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Dilma se fortalece com apoio de Lula em seus tradicionais comícios

A candidata petista e Marina Silva contrapõem dois estilos de fazer campanha, enquanto as pesquisas confirmam o afundamento da segunda

Dilma Rousseff, nesta terça-feira.
Dilma Rousseff, nesta terça-feira. EFE

Lula, com a voz destruída pela rouquidão, lança um de seus inflamados discursos e consegue – mais uma vez – galvanizar o público. Depois anuncia a presidenta Dilma Rousseff, que, também com a voz arranhada, atiça ainda mais os espectadores. Um deles, Sergio Cutme, um professor do ensino básico, lembra que as pesquisas são cada vez mais favoráveis à presidenta. E, segundo ele, a tendência vai prosseguir assim. É verdade. Dois levantamentos simultâneos, divulgados na terça-feira, dão como certeza que o final da campanha está sendo de Rousseff. O instituto Datafolha e o Ibope, os dois mais importantes do Brasil, estão de acordo: a petista abriu vantagem sobre Marina Silva, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que, a poucos dias do decisivo primeiro turno do próximo domingo, perde apoios aos borbotões. Segundo o Datafolha, Rousseff, que no começo de setembro estava empatada com Marina Silva, agora lidera com clareza a disputa, com 15 pontos de vantagem: 40% para ela, e 25% para Silva. O terceiro candidato, o mais conservador Aécio Neves, que no começo de setembro parecia descartado, se recupera e, mantendo essa trajetória, estaria a um passo de superar Silva.

Rousseff, no comício, não fala muito sobre as pesquisas. Nem sobre a Bolsa, que afundou na segunda-feira, quando os mercados começaram a dar como fato consumado que a presidenta é a favorita. Ela prefere, como vem fazendo durante todo o mês de setembro, arrogar-se como a única capaz de proteger as, a seu ver, conquistas que o PT realizou nos últimos 12 anos, no seu mandato e nos de Lula. “Quem tem a experiência e o poder para manter tudo isso? Quem tirou 36 milhões de brasileiros da pobreza?” As pessoas gritam e aquiescem. Depois, Rousseff acrescenta, considerando o ambiente como seu: “Este é um lugar especial para nós”. As imediações da avenida Silva Samelo, na interminável periferia na zona sul de São Paulo, formam um bairro humilde, quase pobre, com pouca iluminação nas ruas. Minutos antes, marchavam pelas ruas famílias inteiras em formação, grupos de amigos e colegas de fábrica: pessoas que estão no PT desde sempre, e como sempre indo a um comício.

O evento que trouxe Marina Silva na terça-feira a São Paulo foi diferente: um local fechado, bem iluminado: duas centenas de pessoas sentadas em volta de duas cadeiras, a da candidata e a de seu vice, Beto Albuquerque. Por ali desfilaram, apoiando sua candidatura, representantes de povos indígenas, das organizações gays, das associações de mulheres, sociólogos, escritores, artistas, vendedores, empresários, estudantes, sindicalistas... Marina, quando pegou o microfone, afirmou: “Não se trata de fazer política para as pessoas, mas com as pessoas”. E depois acrescentou: “Esta é a festa da diversidade”, sinalizando sua intenção: sua candidatura se dirige a uma camada da população mais ampla que a do PT, esta centrada nos eleitores mais humildes.

Depois disso, Marina levantou a voz e denunciou, quase à beira das lágrimas, o mau juízo que o PT faz dela e da sua capacidade de governar. “Dizem que Marina é sonhadora, que por isso não serve para ser presidenta. E digo a eles que a matéria-prima mais concreta da política são os sonhos”. Suas palavras, no entanto, não parecem impactar os eleitores por enquanto. Se antes estava empatada em um eventual segundo turno com Rousseff, agora as pesquisas a apresentam atrás da presidenta. Prova de que o que vale mesmo são os comícios de sempre.

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