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Os 20 melhores nus masculinos da história da arte

Ao longo da história, e com diferentes abordagens (da exaltação à objetificação), muitos artistas se inspiraram na beleza do corpo do homem. Pedimos a quatro especialistas os melhores exemplos de nus artísticos masculinos: o historiador e romancista Bruno Ruiz-Nicoli, especializado em antiguidade clássica; os artistas Carmen González Castro e David Trullo, que a partir de uma perspectiva contemporânea, muitas vezes utilizam o nu em seu trabalho; e o jornalista cultural Ianko López. Esse é o resultado

  •  Mas o que faz este homem nu?  Em um contexto tão puritano (de fachada) como a Espanha do peíodo Barroco, a mitologia oferecia um interessante pretexto para representar corpos nus. Assim, Velázquez (Sevilha, 1599-Madri, 1660), o pintor da família real, representou o deus romano da guerra para o rei Felipe IV e a obra integrou-se, junto a outras de Rubens com motivos similares, na decoração de um de seus pavilhões de caça.    Por que é tão bom?  Parece que Velázquez utilizou como modelo um veterano de guerra, e o realismo com o que o retratou é o que mais chama a atenção do quadro. Não se trata só da incrível autenticidade da carne, senão de algo que vai bem mais lá do que poderia ser tocado ou cheirado: a melancolia da personagem rompe com a clássica rigidez e a idealização com que se representava os deuses clássicos, e séculos depois nos faz pensar irremediavelmente no ocaso de um império baseado no poder —já ferido de morte— das armas.
    1'Marte' (1638), de Diego de Velázquez. Museu do Prado (Madri) Mas o que faz este homem nu? Em um contexto tão puritano (de fachada) como a Espanha do peíodo Barroco, a mitologia oferecia um interessante pretexto para representar corpos nus. Assim, Velázquez (Sevilha, 1599-Madri, 1660), o pintor da família real, representou o deus romano da guerra para o rei Felipe IV e a obra integrou-se, junto a outras de Rubens com motivos similares, na decoração de um de seus pavilhões de caça.

    Por que é tão bom? Parece que Velázquez utilizou como modelo um veterano de guerra, e o realismo com o que o retratou é o que mais chama a atenção do quadro. Não se trata só da incrível autenticidade da carne, senão de algo que vai bem mais lá do que poderia ser tocado ou cheirado: a melancolia da personagem rompe com a clássica rigidez e a idealização com que se representava os deuses clássicos, e séculos depois nos faz pensar irremediavelmente no ocaso de um império baseado no poder —já ferido de morte— das armas.

  •  Mas o que faz este homem nu?  O especialista em história da arte Bruno Ruiz-Nicoli destaca a excepcionalidade desta obra de Gustave Caillebotte (França, 1848-1894), realizada em um momento no qual, em geral, se representava apenas mulheres neste tipo de atitude: “Se a intimidade feminina foi representada na arte como espaço erotizado desde o século XVIII, a masculina se manteve em um terreno marginal”.    Por que é tão bom?  “Caillebotte debocha do tabu com um gesto enérgico. A figura saiu da banheira deixando um rastro de umidade e seca com força suas costas”, analisa Ruiz-Nicoli. O vigor realista e a sensualidade do momento nos interpelam.
    2'Homem no banho' (1884), de Gustave Caillebotte. Museu de Belas Artes de Boston Mas o que faz este homem nu? O especialista em história da arte Bruno Ruiz-Nicoli destaca a excepcionalidade desta obra de Gustave Caillebotte (França, 1848-1894), realizada em um momento no qual, em geral, se representava apenas mulheres neste tipo de atitude: “Se a intimidade feminina foi representada na arte como espaço erotizado desde o século XVIII, a masculina se manteve em um terreno marginal”.

    Por que é tão bom? “Caillebotte debocha do tabu com um gesto enérgico. A figura saiu da banheira deixando um rastro de umidade e seca com força suas costas”, analisa Ruiz-Nicoli. O vigor realista e a sensualidade do momento nos interpelam.

