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Policial mata ambulante na Lapa, zona oeste de São Paulo

Durante ação de fiscalização de produtos, agente atirou em camelô

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Rua 12 de Outubro, na Lapa de Baixo (oeste de São Paulo).

Um confronto entre vendedores ambulantes e a Polícia Militar no bairro da Lapa, em São Paulo, se intensificou com a morte trágica de um camelô, Carlos Augusto Muniz Braga, de 30 anos, baleado na cabeça por um policial, segundo as imagens gravadas por outros comerciantes e espalhadas nas redes sociais. O agente que participava da Operação Delegada e autor do disparo foi preso na noite passada, apesar da polícia ter dito, em uma primeira versão dos fatos, que ele havia sido ferido e que um tiro acidental havia atingido Braga.

O incidente começou por volta das 17h na tarde de quinta-feira por causa de uma discussão entre um vendedor e um policial militar, segundo funcionários das lojas da rua 12 de Outubro, um ponto de comércio popular da cidade.

As testemunhas relatam que um ambulante teve toda sua mercadoria apreendida pela polícia e, ao reagir com indignação, terminou rendido no chão pelo policial depois de uma briga corporal. “O clima começou a ficar tenso quando pegaram todos os DVDs de um camelô. Ele se revoltou muito e acabou no chão. Um amigo dele foi falar com o policial para libertá-lo. Mas, na discussão, a história acabou com o cara baleado. Isso que estão falando na TV, que a vítima tentou tirar a arma do policia, é mentira. Ele não fez nada, o policial que atirou de propósito”, garantiu um dos presentes à reportagem do EL PAÍS, presente no local na hora dos acontecimentos. A rede Record de televisão divulgou um vídeo no qual se vê claramente o momento em que o policial atira no ambulante.

Uma mancha de sangue na rua onde começaram os distúrbios.

Tanto os policiais como os ambulantes confirmam que se tratava de uma operação de fiscalização de mercadorias.

O cenário foi caótico. De um lado, os camelôs criaram barricadas com lixo e queimaram ônibus e, de outro, a polícia disparou gás lacrimogêneo para conter os distúrbios e dispersar as pessoas que se encontravam na região. Circulando em meio à fumaça com os olhos vermelhos, um camelô que trabalha na região disse conhecer o vendedor baleado e afirmou estar indignado com a polícia. “Mataram o meu amigo”, lamentou.

A polícia evacuava a rua 12 de Outubro, enquanto os ambulantes tentavam salvar suas mercadorias. Diante da resistência das pessoas, a polícia criou uma pequena barreira com armas em punho, prontas para o disparo. “Saia daqui, você vai perder um olho e vai ser pior para você”, disse um dos policiais a um dos transeuntes.

Depois de mais de uma hora do início da agitação, a confusão continuou. Em pleno horário de pico, centenas de pessoas que saíam de uma estação de trem próxima foram impedidos de prosseguir com gás lacrimogêneo e recebidos com tiros pelo bloqueio policial. Sem saber o que acontecia, uma multidão saiu correndo em massa. "Assassinos!", gritavam vários dos presentes. "O terceiro mundo vai queimar!"

Barreiras de lixo queimado foram colocadas na Lapa.

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