El acento
i

‘Bitcoin’ atingido, não afundado

Uma moeda à margem de um controle central e de uma autoridade é mais volátil

As pessoas que tinham depositado suas poupanças na Mt.Gox as perderam. Para muitos a notícia não vai fazer com que levantem das cadeiras. Estes dirão: isso já aconteceu comigo. Efetivamente, a novidade é que a Mt.Gox é uma entidade japonesa que guardava poupanças em uma moeda virtual, o bitcoin. O desaparecimento da Mt.Gox certifica o que as autoridades bancárias —seus grandes antagonistas— já advertiam: que realizar operações com uma moeda virtual tem seus riscos. Atualmente existe uma meia dúzia de moedas virtuais, mas nenhuma adquiriu a expansão geográfica, o volume e a importância do bitcoin.

Em fevereiro do ano passado, essa moeda mal era cotada a 64 reais, mas em dezembro chegou perto dos 3.204 reais. Agora, apesar do fechamento da Mt. Gox —principal casa de câmbio da moeda— e de outros acontecimentos negativos, como a detenção de várias pessoas relacionadas com o tráfico de drogas que utilizavam essa divisa, o bitcoin segue vivo. Mantém-se um valor estável em torno dos 1.121 reais, e a clientela foi-se a outros locais que comercializam com ela.

Seguirá o vai e vem da moeda, mas também seguirá um público que não gosta que sua comercialização tenha intermediários, comissões ou autoridades que sobem e baixam o valor de uma divisa de acordo com a sua conveniência. Evidentemente, uma moeda à margem de um controle central e de uma autoridade tem maiores riscos e uma volatilidade superior, como se encarregou de advertir o Bank of America, a entidade financeira que mais falou das possibilidades que têm sido abertas no comércio eletrônico. O bitcoin foi atingido, mas não afundado.

Não se trata só de volatilidade, embora a criação histórica das moedas buscasse precisamente uma maior estabilidade possível no câmbio. É também um problema de regulação e responsabilidade; isto é, de segurança para o proprietário da moeda. Pode-se roubar (hackear) de uma única vez 750.000 bitcoins, ou 6% da moeda em circulação. Isso significa que a divisa precisa de novas normas de funcionamento. Se é que aspira à sobrevivência.