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Com Salvador como vitrine, Democratas miram retomada

Partido ganha fôlego com presidente na Câmara e mira protagonismo após encolhimento na era PT

ACM Neto faz campanha pela reeleição em Salvador. Divulgação

"Precisamos extirpar o DEM da política brasileira", discursou o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro de 2010, durante comício para eleger sua sucessora, Dilma Rousseff, Santa Catarina. Naquela época, após duas gestões do PT no Governo federal, o Democratas já tinha reduzido seu número de deputados pela metade, de 84, eleitos em 2002, para 43, eleitos em 2010. Lula dava uma resposta a uma declaração de guerra de um notável da legenda, o então senador Jorge Bornhausen (então do PFL-SC), que em 2006, fez campanha contra a reeleição de Lula com uma afirmação cáustica também: “Vamos acabar com essa raça. Vamos nos livrar dessa raça por, pelo menos, 30 anos”. Em 2007 o PFL mudou o nome para Democratas (DEM).

Lula levou a melhor nessa batalha. Com seu empenho por candidaturas que impedissem a eleição de candidatos democratas, o partido saiu da eleição de 2014 ainda menor, com apenas 21 deputados. Mas, agora veio o troco. Apenas dois anos depois, o DEM retoma o fôlego após eleger Rodrigo Maia (RJ) presidente da Câmara dos Deputados e planeja, a partir de Salvador, retomar o protagonismo nacional após o ocaso do Governo petista.

Um dos maiores críticos do PT na Câmara dos Deputados durante os anos de glória petista, o prefeito de Salvador, ACM Neto, desponta como um dos favoritos para a reeleição entre os candidatos às maiores capitais do país. Com quase 70% de intenções de voto, segundo as pesquisas de opinião, o neto do falecido ex-governador Antonio Carlos Magalhães ostenta boas taxas de popularidade e sua gestão é encarada como "vitrine" do Democratas para o Brasil. "Salvador é a grande vitrine do democratas em matéria de campanha. É um momento novo para o Brasil, que deixa para trás a filosofia petista, concentradora, corrupta e atrasada", resume o senador Agripino Maia (RN), presidente nacional do partido.

A gestão de ACM Neto chegou a ultrapassar os 80% de aprovação em pesquisas de opinião. Graças, na avaliação do próprio democrata, a uma "reestruturação da gestão pública de Salvador", que permitiu aumentar o montante de investimentos da Prefeitura durante uma época de crise, em que os gestores brasileiros tiveram pouco para gastar. Além disso, o prefeito exalta, em entrevista ao EL PAÍS, parcerias com a iniciativa privada, como o contrato de exclusividade para a venda de cervejas no Carnaval de Salvador, que vai render 30 milhões de reais ao município em 2017.

Crescimento permanente

Agripino alimenta esperanças de que o DEM se destaque em outras grandes cidades, como Recife, Boa Vista e Aracaju, mas, apesar de estar otimista em relação à conquista de mais prefeituras, o senador não prevê um "número explosivo" de vitórias para o Democratas, apenas um "crescimento permanente e sustentável". Nessas três capitais, os candidatos do partido não lideram as pesquisas eleitorais. "Vamos ter paciência para apurar os resultados [da eleição municipal] e ver qual foi o perfil escolhido pelo eleitor do Brasil", comenta o senador, que guarda sua empolgação para Salvador.

O líder democrata enxerga no modelo implantado por ACM Neto na capital baiana o grande capital político do partido atualmente. "Ninguém imagine que o desempenho de ACM Neto é apenas a capacidade do dia a dia. É a formulação de um modelo, de uma filosofia, uma forma de fazer política, com parcerias público-privadas, uma economia liberal, porque o Estado não tem dinheiro para tudo", diz o senador. Para ele, 2016 é um "avant-première", uma antecipação da eleição geral de 2018.

Apesar da importância que adquiriu no partido, por liderar com folga a disputa para se reeleger na terceira maior capital do Brasil, Neto se diz focado em conseguir um segundo mandato. Pelo menos até outubro. O prefeito baiano projeta para depois da eleição municipal uma discussão no DEM para traçar planos mais ambiciosos. "Talvez seja um caminho apresentar a pré-candidatura de [o senador] Ronaldo Caiado (DEM-GO) à Presidência da República. Eu quero ser um colaborador desse processo. Se vou entrar em campo ou não, só o futuro dirá."

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