  •  Mas o que faz este homem nu?  “Édipo enfrenta-se nu à Esfinge porque é um herói e um homem. Os esqueletos que lhe rodeiam mostram as consequências que provocaria um erro ao responder à adivinha. Que ser caminha sobre quatro patas, sobre duas e sobre três? Édipo responde inclinando seu torso para o monstro em uma afirmação de sua própria identidade. 'O tens ante ti', parece dizer”, explica Bruno Ruiz-Nicoli.    Por que é tão bom?  Jean-Auguste-Dominique Ingres (França, 1780-1867) é um dos pintores mais excêntricos da história da arte. Clássico e anticlássico ao mesmo tempo, moderníssimo e arcaico, desconcertou a muitos historiadores. Seja como for, aqui nos fascina pela qualidade de alabastro da pele do protagonista, que parece convidar-nos a tocá-la.
    3'Edipo e a Esfinge' (1802), de Jean-Auguste-Dominique Ingres. Museu do Louvre (Paris) Mas o que faz este homem nu? “Édipo enfrenta-se nu à Esfinge porque é um herói e um homem. Os esqueletos que lhe rodeiam mostram as consequências que provocaria um erro ao responder à adivinha. Que ser caminha sobre quatro patas, sobre duas e sobre três? Édipo responde inclinando seu torso para o monstro em uma afirmação de sua própria identidade. 'O tens ante ti', parece dizer”, explica Bruno Ruiz-Nicoli.

    Por que é tão bom? Jean-Auguste-Dominique Ingres (França, 1780-1867) é um dos pintores mais excêntricos da história da arte. Clássico e anticlássico ao mesmo tempo, moderníssimo e arcaico, desconcertou a muitos historiadores. Seja como for, aqui nos fascina pela qualidade de alabastro da pele do protagonista, que parece convidar-nos a tocá-la.

  •  Mas o que faz este homem nu?  Ah, essa parte do corpo masculino. “A parte mais bonita do corpo de um homem acho que está ali onde o torso fica”, disse o autor desta obra, o fotógrafo Duane Michals (Pensilvania, Estados Unidos, 1932). E não é o único a pensar assim.    Por que é tão bom?  O especialista em história da arte Bruno Ruiz-Nicoli nos lembra que Duane Michals faz explícita sua opinião através do texto e manifesta assim o que, ao longo da história, permanecia codificado na própria obra: “As linhas gêmeas, de uma graça feminina, envolvem o tronco, guiando os olhos para abaixo, para sua interseção, o ponto de prazer”.
    4'The most beautiful part of a man’s body' (A parte mais bonita do corpo de um homem) (1986), de Duane Michals Mas o que faz este homem nu? Ah, essa parte do corpo masculino. “A parte mais bonita do corpo de um homem acho que está ali onde o torso fica”, disse o autor desta obra, o fotógrafo Duane Michals (Pensilvania, Estados Unidos, 1932). E não é o único a pensar assim.

    Por que é tão bom? O especialista em história da arte Bruno Ruiz-Nicoli nos lembra que Duane Michals faz explícita sua opinião através do texto e manifesta assim o que, ao longo da história, permanecia codificado na própria obra: “As linhas gêmeas, de uma graça feminina, envolvem o tronco, guiando os olhos para abaixo, para sua interseção, o ponto de prazer”.

  •  Mas o que faz este homem nu?  Caravaggio (Itália, 1571-1610) revolucionou a pintura religiosa tomando como modelos pessoas que encontrava nas ruas, conseguindo, assim, um extra de realismo que supôs um avanço com respeito aos modos maneiristas imediatamente anteriores. E isso se transmite aos nus, incluídos os de personagens dos Evangelhos.    Por que é tão bom?  “A carga homoerótica que transmite o jovem que representa São João Batista reside em seu realismo. O abraço ao carneiro e o apoio sobre a pele de cabra enfatizam a sensualidade da composição em espiral”, analisa Bruno Ruiz-Nicoli.
    5'São João Batista' (Doria-Pamphilj) (1602), de Caravaggio. Galleria Doria-Pamphilij. Roma. Mas o que faz este homem nu? Caravaggio (Itália, 1571-1610) revolucionou a pintura religiosa tomando como modelos pessoas que encontrava nas ruas, conseguindo, assim, um extra de realismo que supôs um avanço com respeito aos modos maneiristas imediatamente anteriores. E isso se transmite aos nus, incluídos os de personagens dos Evangelhos.

