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Alternativas para quem não quer continuar no WhatsApp

Mudança nos termos do serviço de mensagens mais usado do mundo faz com que concorrentes ganhem destaque

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Muita gente se assustou com a novidade, embora não devesse ser surpresa para ninguém que o Facebook tentaria obter um retorno para o seu milionário investimento na aquisição do WhatsApp. Só que a verdade é teimosa: a partir de agora, a rede social criada por Mark Zuckerberg poderá ter acesso a todos os números de telefone com o qual mantemos contato através do WhatsApp, a não ser que o usuário tome medidas para evitar isso. É preocupante? À primeira vista parece que não, mas pessoas zelosas da sua privacidade poderão futuramente se deparar com mensagens publicitárias no WhatsApp e, evidentemente, com propagandas nos seus perfis do Facebook associadas às conversas mantidas no aplicativo.

A esta altura, portanto, a pergunta se impõe: é hora de buscar alternativas ao WhatsApp como ferramenta de comunicação? A verdade é que não seria fácil mudar. O WhatsApp se tornou um padrão comunicacional no Brasil – em outras palavras, quem não está no WhatsApp não existe. Essa presença quase hegemônica no país é atípica se considerarmos a distribuição dos aplicativos no resto do mundo. Na França e em Portugal, por exemplo, o WhatsApp não é dominante.

Não obstante, quem desejar alternativas que garantam mais privacidade irá encontrá-las, ainda que distribuídas em nichos de usuários. O mais importante desses serviços sem dúvida é o Telegram, um projeto do magnata russo Pavel Durov que já começa a gozar de grande popularidade em nosso país. Esse aplicativo é muito similar ao WhatsApp, mas oferece funções adicionais e mais opções de configuração. O lado negativo é que não permite fazer chamadas de voz e vídeo. Sua principal vantagem é também sua maior ameaça: não tem um modelo de negócio e, como admitiu o próprio Durov, “a intenção é fazer um produto sem fins lucrativos” – ou seja, sua subsistência futura depende unicamente da disposição do empresário em manter o sistema.

A principal alternativa é o Telegram, que oferece funções adicionais e mais opções de configuração, mas não permite fazer chamadas

A outra grande alternativa que garante mais ou menos a privacidade do usuário são os aplicativos de mensagens das grandes empresas, que as oferecem como um serviço de valor agregado e sem intenção aparente de monetizá-lo. Assim, os usuários do ecossistema Apple encontram refúgio no iMessage, mas com a grande limitação de que este aplicativo não permite se comunicar com ninguém que não tenha um produto da fábrica. O mesmo aconteceria com o Google e seu recém-lançado aplicativo Allo, que usa inteligência artificial para oferecer um serviço de mensagens avançado para o usuário. Entretanto, a grande dificuldade dos produtos Google é sua volatilidade: a firma tende a matá-los após alguns anos, sem dar muitas explicações, e no caso de um serviço essencial como o de mensagens isso pode ser um problema.

Outro gigante em número de usuários é o WeChat, aplicativo hegemônico na China, mas que no Brasil esbarra no muro dos padrões e é relegado à categoria de nicho. Dando uma olhada nas tendências para o futuro, os mais jovens estão cada vez mais propensos a usarem o Snapchat como centro de comunicações – observe que esse aplicativo também permite as chamadas e videochamadas. É difícil romper a hegemonia num mercado, mas os usuários que se preocuparam com a última decisão do WhatsApp podem pouco a pouco criar seus grupos de familiares e amigos em plataformas alternativas.

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