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Zuckerberg: “O WhatsApp já vale mais do que pagamos”

O fundador do Facebook quer conectar todos os habitantes da Terra através de seu projeto Internet.org

Mark Zuckerberg, no MWC.
Mark Zuckerberg, no MWC.

O homem que tem a missão de conectar o mundo. Um rockstar da indústria a julgar pelas pessoas que fizeram fila nesta tarde para vê-lo e ouvi-lo falar. Esse homem é Mark Zuckerberg (Nova York, 1984), criador do Facebook.

Vestido com camiseta e calça jeans, Zuckerberg respondeu às perguntas durante uma entrevista no primeiro dia da Mobile World Congress: por que foram gastos 16 bilhões de dólares (38 bilhões de reais) na compra do WhatsApp? “É uma grande companhia para nós. É o melhor aplicativo que vimos no celular. Há poucos serviços que conectem tanta gente. Já vale mais do que pagamos”.

Não é exagero. A ação do aplicativo de mensagens via celular subiu desde a última quinta-feira —dia em que foi anunciada a compra— quatro dólares. Para Zuckerberg, a aquisição faz sentido: pelo que vale a companhia e pelo que podem chegar a fazer juntos. “A estabilidade que o Facebook dá ao WhatsApp para seguir desenvolvendo seu modelo de negócio: conectar mais pessoas”. Embora Zuckerberg tenha reforçado que o WhatsApp continuará sendo autônomo.

A partir desse momento, Zuckerberg adotou um discurso apaixonado ao explicar no auditório do Mobile World Congress seu projeto, Internet.org, que pretende que o acesso à Internet esteja disponível para os dois terços do mundo que ainda não estão conectados. Entre seus sócios estão a Samsung, a Ópera, a Nokia, a Ericsson e a Qualcomm.

O objetivo é oferecer serviços básicos grátis de Internet como a troca de mensagens ou o clima, como o 911, um serviço básico e universal de comunicações. Segundo um estudo da Deloitte, ao qual Zuckerberg fez menção, caso fosse ampliada a conectividade nos países em desenvolvimento ao nível das economias desenvolvidas, a produtividade aumentaria 25%, gerando 140 milhões de novos postos de trabalho em todo o planeta. O Facebook supera agora 1,2 bilhão de usuários. Mais da metade do tráfego do Facebook já provem da telefonia móvel.

“Queremos oferecer acesso gratuito a serviços básicos como o tempo. Já temos projetos, por exemplo, nas Filipinas, onde o número de usuários dobrou. Se você tem dois dólares, vale a pena investi-los em serviços de dados”.

E como chegará o dinheiro? “Se fizermos algo bom para o mundo, depois saberemos como tirar proveitos. Os resultados iniciais da Internet.org são muito promissores, queremos acumular mais parceiros”. Zuckerberg, no entanto, esclareceu que o Facebook não tem e nem quer todo o protagonismo nessa iniciativa: “Uma companhia não pode fazer isso sozinha, a Internet.org precisa de operadoras, governos, fabricantes, fornecedores de infraestruturas…”.

Nem todos os gurus compartilham dessa visão com Zuckerberg. Bill Gates, em uma entrevista em novembro passado ao Financial Times, assegurou que a Internet não salvará o mundo e se mostrou crítico com a postura de "levar a Internet a todos como prioridade". "Amo ainda a tecnologia da informação, mas se quisermos melhorar nossas vidas devemos nos ocupar de questões mais elementares, como a sobrevivência das crianças e os recursos alimentícios", argumentou.