    Por que é tão bom? “A carga homoerótica que transmite o jovem que representa São João Batista reside em seu realismo. O abraço ao carneiro e o apoio sobre a pele de cabra enfatizam a sensualidade da composição em espiral”, analisa Bruno Ruiz-Nicoli.

  •  Mas o que faz este homem nu?  Na antiga Grécia, a academia (ou “palestra”) fazia parte do dia-a-dia de todo homem com categoria de cidadão. E o semideus Hércules ou Heracles, filho de Zeus, era o epítome do super-homem, cheio de arrojo e vigor. “A nudez era própria dos deuses, os heróis e os atletas”, explica sobre esta obra de Lísipo (370 a.C.-318 a.C.) o especialista em história da arte Bruno Ruiz-Nicoli.    Por que é tão bom?  Para Ruiz-Nicoli, tudo reside na originalidade do momento escolhido pelo artista: “Lísipo, a quem atribui-se o original desta obra, refletiu o cansaço de Hércules depois de finalizar seus doze trabalhos. O repouso de sua musculatura maciça oculta a chave do trabalho: as maçãs das Hespérides de sua mão direita”.
    6'Hércules Farnesio' (século IV a.C.), de Lísipo. Museu Arqueológico de Nápoles Mas o que faz este homem nu? Na antiga Grécia, a academia (ou “palestra”) fazia parte do dia-a-dia de todo homem com categoria de cidadão. E o semideus Hércules ou Heracles, filho de Zeus, era o epítome do super-homem, cheio de arrojo e vigor. “A nudez era própria dos deuses, os heróis e os atletas”, explica sobre esta obra de Lísipo (370 a.C.-318 a.C.) o especialista em história da arte Bruno Ruiz-Nicoli.

    Por que é tão bom? Para Ruiz-Nicoli, tudo reside na originalidade do momento escolhido pelo artista: “Lísipo, a quem atribui-se o original desta obra, refletiu o cansaço de Hércules depois de finalizar seus doze trabalhos. O repouso de sua musculatura maciça oculta a chave do trabalho: as maçãs das Hespérides de sua mão direita”.

  •  Mas o que faz este homem nu?  Cristo sempre foi representado com pouca roupa durante sua Paixão, e o 'quattrocento' italiano não supôs uma exceção a isto, como demonstra esta obra de Antonello da Messina (Itália, 1430-1479). Sobretudo quando se trata de mostrar em toda seu crueza as terríveis feridas abertas na carne do Mesias cristão.    Por que é tão bom?  “O corpo do Cristo morto sustentado por um anjo é de uma beleza difícil de descrever. O filho de Deus todo-poderoso, ao que seguiam milhares sobre a Terra, agora perdeu sua alma e só fica sua carcaça, seu corpo, lânguido, inflamado, seu pescoço rosado e o peito marmóreo. Sem atributos, bastaria cobrir a ferida do lado e omitir a presença do crânio que aparece atrás dele para encontrar uma imagem ambivalente em uma cena de sensualidade incomum", explica a artista Carmen González Castro.
    7'Cristo morto sustentado por um anjo' (1475-1476), de Antonello da Messina. Museu do Prado. Mas o que faz este homem nu? Cristo sempre foi representado com pouca roupa durante sua Paixão, e o 'quattrocento' italiano não supôs uma exceção a isto, como demonstra esta obra de Antonello da Messina (Itália, 1430-1479). Sobretudo quando se trata de mostrar em toda seu crueza as terríveis feridas abertas na carne do Mesias cristão.

    Por que é tão bom? “O corpo do Cristo morto sustentado por um anjo é de uma beleza difícil de descrever. O filho de Deus todo-poderoso, ao que seguiam milhares sobre a Terra, agora perdeu sua alma e só fica sua carcaça, seu corpo, lânguido, inflamado, seu pescoço rosado e o peito marmóreo. Sem atributos, bastaria cobrir a ferida do lado e omitir a presença do crânio que aparece atrás dele para encontrar uma imagem ambivalente em uma cena de sensualidade incomum", explica a artista Carmen González Castro.

