Sonda da NASA ‘New Horizons’ revela o lado nunca visto de Plutão

A sonda chegou nesta terça aos últimos confins do Sistema Solar

Recriação feita pela National Space Society da viagem da 'New Horizons' a Plutão

Caronte, o principal satélite de Plutão, é tão grande em relação ao planeta que quase deveríamos falar de um planeta duplo. De fato, a influência gravitacional entre os dois faz com que sempre mostrem o mesmo lado um para o outro, como ocorre com a Lua com relação à Terra. Mas no caso de Plutão e Caronte, o bloqueio é mútuo.

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A foto distribuída nesta segunda-feira pela NASA é a que melhor mostra o hemisfério de Plutão que está sempre voltado para Caronte. A trajetória seguida pela New Horizons torna esta foto única: todas as que forem obtidas durante o sobrevoo da sonda, que chega a Plutão nesta terça-feira, corresponderão ao hemisfério oposto.

A New Horizons é uma sonda de sobrevoo, não orbital. Nesta terça-feira, por volta das 9h da manhã de Brasília, estava previsto passar entre Plutão e Caronte e recolher todas as informações que puder. É provável que não sejam conhecidas mais informações até a madrugada na Europa.

É provável que a qualidade da imagem enviada ontem tenha decepcionado a alguns. Veem-se detalhes, mas muito confusos. Há sinais de penhascos e crateras, mas não é fácil distinguir a natureza das famosas manchas escuras distribuídas em espaços regulares em volta do equador do planeta. Porque o que se vê quase no centro do disco é o polo norte.

É sabido que o eixo de rotação de Plutão é inclinado em mais de 100 graus. É como uma bola que roda ao longo de sua órbita. Apenas o planeta Urano tem um comportamento semelhante. O resultado disso são estações e uma sequência de dias e noites muito estranhos. Nos polos, dia e noite não duram seis meses, como na Terra, mas mais de um século. Durante a noite, o frio é tão intenso que a escassa atmosfera se congela sobre o solo.

Durante a noite o frio é tão intenso que a escassa atmosfera de Plutão se congela sobre o solo

Duas razões explicam a aparente baixa qualidade destas imagens. Primeiro, a relativa distância que a nave ainda se encontrava de Plutão (mais de quatro milhões de quilômetros, ou seja, cerca de dez vezes a distância que separa a Terra da Lua). Segundo, o baixíssimo nível de luz disponível: o Sol, a mais de cinco horas-luz de distância, é pouco mais que uma estrela muito brilhante. Em pleno meio-dia em Plutão, não há muito mais claridade que nas horas seguintes ao ocaso na Terra. De fato, parte da iluminação desta foto corresponde à luz refletida por Caronte.

Os resultados devem ser muito diferentes quando forem recebidas as fotos feitas durante a aproximação máxima. Isso será por volta da madrugada da quarta-feira, quando for recebida uma seleção dos dados obtidos. A expectativa é que seja possível distinguir detalhes do tamanho de um campo de futebol.

Mas neste momento ninguém faz realmente ideia das surpresas com as quais podemos nos deparar.

Rafael Clemente é engenheiro industrial. Foi o fundador e primeiro diretor do Museu da Ciência de Barcelona (actual CosmoCaixa).

Plutão é o maior

Os responsáveis pela New Horizons determinaram que Plutão tem diâmetro de 2.370 quilômetros, um pouco maior do que o apontado por estimativas anteriores. Esse resultado desfaz as dúvidas que havia sobre qual é o maior objeto além da órbita de Plutão, na região conhecida como Cinturão de Kuiper, ocupada por pequenas rochas geladas. Pensava-se até hoje que Eris, outro planeta anão com mais massa, pudesse superar o que até há pouco tinha sido o nono planeta do Sistema Solar.

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