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Assim funciona o ‘shazam da arte’

Um aplicativo usa o celular para detectar obras artísticas e pinturas e oferece informação sobre elas

A organização Smartify tem como propósito enriquecer as visitas a museus e centros de arte aplicando tecnologias de reconhecimento de imagem e de realidade aumentada. Essa combinação permite que os visitantes tenham acesso a informação adicional e multimídia sobre a obra à sua frente em qualquer momento e em qualquer lugar, diretamente na tela de seu celular.

A realidade aumentada consiste em potencializar a realidade acrescentando em tempo real informação digital que se torna visível por meio de uma tela (como a do celular, a forma mais habitual) ou projetando a informação sobre objetos reais. A realidade aumentada guarda certa semelhança com a realidade virtual, mas se caracteriza por integrar a experiência virtual com o espaço físico à volta do espectador.

Para fazer isso de modo funcional (e também minimamente crível) o celular tem de ser capaz de reconhecer onde está fisicamente e idealmente também entender o que a câmera do celular está captando a cada momento. No caso da tecnologia desenvolvida pela organização Smartify, trata-se de um sistema de processamento de imagem em tempo real e em alta velocidade que reconhece a obra de arte (quadro, escultura ou objeto) para a qual o espectador está dirigindo a câmera de seu celular. Uma vez detectada a obra, o sistema oferece ao usuário informações relacionadas, incluindo críticas e comentários, história, vídeos e dados biográficos do autor.

O funcionamento do Smartify é similar ao do conhecido aplicativo de reconhecimento musical Shazam. O app Shazam (disponível para celulares) devolve o título e o autor de quase qualquer música na hora: basta que o aplicativo ouça alguns poucos segundos para reconhecer de que composição musical se trata.

O Smartify também pega uma amostra da obra em questão e a envia aos servidores que processam a imagem e decidem de que objeto ou pintura se trata. O Shazam geralmente funciona apesar de haver ruído ambiente ou de a amostra de áudio ser de baixa qualidade. Da mesma forma, um sistema de reconhecimento de imagem tem de ser suficientemente sofisticado a ponto de detectar o que há na imagem captada com o telefone independentemente de qual seja a qualidade da câmera, do ângulo da foto ou da iluminação do objeto.

Isso é possível porque, em geral, os sistemas de reconhecimento de imagem não comparam uma fotografia da amostra com outra igual ou muito parecida. Na verdade, comparam uma amostra da imagem tirada pelo usuário com muitas imagens de todo tipo identificadas previamente. Os softwares determinam com qual dessas imagens conhecidas a amostra tirada corresponde apesar de a fotografia não ser exatamente igual. Este método também supõe que o sistema aprende sozinho, melhorando quanto mais é usado: quando o computador acerta soma-se um ponto positivo que acelera e melhora sua capacidade de resposta para identificar as amostras seguintes.

Cada vez mais instituições de arte utilizam a tecnologia para proporcionar informação multimídia e detalhada sobre as obras expostas, a fim de melhorar a visita, enriquecer a experiência de desfrutar da arte e também para torná-la acessível. A tecnologia tem a capacidade de facilitar o acesso ao conhecimento e à cultura de pessoas com necessidades específicas de aprendizagem e comunicação e até pode descrever em palavras (texto ou voz) o conteúdo de uma imagem (como a de um quadro) para os usuários que tenham problema de vista ou cegueira.

Uma vantagem adicional do Smartify, explicam na revista New Scientist, é que seu funcionamento não se baseia na localização do usuário (não depende de estar fisicamente em um museu ou galeria), mas pode ser utilizado dirigindo-se a câmera do celular para um postal, uma fotografia em um livro, uma reprodução em um pôster ou quadro, ou pode se tratar de uma obra exposta na rua. O objetivo é aproximar a arte do público por meio da realidade virtual e da realidade aumentada, “dois cenários futuros para a difusão de histórias e conteúdos”, informa a empresa. “E os museus são os cronistas definitivos da história da humanidade.”

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