  •  Mas o que faz este homem nu?  Miguel Ángel (Itália, 1475-1564) aplicou ao herói bíblico o mesmo padrão formal que os antigos gregos e romanos utilizaram para seus mitos e guerreiros. Apesar de sua juventude (tinha apenas 26 anos quando começou a esculpir), pretendia ser reconhecido por este trabalho como o melhor artista de seu tempo, e, certamente a prova infalível da passagem do tempo decidiu a seu favor.    Por que é tão bom?  Ao vivo, a escultura impressiona até deixar o espectador sem palavrasl, apesar das multidões que sempre o rodeiam. A 'terribilità', aquela qualidade única das esculturas de Michelangelo que transforma suas figuras em titãs de força sobre-humana, materializa-se nessa mão franzida de veias que David sustenta em seu quadril. Atualmente, quem não utilizou a comparação com o David de Michelangelo para indicar a máxima expressão da beleza do corpo masculino?
    8'David' (1501-1504), de Miguel Ángel. Galleria dell'Accademia, Florença Mas o que faz este homem nu? Miguel Ángel (Itália, 1475-1564) aplicou ao herói bíblico o mesmo padrão formal que os antigos gregos e romanos utilizaram para seus mitos e guerreiros. Apesar de sua juventude (tinha apenas 26 anos quando começou a esculpir), pretendia ser reconhecido por este trabalho como o melhor artista de seu tempo, e, certamente a prova infalível da passagem do tempo decidiu a seu favor.

    Por que é tão bom? Ao vivo, a escultura impressiona até deixar o espectador sem palavrasl, apesar das multidões que sempre o rodeiam. A 'terribilità', aquela qualidade única das esculturas de Michelangelo que transforma suas figuras em titãs de força sobre-humana, materializa-se nessa mão franzida de veias que David sustenta em seu quadril. Atualmente, quem não utilizou a comparação com o David de Michelangelo para indicar a máxima expressão da beleza do corpo masculino?

  •  Mas o que faz este homem nu?  Discípulo de Ingres, o pintor neoclássico Hippolyte Flandrin (França, 1809- Itália, 1864) recebeu uma bolsa para estudar durante cinco anos na Academia Francesa de Roma, o que lhe obrigava a enviar de vez em quando algum trabalho que demonstrasse que suas habilidades progrediam adequadamente. Aqui ele usa o corpo masculino como pretexto para uma demonstração de desenho que, formalmente, é a pura academia de arte. Mas há muito mais nele.    Por que é tão bom?  A especialista Carmen González Castro explica: “É especialmente belo pelo enigmático da situação que descreve. Não fica claro se algo aconteceu ou está a ponto de acontecer, mas em qualquer caso o desenlace fica fora de campo. Sua postura introspectiva e a visão de seu perfil naquele forte claro-escuro que envolve seu peito e rosto fazem dele um ícone atemporal”.
    9'Jovem nu junto ao mar' (1835-1836), de Hippolyte Flandrin. Museu do Louvre (Paris) Mas o que faz este homem nu? Discípulo de Ingres, o pintor neoclássico Hippolyte Flandrin (França, 1809- Itália, 1864) recebeu uma bolsa para estudar durante cinco anos na Academia Francesa de Roma, o que lhe obrigava a enviar de vez em quando algum trabalho que demonstrasse que suas habilidades progrediam adequadamente. Aqui ele usa o corpo masculino como pretexto para uma demonstração de desenho que, formalmente, é a pura academia de arte. Mas há muito mais nele.

    Por que é tão bom? A especialista Carmen González Castro explica: “É especialmente belo pelo enigmático da situação que descreve. Não fica claro se algo aconteceu ou está a ponto de acontecer, mas em qualquer caso o desenlace fica fora de campo. Sua postura introspectiva e a visão de seu perfil naquele forte claro-escuro que envolve seu peito e rosto fazem dele um ícone atemporal”.

