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O desafio da Apple

Pedido do FBI para obter uma “chave mestra” para acessar os dados dos celulares parece excessivo e pode causar abusos

Carolyn Kaster (AP)

A batalha entre a empresa de tecnologia Apple e o Governo norte-americano – através do FBI – sobre proteção de dados de celulares tem enormes implicações e nela se resolve até onde as autoridades governamentais podem chegar em relação ao acesso dos dados privados. O FBI pede a colaboração da Apple para acessar o conteúdo do iPhone do terrorista Sayed Farook, que em dezembro de 2015 cometeu um atentado em San Bernardino (Califórnia) no qual morreram 14 pessoas.

Uma juíza ordenou a Apple que preste ao FBI “assistência técnica razoável” para o complemento dessa investigação. Mas o que a polícia federal pede parece ir além de um caso concreto: o órgão pede para que a Apple mude o sistema operacional de seus iPhone e tablets e disponibilize um software que permita burlar o sistema de encriptação e segurança que já vem com os aparelhos. A empresa se negou a criar essa ferramenta e sua resistência teve o apoio de outras grandes operadoras que utilizam sistemas parecidos. Os últimos modelos incluem mecanismos de bloqueio de acesso que destroem os dados quando são feitas tentativas seguidas de se colocar um código falso. Esses sistemas impedem a aplicação de programas automáticos de busca de códigos.

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Apesar do FBI afirmar que só utilizará o sistema de acesso com autorização judicial, a Apple acredita que modificar o sistema operacional e criar uma espécie de chave mestra que permita a entrada em qualquer aparelho implica na destruição dos critérios de segurança: uma vez criada e entregue a terceiros, ninguém pode garantir como essa chave será utilizada. A Apple ressaltou sua cooperação em 70 ocasiões para fornecer o acesso aos dados de um aparelho concreto, e assegurou que continuará colaborando com a tecnologia atual. Esse caminho parece razoável: caso por caso e sob rigoroso controle judicial.

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