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Volkswagen vai cortar 30.000 vagas no mundo em cinco anos, parte delas no Brasil

Fabricante chegou a acordo com sindicatos para economizar 3,7 bilhões de euros após o “Dieselgate”

O logo da Volkswagen. EFE

Mais de um ano após o escândalo das emissões, a Volkswagen admite que para se adaptar aos novos tempos precisará cortar custos, eliminar postos de trabalho e aumentar a produtividade. A empresa anunciou na sexta-feira um plano de economia que inclui a eliminação de 30.000 empregos. Destes, 23.000 estão na Alemanha e os restantes 7.000 serão distribuídos entre Argentina e Brasil.

O plano foi negociado com os sindicatos que conseguiram preservar o quadro de trabalhadores da empresa. Os cortes serão feitos através da amortização dos postos de trabalho, aposentadorias antecipadas e redução do trabalho temporário.

“Nossos empregados na Alemanha não devem se preocupar com seus postos de trabalho. Sinto muito pelos afetados, mas a situação do mercado nos deixa pouco espaço de manobra”, disse Herbert Diess, o presidente da marca Volkswagen, em uma apresentação com o resto da cúpula da empresa em Wolfsburg, a cidade do centro da Alemanha onde está localizada a sede da Volkswagen.

Os sindicatos conseguiram o compromisso de que não haverá demissões pelo menos até 2025 em um plano de cortes que vai se concentrar nas fábricas do norte da Alemanha. A empresa prevê, além disso, contratar 9.000 pessoas em novas áreas de trabalho. O grupo, que além da marca Volkswagen engloba outras 11, emprega 600.000 pessoas no mundo todo, das quais pouco menos da metade estão na Alemanha.

O plano com o qual a gigante automotiva pretende economizar 3,7 bilhões de euros (13,4 bilhões de reais) responde, segundo argumentaram seus executivos, às mudanças que estão ocorrendo no mercado. “A marca Volkswagen não ganha dinheiro suficiente”, disse Diess. A empresa espera aumentar a produtividade de suas fábricas e avançar na sua transformação em uma empresa com foco na digitalização e na mobilidade elétrica.

O presidente do grupo Volkswagen, Matthias Müller, já tinha anunciado em junho passado o que chamou de “o maior processo de mudança na história da empresa”. O plano incluía a produção de mais de 30 novos modelos de carros elétricos até 2025, um setor no qual a empresa alemã ainda não havia apostado.

A decisão acontece depois da crise das emissões, que pesou sobre as contas e a reputação da empresa. As reparações decorrentes do escândalo e as possíveis sanções foram estimadas em cerca de 18,2 bilhões de euros (66,1 bilhões de reais). O Dieselgate afetou 11 milhões de veículos a diesel em todo o mundo. A Volkswagen concordou em desembolsar 16,5 bilhões (60,2 bilhões de reais) para resolver as questões pendentes com os modelos de dois cilindros, mas ainda estão pendentes outros modelos.

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