Busca-se (rapidamente) uma “representante do mundo feminino” para a Cultura

Temer tenta suavizar as críticas ao seu ministério só de homens oferecendo secretaria a uma mulher

Michel Temer busca urgentemente uma mulher para ocupar a chefia da secretaria nacional da Cultura – pasta antes independente e que agora, com os cortes ministeriais do novo Governo, passará a operar dentro do Ministério da Educação. Desde que anunciou seu gabinete, na última quinta-feira, o presidente interino vem enfrentando fortes críticas à nomeação dos novos ministros, uma vez que entre eles não há mulheres. É a primeira vez que isso acontece no Brasil desde o governo desde o mandato do ditador Ernesto Geisel (1974-1979).

Busca-se (rapidamente) uma “representante do mundo feminino” para a Cultura

Escolhendo uma “representante do mundo feminino”, como afirmou ao Fantástico neste último domingo, Temer espera compensar a repercussão negativa de sua opção por escalar apenas homens. Na entrevista, porém, ele refutou a ideia de que não haja espaço para as mulheres na sua administração: "Você sabe que um dos cargos mais importantes da presidência da República é a chefia de gabinete da Presidência da república, ocupada por uma mulher. No dia da reunião ministerial, ela participou. É um dos principais cargos, não digo que esteja acima dos ministros, mas evidentemente tem uma prevalência muito grande em relação ao ministério".

Seja como for, a busca do peemedebista por um nome feminino para a Cultura foi malsucedida até o momento, e o nome para o comando da secretaria permanece em discussão entre Temer e o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM). A decisão final deverá ser anunciada nesta segunda-feira, junto com outros cargos de segundo escalão.

"Para a Cultura eu quero trazer uma representante do mundo feminino", disse Temer ao 'Fantástico'.

Um dos primeiros nomes cogitados foi o da jornalista e atriz Marília Gabriela – que negou o convite feito há dois dias pela senadora Marta Suplicy, ex-ministra da Cultura de Dilma, por incumbência do próprio Temer – a quem se aliou depois de ingressar no PMDB. Marília Gabriela, que foi colega de Martha na televisão nos anos 80, justificou sua decisão dizendo apenas que carece de tempo neste momento para exercer a função. O episódio foi recebido com um misto de surpresa e incômodo por antigos aliados de Marta, que no passado filiada ao PT foi uma reconhecida líder feminista. Mas também reagiram os sócios de Temer em sua nova empreitada política – como é o caso do senador Aécio Neves (PSDB), que se reuniu às pressas com a ala feminina de seu partido, o PSDB Mulher, para discutir a questão à qual se declarou "solidário".

A polêmica ao redor do novo gabinete chegou até os Estados Unidos, onde John Kirby, porta-voz do Departamento de Estado, tentou esquivar a questão em sua entrevista diária com jornalistas, mas terminou se posicionando. "Acreditamos que para uma democracia atingir todo o seu potencial, ela precisa incluir e representar toda a sociedade", declarou à repórter que insistiu na questão.

Com o convite declinado por Marília Gabriela, foi cogitado então o nome de Adriana Rattes, ex-secretária de Cultura do Rio de Janeiro de 2007 e 2014. Uma das fundadoras do Grupo Estação, de exibição cinematográfica, Rattes é a mais cotada até o momento, mas ainda não há confirmação de que tenha aceitado.

Na noite de sexta-feira, um dia após a nomeação do ministério, o ator Stepan Nercessian, filiado ao PPS, foi sondado para assumir o cargo, mas o convite não foi formalizado por necessidade de representação feminina. Outro nome do partido que chegou a ser cogitado, mas que também caiu, foi o do cineasta João Batista de Andrade, hoje à frente do Memorial da América Latina. Ao se apresentar aos servidores do Ministério da Cultura na última sexta-feira (13), o novo ministro Mendonça Filho foi hostilizado. Manifestantes chamaram o ministro de "golpista" e pediram a manutenção do ministério. Mas a pressão também veio de artistas em umacarta aberta divulgada pela Associação Procure Saber e pelo Grupo de Ação Parlamentar Pró-Música (GAP).

Marcela Temer deve assumir área social

Outra polêmica suscitada por declarações de Temer é a nomeação de sua esposa, Marcela Temer, para “exercer toda a área social” de sua gestão – se se tornar presidente de fato, após a conclusão do processo de impeachment de Dilma Rousseff. “Marcela vai trabalhar intensamente. Ela é advogada e tem muita preocupação com as questões sociais”, afirmou o presidente interino na entrevista ao Fantástico, que foi motivo de panelaços e fogos de artifício em vários lugares neste domingo.

Marcela, com quem o atual presidente só convive aos fins de semana, já que ele vive em Brasília e ela, em São Paulo, protagonizou recentemente uma polêmica quando foi descrita como “bela, recatada e do lar” pela revista Veja. O perfil, que gerou forte reações nas redes, foi publicado pela revista às portas do afastamento de Dilma.

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