e seus produtos distribuídos a supermercados — e mesmo aqueles já vendidos aos consumidores.

Preocupado com os impactos da crise da carne para a economia local, o Governo brasileiro tem destacado que os problemas identificados pela Operação Carne Fraca são pontuais. O presidente Michel Temer voltou a tocar no assunto na sexta-feira, quando disse que a carne brasileira é "forte" durante cerimônia de entrega de casas do programa Minha Casa, Minha Vida.

Neste sábado, Temer fez questão de se manifestar mais uma vez sobre o assunto, desta vez em nota, para dizer que "a decisão do governo da China de reabrir o seu mercado à proteína animal produzida no Brasil é o reconhecimento da confiabilidade de nosso sistema de defesa agropecuária". "Nosso país construiu grande reputação internacional neste segmento. E o posicionamento chinês é a confirmação de todo trabalho de esclarecimento levado a termo pelo governo brasileiro nestes últimos dias em todos os continentes", disse Temer, que destacou um agradecimento especial ao presidente Xi Jinping. "Estamos plenamente confiantes que outros países seguirão o exemplo da China", finalizou o brasileiro.

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