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Resgates questionados

O FMI admite agora as falhas do modelo de salvação financeira na Grécia, Portugal e Irlanda

Christine Lagarde, diretora gerente do FMI.
Christine Lagarde, diretora gerente do FMI. FP

Restam poucas dúvidas de que o modelo de resgates aplicados pela troika (Bruxelas, FMI e Banco Central Europeu, o BCE), nos casos de Grécia, Irlanda e Portugal foi (e é) evidentemente passível de melhorias. As críticas desfiadas pelo auditor do Fundo Monetário Internacional confirmam algo que era evidente para qualquer observador externo da crise da dívida na Europa: a primeira condição para garantir a viabilidade das injeções financeiras nos países resgatados era que os credores recebessem as respectivas renegociações, ou seja, que eles também arcassem com os custos do refinanciamento. Mas as autoridades europeias não abrirão mão do princípio de que a dívida tem de ser paga e isso causou atrasos na conclusão dos ajustes exigidos e danos desnecessários às sociedades afetadas.

O auditor do Fundo expõe uma diferença crucial para entender a colisão de interesses entre os participantes da troika: enquanto a Comissão Europeia defendia a sobrevivência do euro e, portanto, pretendia evitar os contágios bancários, o FMI se esqueceu de que seu papel era defender a viabilidade do Estado sujeito a resgate; e essa viabilidade era impossível com condições de resgate onerosas.

É provável que, apesar de tudo, e como sustenta a diretora do Fundo, Christine Lagarde, os resgates não foram processos políticos dominados pela pressão de Bruxelas; o que, como também afirma Lagarde, “ganharam tempo” em uma situação muito delicada para os países, o euro e as instituições europeias. Mas o relatório do auditor abre uma nova perspectiva para entender que os resgates financeiros resultaram em inabilidades que poderiam ser evitadas no futuro. Não é a menor uma que não se menciona: o erro descomunal no cálculo dos multiplicadores para se saber qual seria o efeito dos ajustes sobre o tecido econômico. Vários países, como os resgatados e a Espanha, pagam hoje as consequências desses erros.

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