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A arquitetura mexicana do século XX em seis projetos

Do Museu Rivera à Cidade Universitária. Uma seleção da Fernanda Canales.

  • Museu Anahuacalli. Cidade do México, 1945-57 (Diego Rivera com Juan O’Gorman e Ruth Rivera). O Museu de Diego Rivera uniu o legado pré-hispânico e a influência do surrealismo com as possibilidades técnicas da arquitetura moderna. Entretanto, sua construção, que demorou 12 anos, foi um manifesto contra as formas emprestadas do Estilo Internacional e rediscutiu o papel do arquiteto, eliminando as fronteiras entre arte, história, cultura e arquitetura. Exaltação dos valores nacionalistas, foi concluído, após a morte de Rivera, por sua filha Ruth e por Juan O’Gorman.
    1Museu Anahuacalli. Cidade do México, 1945-57 (Diego Rivera com Juan O’Gorman e Ruth Rivera). O Museu de Diego Rivera uniu o legado pré-hispânico e a influência do surrealismo com as possibilidades técnicas da arquitetura moderna. Entretanto, sua construção, que demorou 12 anos, foi um manifesto contra as formas emprestadas do Estilo Internacional e rediscutiu o papel do arquiteto, eliminando as fronteiras entre arte, história, cultura e arquitetura. Exaltação dos valores nacionalistas, foi concluído, após a morte de Rivera, por sua filha Ruth e por Juan O’Gorman.
  • Nonoalco-Tlatelolco. Cidade do México, 1964 (Mario Pani e Luis Ramos Cunningham). Novos blocos de moradia para as camadas sociais emergentes junto às ruínas pré-hispânicas. Tlatelolco materializou para 100.000 habitantes um novo modelo de cidade ordenada e eficaz. Entretanto, apenas quatro anos depois da sua inauguração o local passou a simbolizar as contradições e falhas dessa visão totalizadora. A matança de 1968 na praça das Três Culturas cristalizou a ruptura do olhar homogêneo promovido pela ideia de unidade nacional. Posteriormente, o desmoronamento de vários edifícios do conjunto por causa do terremoto de 1985 evidenciou o a dissolução das estruturas de poder, do conceito de cidade “moderna” e da fé no progresso linear.
    2Nonoalco-Tlatelolco. Cidade do México, 1964 (Mario Pani e Luis Ramos Cunningham). Novos blocos de moradia para as camadas sociais emergentes junto às ruínas pré-hispânicas. Tlatelolco materializou para 100.000 habitantes um novo modelo de cidade ordenada e eficaz. Entretanto, apenas quatro anos depois da sua inauguração o local passou a simbolizar as contradições e falhas dessa visão totalizadora. A matança de 1968 na praça das Três Culturas cristalizou a ruptura do olhar homogêneo promovido pela ideia de unidade nacional. Posteriormente, o desmoronamento de vários edifícios do conjunto por causa do terremoto de 1985 evidenciou o a dissolução das estruturas de poder, do conceito de cidade “moderna” e da fé no progresso linear.
  • Cidade Universitária; na imagem, a Biblioteca Central da Cidade Universitária, Cidade do México, 1952 (Juan O’Gorman, Gustavo Saavedra e Juan Martínez de Velasco). Considerado o paradigma da modernidade no México, a Cidade Universitária foi um trabalho orquestral do qual participaram mais de 100 arquitetos, além de artistas, paisagistas e engenheiros. Sob o plano-mestre de Mario Pani e Enrique del Moral, a obra marcou a expansão da cidade e definiu o caráter da arquitetura mexicana em meados do século XX. Na paisagem virgem de El Pedregal, na zona sul da cidade, o campus sintetizou a carga histórica da vizinha área pré-hispânica de Cuicuilco, o caráter vulcânico do local e a influência das tradições artísticas e das formas modernas. Inaugurada em 1952, com obras como a Biblioteca Central, de Juan O’Gorman, os frontões de Alberto T. Arai e o estádio projetado por Augusto Pérez Palacios, a Cidade Universitária consolidou o conceito de integração plástica promovido pelo movimento muralista.
    3Cidade Universitária; na imagem, a Biblioteca Central da Cidade Universitária, Cidade do México, 1952 (Juan O’Gorman, Gustavo Saavedra e Juan Martínez de Velasco). Considerado o paradigma da modernidade no México, a Cidade Universitária foi um trabalho orquestral do qual participaram mais de 100 arquitetos, além de artistas, paisagistas e engenheiros. Sob o plano-mestre de Mario Pani e Enrique del Moral, a obra marcou a expansão da cidade e definiu o caráter da arquitetura mexicana em meados do século XX. Na paisagem virgem de El Pedregal, na zona sul da cidade, o campus sintetizou a carga histórica da vizinha área pré-hispânica de Cuicuilco, o caráter vulcânico do local e a influência das tradições artísticas e das formas modernas. Inaugurada em 1952, com obras como a Biblioteca Central, de Juan O’Gorman, os frontões de Alberto T. Arai e o estádio projetado por Augusto Pérez Palacios, a Cidade Universitária consolidou o conceito de integração plástica promovido pelo movimento muralista.