  •  Mas o que faz este homem nu?  Acredita-se que a peça que ainda está preservada é uma cópia romana de um original anterior. Dada a sua natureza fragmentária, não está claro quem ela representa, embora tenha sido dito que poderia ser Hércules ou Ajax, dois heróis gregos clássicos: daí sua musculatura impressionante.    Por que é tão bom?  É o nu masculino clássico por excelência, por não ter um rosto ou apenas membros. Sua influência na arte renascentista e barroca foi enorme: basta olhar para o trabalho de Michelangelo para compreendê-lo.
    10'Torso Belvedere' (século I a.C.), Anônimo. Museus Vaticanos Mas o que faz este homem nu? Acredita-se que a peça que ainda está preservada é uma cópia romana de um original anterior. Dada a sua natureza fragmentária, não está claro quem ela representa, embora tenha sido dito que poderia ser Hércules ou Ajax, dois heróis gregos clássicos: daí sua musculatura impressionante.

    Por que é tão bom? É o nu masculino clássico por excelência, por não ter um rosto ou apenas membros. Sua influência na arte renascentista e barroca foi enorme: basta olhar para o trabalho de Michelangelo para compreendê-lo.

  •  Mas o que faz este homem nu?  Thomas E. McKeller foi mensageiro no Copley Plaza Hotel em Boston quando conheceu John Singer Sargent (Itália, 1856-1925) em um de seus elevadores em 1916. Posou para ele em vários estúdios. Curiosamente, este retrato permaneceu oculto até a morte do artista.    Por que é tão bom?  "Ele combina seu estilo de retrato 'grandeur' com um visual enganoso de 'academia', e tanto o modelo quanto a pose são perturbadores: a frontalidade que expõe o sexo de um afro-americano em 1920 é toda uma declaração", explica o artista David Trullo.
    11'Thomas E. McKeller' (1917-1920), de John Singer Sargent. Museu de Belas Artes de Boston Mas o que faz este homem nu? Thomas E. McKeller foi mensageiro no Copley Plaza Hotel em Boston quando conheceu John Singer Sargent (Itália, 1856-1925) em um de seus elevadores em 1916. Posou para ele em vários estúdios. Curiosamente, este retrato permaneceu oculto até a morte do artista.

    Por que é tão bom? "Ele combina seu estilo de retrato 'grandeur' com um visual enganoso de 'academia', e tanto o modelo quanto a pose são perturbadores: a frontalidade que expõe o sexo de um afro-americano em 1920 é toda uma declaração", explica o artista David Trullo.

  •  Mas que faz este homem nu?  Milo de Crotona foi um atleta lendário do século VI a.C., originalmente da Magna Grécia (agora sul da Itália). Muito mais tarde, no barroco francês, o artista Pierre Puget (França, 1620-1694) tomou como tema de uma de suas esculturas em mármore, contribuindo para sua figura um elemento muito conceitual da época: a passagem do tempo e o efêmero das glórias terrenas.    Por que é tão bom?  “O corpo hercúleo de MilO de Crotona contém uma carga poderosíssima de erotismo”, indica a artista Carmen González Castro. E acrescenta: “Seu braço ficou preso no tronco de uma árvore e isso o mantém indefeso ante o ataque do leão. Como Prometeo, ou um Ecce Homo atado à coluna, experimenta dor. E nesse chegar ao extremo do sofrimento físico há algo que responde primitivamente ao prazer, fechando o clássico binômio dor-prazer como formas indistinguíveis”.
    12'Milón de Crotona' (1671-1682), de Pierre Puget. Museu do Louvre (Paris) Mas que faz este homem nu? Milo de Crotona foi um atleta lendário do século VI a.C., originalmente da Magna Grécia (agora sul da Itália). Muito mais tarde, no barroco francês, o artista Pierre Puget (França, 1620-1694) tomou como tema de uma de suas esculturas em mármore, contribuindo para sua figura um elemento muito conceitual da época: a passagem do tempo e o efêmero das glórias terrenas.

