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Dilma destaca avanço na área ambiental, mas esconde aumento de desmatamento

Na Cúpula do Clima da ONU, a mandatária brasileira defende a agricultura familiar e técnicas agrícolas de baixo carbono

A presidenta Dilma na cúpula da ONU.
A presidenta Dilma na cúpula da ONU. AP

Em discurso na Cúpula do Clima da ONU, a presidenta Dilma Rousseff disse que o Brasil é um exemplo de que é possível aliar desenvolvimento industrial com respeito ao meio ambiente. “Nós, países em desenvolvimento, temos igual direito ao bem-estar. E estamos provando que um modelo socialmente justo e ambientalmente sustentável é possível”, afirmou.

A mandatária brasileira destacou que em dez anos (2003 e 2013) o desmatamento do país foi reduzido em 79%. Rousseff, contudo, escondeu o fato de que entre 2012 e 2013 a taxa de destruição da floresta amazônica cresceu 29%. No ano passado, 5.891 quilômetros quadrados da região foram devastados, segundo dados obtidos no Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite. A área desmatada equivale a quase quatro vezes o município de São Paulo, o mais populoso do Brasil. No ano retrasado, o desmatamento tinha atingido a menor taxa desde o ano de 1988, quando os dados passaram a ser monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Na ocasião, o devastação atingiu a marca de 4.571 quilômetros quadrados.

Rousseff cobrou ainda que outros países aceitem um novo pacto ambiental. “Reafirmo que o novo acordo climático precisa ser universal, ambicioso e legalmente vinculante, respeitando os princípios e os dispositivos da Convenção-Quadro, em particular os princípios de equidade e das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Este acordo deverá ser robusto em termos de mitigação, adaptação e meios de implementação”. Na cúpula, a presidenta defendeu também as técnicas de agricultura familiar, assim como as que emitem pouco gás carbônico.

Em meio a disputa presidencial, a petista Rousseff deixou o Brasil por dois dias. Ela fica em Nova York até esta quarta-feira, quando deverá fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. A presidenciável Marina Silva (PSB), que foi ministra do Meio Ambiente e é identificada com causas ambientais, também foi convidada a participar de um painel na cúpula, mas declinou do convite para se dedicar a sua campanha.

Um juiz assume o governo brasileiro por dois dias

Com a viagem da presidenta Dilma Rousseff para os Estados Unidos e a do vice, Michel Temer, para o Uruguai, o Brasil vive uma situação um tanto incomum. Nesse período de ausência de ambos o país está sendo interinamente governado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Ricardo Lewandowski, que é o quarto na linha de sucessão.

Os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, se licenciaram dos cargos. Em apenas outras quatro ocasiões um ministro do STF assumiu o governo brasileiro.