Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

Derrota de Theresa May

Vitória insuficiente dos conservadores deixa questões preocupantes

Theresa May, na manhã de sexta-feira, ao deixar o quartel-general dos conservadores em Londres.
Theresa May, na manhã de sexta-feira, ao deixar o quartel-general dos conservadores em Londres. REUTERS

A aventura de curto prazo da primeira-ministra britânica, Theresa May, terminou nas urnas na primeira vez que a mandatária submeteu sua candidatura ao escrutínio público. Se May adiantou, como disse várias vezes, as eleições realizadas ontem para obter um apoio eleitoral claro diante da crucial negociação para o Reino Unido sobre sua saída da UE, o resultado obtido foi diametralmente oposto. Se ela o fez, como tudo parece indicar, para resolver seus problemas de autoridade e legitimidade no Partido Conservador, é possível falar sem rodeios de um fracasso absoluto.

A vitória insuficiente dos conservadores não resolve nenhum dos dois problemas e deixa em aberto questões preocupantes tanto para a estabilidade política do Reino Unido quanto para o trânsito adequado da negociação do Brexit. A queda da libra nos mercados internacionais, no momento em que, já durante a madrugada, a tendência do escrutínio confirmou que a vitória conservadora era insuficiente e o partido não poderá governar sozinho, é apenas o primeiro aviso da grande desconfiança existente em relação à capacidade de May para pilotar a nave durante os próximos cinco anos. E que algumas vozes dentro de seu partido nem sequer tenham esperado a atribuição final das cadeiras na Câmara dos Comuns para pedir sua renúncia prenuncia um período de instabilidade.

Em poucos meses May conseguiu, no exterior, esfriar extraordinariamente a atmosfera com a Europa e internamente conseguiu a recuperação do até poucos meses questionado líder trabalhista Jeremy Corbyn. O trabalhismo, com uma mensagem sem oscilações, experimenta um significativo crescimento e volta a ser uma força a se levar em consideração.

É preciso destacar o naufrágio absoluto do populista UKIP, artífice da saída da UE. O eleitorado parece ter se libertado do demagógico discurso ultranacionalista. Pena não tê-lo feito antes do referendo do Brexit.

MAIS INFORMAÇÕES