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Fotografias pelos olhos de um drone

Dronestagram é uma rede social com imagens e vídeos capturados por aviões não tripulados

Segundo premeio do concurso de Donestagram. Manila (Filipinas). Ver galeria de fotos
Segundo premeio do concurso de Donestagram. Manila (Filipinas).

Pés sobre a areia da praia, gatinhos de todos os ângulos possíveis, pratos gastronômicos de meio mundo... e agora imagens captadas do céu. O Dronestagram é a primeira rede social para fotografias e vídeos feitos com aviões não tripulados, “e talvez outro tipo de imagens aéreas”, explica seu criador, o francês Eric Dupin. A plataforma acaba de comemorar seu primeiro ano de vida —nasceu em 25 de julho de 2013—, e quer se tornar o site de referência para esse tipo de conteúdo.

Além de publicar e permitir que os usuários troquem fotos, o site também estimula a participação dos usuários com a organização de concursos. O primeiro começou em 15 de maio passado e contou com a colaboração da National Geographic no júri. Dupin explica como surgiu essa parceria: “Oferecemos que eles fossem sócios e jurados e aceitaram. Gostaram da ideia. É preciso levar em conta que são especialistas em fotografia”.

Em qualquer ponto do globo terrestre há aficionados em pilotar drones, alguns com verdadeira paixão. Foi isso o que levou o criador do Dronestagram a criar a rede social. “Piloto drones por paixão pessoal e também faço fotos e vídeos.” Um dia, enquanto fazia uma foto de grupo com vários participantes de uma conferência em San Petersburgo (Rússia), um drone se aproximou. E os imortalizou. O francês explica que as fotos do aparelho eram “bem mais interessantes" do que as que ele estava tirando. Foi quando se perguntou onde podia vê-las e se havia algum lugar na web que as agrupasse: “Como não existia nada assim, tive a ideia de criar o Dronestagram”.

Praia de Gueirua, em Cudillero (Astúrias). / RAPOSU

O portal já tem cerca de 10.000 usuários, que era o objetivo estabelecido para o primeiro ano; e mais de 15.000 fotos e vídeos publicados em 10 categorias diferentes. “O passo seguinte são os 100.000, mas com certeza isso vai levar mais de um ano”, explica Dupin. Os drones são um hobby relativamente novo, pouco difundido e caro: podem custar em média 350 euros (cerca de mil reais).

Em alguns países ainda não existe uma legislação para regulamentá-los, como no Brasil e nos Estados Unidos, onde as autoridades não abriram o espaço aéreo para exploração comercial dos drones domésticos. Na Espanha, o Conselho de Ministros aprovou em 5 de julho passado um decreto temporário que permite que essas pequenas aeronaves (apenas as com menos de 150 quilos) passeiem, enquanto se estuda a norma definitiva, pelo céu. O Governo estabeleceu os requisitos para os equipamentos e também para os pilotos e as empresas que os usam.

Foi suficiente para movimentar, ou pelo menos destravar, o mercado. Jim Williams, da Federal Aviation Administration, dos Estados Unidos, estima que 90 bilhões de dólares é a cifra que o mercado de drones domésticos poderia gerar nos próximos dez anos. Um negócio que também se vê cercado de dúvidas éticas quanto à privacidade.

Até o momento, o Dronestagram não teve problemas desse tipo. Mas não baixa a guarda. Dupin exemplifica citando as condições para subir fotografias na plataforma: “Estamos atentos. Nossas condições de publicação indicam claramente que as fotos e os vídeos devem ser tirados em condições que não ponham as pessoas em risco e devem cumprir as leis do lugar em que são tiradas”. Havaí, Ucrânia, Ilha Canguru ou Zhuhai —instantâneos que só podem ser tirados do ar.

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