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A chave é a Alemanha

A diminuição no ritmo da retomada alemã indica que o jogo de equilíbrios econômicos não é estável

Os números do primeiro trimestre de 2015 fornecidos pelo Eurostat indicam uma ligeira melhoria no crescimento na zona do euro (0,4% no último trimestre de 2014) e uma diminuição no ritmo da retomada alemã (crescimento trimestral de 0,3% frente ao 0,5% previsto e 0,7% no trimestre anterior). Ambas as evoluções se enquadram porque a França foi a surpresa crescendo 0,6%, enquanto a Espanha continua com altas taxas de crescimento do PIB. Até aqui, os números. O caso da Alemanha, uma economia que se baseia no comércio exterior, mostra que o jogo de equilíbrios econômicos não é estável: a demanda externa de fora da zona do euro (Ásia, EUA, Rússia) enfraqueceu, prejudicando as exportações, e o aumento da demanda interna aumenta as importações.

Por razões óbvias, para a economia espanhola é bom que o crescimento da zona do euro acelere. O mais provável é que a melhora continue nos próximos trimestres. Deve-se observar também que a chave continua sendo a Alemanha. Seus parâmetros internos (superávit corrente, finanças públicas saneadas) permitem que Berlim adote políticas mais expansionistas, de modo que os outros parceiros da moeda única possam consolidar a recuperação. E, no caso de Espanha, cumprir os objetivos de estabilidade. Lembre-se que a Espanha ainda figura entre os países europeus com mais desequilíbrios, começando pelo déficit e a dívida.

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