    Por que é tão bom? “O corpo hercúleo de MilO de Crotona contém uma carga poderosíssima de erotismo”, indica a artista Carmen González Castro. E acrescenta: “Seu braço ficou preso no tronco de uma árvore e isso o mantém indefeso ante o ataque do leão. Como Prometeo, ou um Ecce Homo atado à coluna, experimenta dor. E nesse chegar ao extremo do sofrimento físico há algo que responde primitivamente ao prazer, fechando o clássico binômio dor-prazer como formas indistinguíveis”.

  •  Mas o que faz este homem nu?  Mais uma vez, o martírio masculino cristão envolve nudez, total ou parcial. E o mestre barroco José de Ribera (Espanha, 1591- Itália, 1652) foi um dos que melhor representou a pele humana, com sua beleza e também suas imperfeições.  “É o Torso Belvedere, mas também seu vizinho. Sofre, mas dança. E provoca tanto devoção como compaixão e desejo. Ao vivo, este quadro dá calafrios”, explica o artista David Trullo.
    13'Martírio de São Felipe' (1639), de José de Ribera. Museu do Prado. Mas o que faz este homem nu? Mais uma vez, o martírio masculino cristão envolve nudez, total ou parcial. E o mestre barroco José de Ribera (Espanha, 1591- Itália, 1652) foi um dos que melhor representou a pele humana, com sua beleza e também suas imperfeições. “É o Torso Belvedere, mas também seu vizinho. Sofre, mas dança. E provoca tanto devoção como compaixão e desejo. Ao vivo, este quadro dá calafrios”, explica o artista David Trullo.

  •  Mas o que faz este homem nu?  É a primeira estátua grega a usar o "contrapposto", efeito pelo qual o peso é carregado em uma perna, trazendo vida e movimento à figura. O motivo típico do efebo nu, fez, assim, um avanço técnico fundamental. Os seguintes seriam feitos por Policleto, Lísipo ou Praxíteles.    Por que é tão bom?  O especialista em arte David Trullo tem suas preferências no que se refere à estatuária grega, mas destaca o revolucionário deste trabalho: "Eu ainda gosto do mais arcaico, embora a obra seja fascinante: emerge da pedra e começa a se mover. Esse contraponto incipiente que fará com que nada mais seja o mesmo ...".
    14'O efebo de Kritios' (480 a.C.). Anônimo. Museu da Acrópolis (Atenas) Mas o que faz este homem nu? É a primeira estátua grega a usar o "contrapposto", efeito pelo qual o peso é carregado em uma perna, trazendo vida e movimento à figura. O motivo típico do efebo nu, fez, assim, um avanço técnico fundamental. Os seguintes seriam feitos por Policleto, Lísipo ou Praxíteles.

    Por que é tão bom? O especialista em arte David Trullo tem suas preferências no que se refere à estatuária grega, mas destaca o revolucionário deste trabalho: "Eu ainda gosto do mais arcaico, embora a obra seja fascinante: emerge da pedra e começa a se mover. Esse contraponto incipiente que fará com que nada mais seja o mesmo ...".

  •  Mas o que faz este homem nu?  Este Abel moribundo — supostamente depois de ter sido atacado por Caim— pertence à primeira geração daqueles que não conheceram um paraíso terrestre do qual seus pais, Adão e Eva, foram expulsos. E, portanto, fica nu para a vida, apenas modestamente cobrindo seu sexo com pele de um animal. Tudo com a suavidade típica do romantismo acadêmico de seu autor, Giovanni Dupré (Itália, 1817-1882).   Por que é tão bom?  "É uma pura contradição do material. Uma transubstanciação de carne ao mármore e do mármore quase ao marfim, que pode ser considerado cálido. O escultor recriou até o pelo de sua axila e seu sexo. Como Salomé ao ver a cabeça incorpórea do Batista, ele nos convida a dizer: 'Eu beijarei sua boca, Jokanaán', explica Carmen González Castro.
    15'Abel' (1842), de Giovanni Dupré. Museu do Hermitage (São Petersburgo) Mas o que faz este homem nu? Este Abel moribundo — supostamente depois de ter sido atacado por Caim— pertence à primeira geração daqueles que não conheceram um paraíso terrestre do qual seus pais, Adão e Eva, foram expulsos. E, portanto, fica nu para a vida, apenas modestamente cobrindo seu sexo com pele de um animal. Tudo com a suavidade típica do romantismo acadêmico de seu autor, Giovanni Dupré (Itália, 1817-1882).

