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‘El Chapo’ na prisão

A detenção de um dos narcotraficantes mais perigosos abre no México a esperança do fim da impunidade

Os mexicanos são os principais beneficiários da captura de Joaquín Guzmán, El Chapo, líder e símbolo do cartel de Sinaloa, uma captura com a qual o México demonstra que, sim, pode derrotar os que durante muito tempo têm estado por cima da Justiça.

El Chapo Guzmán fugiu de uma prisão de segurança máxima em 2001, durante a Administração do presidente Vicente Fox. Seu sucessor, Felipe Calderón Hinojosa, que iniciou a guerra contra o narcotráfico, também não pôde submeter o delinquente, que espalhou nestes últimos anos seu poder tanto no México e nos EUA como em outros países. Agora fica claro que não era impossível parar quem já tinha se tornado um mito. E há de se destacar não só a operação —um cerco que durante dias foi sendo apertado até se conseguir a detenção sem um tiro—, senão a contenção, por parte do Governo de Peña Nieto, do triunfalismo e o extremo cuidado para não se cometer nenhum erro que pudesse ter dado alguma brecha legal ao preso nos julgamentos que deverá enfrentar.

A Justiça mexicana aprendeu lições importantes. Em primeiro lugar, a de não cometer mais fiascos por vazamentos de informações. A discrição do operativo foi tão perfeita como a barreira de silêncio dos comandos civis do Governo mexicano (a disciplina é um dos símbolos dos colaboradores de Peña Nieto). E em segundo lugar, a do respeito aos protocolos do devido processo legal.

Foi detido e vai ser julgado o dirigente de uma organização à qual se atribuem seis em cada 10 homicídios ocorridos nos anos mais duros da guerra entre narcotraficantes no México. Além de merecer todo o elogio, é necessário que a operação se torne um presságio: que a detenção desse poderoso e letal narcotraficante marque o rumo para que o México deixe de ser um país onde oito em cada 10 homicídios ficam impunes.