  • Conjunto Habitacional Belén de las Flores. Cidade do México, 1954 (Carlos Lazo). A proposta de repensar os modelos de moradia levou Carlos Lazo (gerente-geral do projeto de construção da Cidade Universitária) a implantar em 1954 uma experiência de habitação mínima: 110 casas escavadas na montanha. As “cavernas civilizadas” propunham a integração entre o homem e a natureza. As moradias, de 60 metros quadrados, inseriam-se na paisagem curva a partir de sete terraços ou escalonamentos que continham os espaços e funcionavam como áreas de circulação e serviço. A cozinha e o banheiro constituíam um núcleo de serviços pré-fabricado, que, junto ao janelão voltado para o exterior, contrastava com o caráter nativo do conjunto. A mensagem: a tecnologia moderna deve respeitar as lições da paisagem e da tradição.
    4Conjunto Habitacional Belén de las Flores. Cidade do México, 1954 (Carlos Lazo). A proposta de repensar os modelos de moradia levou Carlos Lazo (gerente-geral do projeto de construção da Cidade Universitária) a implantar em 1954 uma experiência de habitação mínima: 110 casas escavadas na montanha. As “cavernas civilizadas” propunham a integração entre o homem e a natureza. As moradias, de 60 metros quadrados, inseriam-se na paisagem curva a partir de sete terraços ou escalonamentos que continham os espaços e funcionavam como áreas de circulação e serviço. A cozinha e o banheiro constituíam um núcleo de serviços pré-fabricado, que, junto ao janelão voltado para o exterior, contrastava com o caráter nativo do conjunto. A mensagem: a tecnologia moderna deve respeitar as lições da paisagem e da tradição.
  • Capela aberta. Cuernavaca, Morelos, 1959 (Guillermo Rossel, Manuel Larrosa e Félix Candela). Exemplo de tropicalização da arquitetura moderna no México, surgiu refletindo as bonanças do clima e o desejo de renovação. Para Canales, representa “a síntese do conhecimento técnico oferecido pelos arquitetos do exílio espanhol e a liberdade encontrada em territórios virtualmente virgens”. Com quase 22 metros de altura e apenas alguns centímetros de estrutura de concreto, “é o sonho de uma arquitetura leve, tornada realidade graças aos arriscados cálculos de Candela”.
    5Capela aberta. Cuernavaca, Morelos, 1959 (Guillermo Rossel, Manuel Larrosa e Félix Candela). Exemplo de tropicalização da arquitetura moderna no México, surgiu refletindo as bonanças do clima e o desejo de renovação. Para Canales, representa “a síntese do conhecimento técnico oferecido pelos arquitetos do exílio espanhol e a liberdade encontrada em territórios virtualmente virgens”. Com quase 22 metros de altura e apenas alguns centímetros de estrutura de concreto, “é o sonho de uma arquitetura leve, tornada realidade graças aos arriscados cálculos de Candela”.
  • Torres de Satélite. Naucalpan, Estado do México, 1958 (Luis Barragán e Mathias Goeritz). Esta escultura urbana, “uma ilha de concreto no meio da rodovia”, inaugurada em 1958 por Luis Barragán e Mathias Goeritz, representa para Fernanda Canales um emblema do progresso e uma celebração da vitalidade de uma capital em expansão. Urbanisticamente, as torres definiram o novo desenvolvimento para o noroeste e se tornaram um símbolo da metrópole moderna. Considerada como a primeira obra de arte feita para ser vista em movimento a partir de um automóvel, oferece uma perspectiva mutante graças ao colorido intenso de cinco torres triangulares com alturas que variam de 30 a 50 metros.
    6Torres de Satélite. Naucalpan, Estado do México, 1958 (Luis Barragán e Mathias Goeritz). Esta escultura urbana, “uma ilha de concreto no meio da rodovia”, inaugurada em 1958 por Luis Barragán e Mathias Goeritz, representa para Fernanda Canales um emblema do progresso e uma celebração da vitalidade de uma capital em expansão. Urbanisticamente, as torres definiram o novo desenvolvimento para o noroeste e se tornaram um símbolo da metrópole moderna. Considerada como a primeira obra de arte feita para ser vista em movimento a partir de um automóvel, oferece uma perspectiva mutante graças ao colorido intenso de cinco torres triangulares com alturas que variam de 30 a 50 metros.