    Por que é tão bom? "É uma pura contradição do material. Uma transubstanciação de carne ao mármore e do mármore quase ao marfim, que pode ser considerado cálido. O escultor recriou até o pelo de sua axila e seu sexo. Como Salomé ao ver a cabeça incorpórea do Batista, ele nos convida a dizer: 'Eu beijarei sua boca, Jokanaán', explica Carmen González Castro.

  •  Mas o que faz este homem nu?  George Platt Lynes (EUA, 1907-1955) foi um magnífico fotógrafo de moda e publicidade que, em sua série, digamos, mais artística, focou principalmente nos nus masculinos. Sua abordagem homoerótica interessou grandemente ao famoso sexólogo Alfred Kinsey, que adquiriu grande parte de seu trabalho após a morte do artista.   Por que é tão bom?  David Trullo destaca como Platt Lynes se adiantou a fenômenos muito atuais: “Uma imagem icônica que hoje passaria desapercebida porque, consciente (Robert Mapplethorpe) ou inconscientemente, foi revisitada desde então inumeráveis vezes por fotógrafos e agora por 'instagramers'. Essa mistura de classicismo e carga sexual é ainda senha de identidade da fotografia homoerótica”.
    16'Ted Starkowski' (1955), de George Platt Lynes Mas o que faz este homem nu? George Platt Lynes (EUA, 1907-1955) foi um magnífico fotógrafo de moda e publicidade que, em sua série, digamos, mais artística, focou principalmente nos nus masculinos. Sua abordagem homoerótica interessou grandemente ao famoso sexólogo Alfred Kinsey, que adquiriu grande parte de seu trabalho após a morte do artista.

    Por que é tão bom? David Trullo destaca como Platt Lynes se adiantou a fenômenos muito atuais: “Uma imagem icônica que hoje passaria desapercebida porque, consciente (Robert Mapplethorpe) ou inconscientemente, foi revisitada desde então inumeráveis vezes por fotógrafos e agora por 'instagramers'. Essa mistura de classicismo e carga sexual é ainda senha de identidade da fotografia homoerótica”.

  •  Mas o que faz este homem nu?  “Leigh Bowery, 'performer' da cena londrina, mostra-se nesta obra desprovido dos modelos extravagantes e fetichistas que vestia em suas atuações”, indica o especialista em arte Bruno Ruiz-Nicoli. Lucian Freud (Alemanha, 1922- Reino Unido, 2011) queria destacar esse despojamento chegando à nudez mesma. “Parecia-me maravilhosamente belo”, afirmou Freud.    Por que é tão bom?  Há algo perturbador no modo em que se mostra um nu que vai contra todas as convenções do normativo. “Sua nudez é radical porque descobre a pele debaixo da personagem, e é transgressora porque afasta-se do padrão clássico”, comenta Ruiz-Nicoli.
    17'Leigh Bowery' (1991), de Lucian Freud. Tate Gallery (Londres) Mas o que faz este homem nu? “Leigh Bowery, 'performer' da cena londrina, mostra-se nesta obra desprovido dos modelos extravagantes e fetichistas que vestia em suas atuações”, indica o especialista em arte Bruno Ruiz-Nicoli. Lucian Freud (Alemanha, 1922- Reino Unido, 2011) queria destacar esse despojamento chegando à nudez mesma. “Parecia-me maravilhosamente belo”, afirmou Freud.

    Por que é tão bom? Há algo perturbador no modo em que se mostra um nu que vai contra todas as convenções do normativo. “Sua nudez é radical porque descobre a pele debaixo da personagem, e é transgressora porque afasta-se do padrão clássico”, comenta Ruiz-Nicoli.

