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Loucos pelos desertos

De surfar na areia a caminhar pelo leito de um oceano, 10 aventuras em território desértico

Ruta em todoterreno pelo Rub a o-Jali, a maior extensão desértica do mundo, na Península Arábiga.
Ruta em todoterreno pelo Rub a o-Jali, a maior extensão desértica do mundo, na Península Arábiga.Jereme Thaxton

Desertos imensos e abrasadores, frios e desolados; cenários abertos e solitários perfeitos para experimentar as mais selvagens aventuras. É hora de cerrar os dentes, proteger os olhos e encarar estes dez desafios no deserto com uma pitada de loucura.

01 Sandboard na duna mais alta

CERRO BLANCO (PERU)

Descida de sandboard no deserto peruano.
Descida de sandboard no deserto peruano.Olivier Renck

O sandboard é o snowboard dos que odeiam o frio, uma experiência única que nos fará aproveitaras areia do deserto como nunca feito antes. Nossa proposta é praticá-lo no deserto de Sechura, em Cerro Blanco (Peru), perto das enigmáticas linhas de Nazca. Estamos de pé, à beira do precipício, com os nervos à flor da pele, preparados para nos atirar sobre uma prancha de sandboard em uma ladeira de areia fina. Com seus 1.176 metros de altura, a duna Cerro Blanco, no vale de Las Trancas, é a mais alta do mundo, e há somente uma forma de vê-la: a toda velocidade, com os pés sobre uma prancha e os olhos cobertos por óculos de proteção.

Cerro Blanco está a 28 quilômetros de carro e a 3 horas de subida da cidade de Nazca. Na região há agências que organizam excursões de sandboard.

02 Correr no leito do oceano

EGITO

Formações geológicas no Deserto Branco, no Egito.
Formações geológicas no Deserto Branco, no Egito.De Agostini / C. Sappa

A corrida Ocean Floor Race, no Egito, é uma experiência apropriada para pouquíssimos (e muito preparados). Orientar-se na travessia de uma floresta de areia esculpida pelo vento e acreditar que está vendo monstros saídos de um pesadelo não é algo tão raro: os atletas de competições extremas podem sofrer alucinações, especialmente se houver rochas com formas surreais ao redor. Há 200 milhões de anos este terreno estava sob o mar, mas hoje a água é escassa no Deserto Branco, no Egito. Uma lástima, porque depois de quatro dias correndo sem parar, numa ultramaratona de 257 quilômetros por esta região do Saara, a boca fica mais seca do que a de um camelo.

A Ocean Floor Race precisa ser completada em no máximo 96 horas. Será realizada no final de março.

03 Blokart no deserto de Mojave

NEVADA (ESTADOS UNIDOS)

Corrida com blokarts em Ivanpah Lake, no deserto de Mojave.
Corrida com blokarts em Ivanpah Lake, no deserto de Mojave.Lindsay Hebberd

Amanhece no deserto de Mojave (Nevada), e o brilho feérico de Las Vegas se dissipa no imenso deserto. Ivanpah Lake, um poeirento lago seco a 65 quilômetros da cidade dos cassinos, parece uma área inóspita varrida pelo vento, mas é o paraíso do blokart (carro à vela), esporte com veículos velozes de três rodas movidos pelo vento. Aqui se reúnem os melhores pilotos dos EUA. Em 2009, Richard Jenkins estabeleceu o recorde mundial ao atingir 202,9 quilômetros por hora a bordo do Greenbird. O viajante não vai alcançar essa velocidade, mas terá boas rajadas de vento para se divertir.

Em Ivanpah Lake são realizadas competições que são um espetáculo a ser considerado.

04 Cavalgar pelo Gobi

MONGÓLIA

Relva e dunas de areia no deserto de Gobi, na Mongólia.
Relva e dunas de areia no deserto de Gobi, na Mongólia.David Santiago Garcia

A impressionante diversidade do deserto de Gobi é de fazer cair do cavalo: é ao mesmo tempo um lugar duro e belo. Ao deixar Ulan Bator rumo às formações rochosas de Baga Zorgol Hairhan Uul e atravessar as dunas de Arburd, não há como se sentir mais satisfeito com seu meio de transporte. Aqui, nas impressionantes estepes da Mongólia, antigamente habitat das maiores manadas de cavalos conhecidas no planeta, nasceu a equitação, e uma boa montaria continua a ser a melhor maneira de cruzar as terras que foram dominadas por Gengis Khan.

Várias empresas oferecem travessias à cavalo pelo deserto de Gobi. O ideal é ir na época do antigo festival Naadam, no mês de julho.

05 Canyoning na Judeia

ISRAEL

Cascata na reserva natural de Banyas, nas Colinas de Golã (Israel).
Cascata na reserva natural de Banyas, nas Colinas de Golã (Israel).Richard T. Nowitz

Recuperado o fôlego, depois de descer em rapel uma parede de 100 metros nas bordas do deserto da Judeia, alguém pode se perguntar por que nunca tinha ouvido falar do cânion de Qumrán. É possível fazer canyoning, e se molhar, nas Colinas de Golã, mas é mais fascinante descer com a ajuda de cordas até o lugar onde foram encontrados os Manuscritos do Mar Morto. Esses manuscritos permaneceram escondidos 2.000 anos, uma prova do isolamento e da solidão que imperam nestes cânions e cavernas. Isso acrescenta alguns pontos à aventura no lugar mais baixo da Terra. A temperatura atinge 50 graus, mas por sorte o Mar Morto está por perto, para quem quiser se refrescar.