  •  Mas o que faz este homem nu?  A descoberta desta estátua no século XVII, durante o pontificado de Urbano VIII em Roma, causou sensação. A pose impudente é devida à natureza dos faunos ou sátiros, criaturas mitológicas que amam o vinho, a ociosidade e os prazeres.    Por que é tão bom?  “É para mim a quintessência da sensualidade masculina, mostrando seu sexo abertamente e sem pudor. O fauno está adormecido e sua atitude sugere que o seu é o sono depois do êxtase. Mas o êxtase é difícil de distinguir nas representações de modelos masculinos. Oculta-se, muitas vezes, baixo as formas da dor —de Prometeo a São Sebastião—, do martírio sacro ou profano, e paradoxalmente resulta mais evidente em obras de corte religioso”, explica a especialista Carmen González Castro.
    18'Fauno Barberini' (s.III ac.C.). Anônimo. Gliptoteca de Munique. Mas o que faz este homem nu? A descoberta desta estátua no século XVII, durante o pontificado de Urbano VIII em Roma, causou sensação. A pose impudente é devida à natureza dos faunos ou sátiros, criaturas mitológicas que amam o vinho, a ociosidade e os prazeres.

    Por que é tão bom? “É para mim a quintessência da sensualidade masculina, mostrando seu sexo abertamente e sem pudor. O fauno está adormecido e sua atitude sugere que o seu é o sono depois do êxtase. Mas o êxtase é difícil de distinguir nas representações de modelos masculinos. Oculta-se, muitas vezes, baixo as formas da dor —de Prometeo a São Sebastião—, do martírio sacro ou profano, e paradoxalmente resulta mais evidente em obras de corte religioso”, explica a especialista Carmen González Castro.

  •  Mas o que faz este homem nu?  O fotógrafo alemão Wilhelm Von Gloeden (1856-1931) retratou obsessivamente os jovens sicilianos, utilizando poses clássicas como pretexto para a mudez.    Por que é tão bom?  “Aqu ele faz uma versão do ‘Jovem nu em frente ao mar’, de Flandrin, tornando-o carnal e chamando-o de 'Caim'. Muito ousado. Von Gloeden baixa à Terra os clássicos e despoja-os de sua imaculada perfeição. Apolo é Dionísio, e Dionísio é um garoto da rua”, analisa David Trullo.
    19'Caim' (1902), de Wilhelm Von Gloeden Mas o que faz este homem nu? O fotógrafo alemão Wilhelm Von Gloeden (1856-1931) retratou obsessivamente os jovens sicilianos, utilizando poses clássicas como pretexto para a mudez.

    Por que é tão bom? “Aqu ele faz uma versão do ‘Jovem nu em frente ao mar’, de Flandrin, tornando-o carnal e chamando-o de 'Caim'. Muito ousado. Von Gloeden baixa à Terra os clássicos e despoja-os de sua imaculada perfeição. Apolo é Dionísio, e Dionísio é um garoto da rua”, analisa David Trullo.

  •  Mas o que faz este homem nu?  Dentre as muitas fotografias de homens nus de Mapplethorpe (EUA, 1946-1989), impressionam especialmente as de indivíduos negros. A fetichização de seus corpos é evidente, e por isto foi muito criticado ao considerar-se que o fotógrafo nova-iorquino perpetuava o mito do objeto sexual exótico.    Por que é tão bom?  "Questões políticas à parte, a fotografia é um prodígio de composição, despojamento cênico e sensualidade fria que habita em algum lugar entre Michelangelo e Leni Riefenstahl
    20'Derrick Cross' (1982), de Robert Mapplethorpe Mas o que faz este homem nu? Dentre as muitas fotografias de homens nus de Mapplethorpe (EUA, 1946-1989), impressionam especialmente as de indivíduos negros. A fetichização de seus corpos é evidente, e por isto foi muito criticado ao considerar-se que o fotógrafo nova-iorquino perpetuava o mito do objeto sexual exótico.

    Por que é tão bom? "Questões políticas à parte, a fotografia é um prodígio de composição, despojamento cênico e sensualidade fria que habita em algum lugar entre Michelangelo e Leni Riefenstahl

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