A melhor época para as atividades na região vai de outubro a abril.

06 Montanhismo no deserto

NAMÍBIA

Visita guiada às pinturas rupestres encontradas em 1918 no maciço de Brandberg, no deserto de Namib (Namíbia).
Visita guiada às pinturas rupestres encontradas em 1918 no maciço de Brandberg, no deserto de Namib (Namíbia).Tom Schulze

Os montanhistas têm metas muito específicas no mundo, mas não são muitos os que se animam a subir a montanha mais alta da Namíbia, o maciço Brandberg, que domina o deserto de Namib, o mais velho do planeta. Somente por saber disso muitos já devem estar preparando a mochila para partir. Depois de três dias de expedição, acampa-se em Wasserfallflache. Ali começa a jornada para cima, que é brutal: sete horas subindo por blocos de pedra e superfícies muito íngremes. Um impulso a mais e o grupo chega a Königstein (a pedra do rei), a 2.573 metros. Para baixo é possível visitar a Snake Rock Cave, caverna famosa por suas pinturas rupestres.

A escalada do Brandberg é uma excursão guiada de cinco dias, com barracas de campanha, organizada por operadores de Windhoek, e a melhor época vai de abril a setembro.

07 Enfrentar a serpente negra

AL AIN (ABU DHABI)

Terraço do restaurante do hotel Mercure, no alto do monte Jebel Hafeet, en Abu Dhabi.
Terraço do restaurante do hotel Mercure, no alto do monte Jebel Hafeet, en Abu Dhabi.Kav Dadfar

Ao sair de Green Mubazzarah, em Al Ain, monta-se numa bicicleta de estrada, para pedalar rumo ao Jabal Hafeet, um monte de 1.249 metros de altura que emerge do deserto e cruza a fronteira dos Emirados Árabes e de Omã. O grande desafio para o ciclista é subir os 11,7 quilômetros da estrada de montanha do Jebel Hafeet: 21 curvas fechadas exaustivas e, até o último centímetro de asfalto, uma inclinação média de 8%. Logo ao começar a subida já se sua em bicas, e só se pensa na descida.

A estrada de montanha do Jebel Hafeet é palco de várias competições, incluindo um duríssimo biatlo anual (ciclismo e corrida).

08 Um deserto de bicicleta

SIMPSON (AUSTRÁLIA)

Dunas do deserto Simpson, na Austrália.
Dunas do deserto Simpson, na Austrália.Nick Rains

O deserto de Simpson é conhecido como o velódromo de Satã. Deve ser por alguma razão. A Simpson Desert Challenge é uma corrida de bicicleta na montanha realizada anualmente no final de setembro. Tudo começa ao amanhecer em Purni Bore, no outback do sul da Austrália, quando o Sol ainda não queima; quando o faz, ninguém fica a salvo até que desapareça no horizonte. Daí em diante, uma prova brutal, com 10 etapas e 560 quilômetros, um desafio para os ciclistas mais duros, com dunas, lagos salgados que provoca miragens, enormes ranchos de gado (alguns tão grandes como um país europeu pequeno) e as eternas picadas provocadas pelo pavimento desértico.

09 Esquiadores movidos a vento

ANTÁRTIDA

Os alpinistas Conrad Anker e Jon Krakauer esquiando no monte Kubus, na Terra da Rainha Maud, na Antártida.
Os alpinistas Conrad Anker e Jon Krakauer esquiando no monte Kubus, na Terra da Rainha Maud, na Antártida.Corbis

Muitos não sabem, mas a Antártida, o continente mais seco e assolado por ventos do planeta, é também um dos grandes desertos do mundo, e, graças a suas condições extremas, um dos cenários mais tentadores para os esportes de aventura. Historicamente, o vento era o inimigo mortal dos exploradores que viajavam aos polos (pode baixar a sensação térmica a níveis mortais, como 70 graus abaixo de zero), mas os aventureiros modernos o converteram num aliado: usam-no como propulsão ao longo dos campos de gelo desérticos, no kite-ski. Um sorriso se desenha no rosto do esportista quando a pipa é atingida pelo forte vento. As cordas, que se seguram usando luvas, dão puxões, impacientes. Já levantaram acampamento, empacotaram tudo, calçaram os esquis e estão prontos para curtir.

As expedições polares de kite-ski são caras, mas há agências especializadas que as organizam, tais como Weber Arctic.

10 O maior de todos

PENÍNSULA ARÁBICA

Dunas e oásis no deserto de Rub al Khali, o maior do mundo, na Península Arábica.
Dunas e oásis no deserto de Rub al Khali, o maior do mundo, na Península Arábica.Achim Thomae

Para descobrir o Wilfred Thesiger que todos levamos dentro de nós basta montar em um camelo e explorar o Rub al-Jali (o lugar vazio), a maior extensão desértica do mundo, que ocupa um quinto da Península Arábica e se estende por áreas da Arábia Saudita, Iêmen, Emirados Árabes e Omã. É terra de beduínos que trabalham também como guias para informar o viajante sobre os costumes do deserto e como esses povos sobreviveram durante milênios em um dos meios mais duros que existem. À noite, quando se extingue a fogueira do acampamento, tem início o caleidoscópico espetáculo de estrelas no céu.

Os melhores países para contratar passeios em camelo no Rub al-Jali são Omã e Emirados Árabes.

Mais informação em 1000 aventuras únicas e em www.lonelyplanet.es.

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