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Presidenta do Fed indica que os juros nos EUA podem subir neste mês

Janet Yellen segue a linha de outros membros do banco central norte-americano favoráveis a um terceiro aumento

Janet Yellen, presidenta do Federal Reserve AP

As pombas do Federal Reserve (Fed), como são conhecidos os membros mais favoráveis à flexibilidade monetária, já estão voando na mesma direção dos falcões, os defensores de pisar no freio dos estímulos monetários. A presidenta do banco central norte-americano, Janet Yellen, reforçou essa percepção ao afirmar que a alta de taxas de juro seria “apropriada” na reunião dos dias 14 e 15 deste mês se os dados econômicos evoluírem na direção esperada.

Yellen considera que os fundamentos da economia estão alinhados com os objetivos de sua estratégia e por isso estaria justificado um novo aumento, o terceiro neste ciclo, se o rendimento atual se mantiver. “Na reunião deste mês, o comitê avaliará se o emprego e a inflação continuam evoluindo de acordo com nossas expectativas, e nesse caso provavelmente seria apropriado um ajuste maior dos juros”, disse ela na sexta-feira.

A possibilidade de que a alta ocorra neste mês já era de 81% antes do discurso de Yellen durante um ato público em Chicago − e se manteve nesse nível depois de suas declarações. Ela foi a última a falar antes do período de silêncio. As apostas dispararam já na terça-feira, pelos comentários de William Dudley. O presidente do Fed de Nova York, que faz parte do núcleo duro, acredita que o argumento para a alta “é cada vez mais convincente”.

Lael Brainard, que integra o Conselho de Governadores do Fed e é uma das maiores defensoras da flexibilidade, assinalou um dia depois de Dudley que os juros voltarão a subir “logo”. Ela justificou essa perspectiva fazendo referência ao fato de que o mercado de trabalho dos EUA está em uma situação muito próxima à de pleno emprego. Outro membro do conselho diretivo do Fed que considera possível uma alta em menos de duas semanas é Jerome Powell. Ele disse que essa opção “está na mesa”.

O vice-presidente Stanley Fisher − outro dirigente do Fed que, juntamente com Janet Yellen e William Dudley, vota em todas as reuniões − explica que aumentar os juros mais cedo do que tarde é uma forma de garantir que a retirada dos estímulos monetários ocorra de uma maneira gradual. Jeffry Lacker, do Fed de Richmond, acrescenta que a alta é uma espécie de “ação preventiva” para evitar que a inflação suba sem controle.

Três aumentos em 2017

Essa sucessão de comentários revalorizou ainda mais o dólar. A grande maioria dos membros do Federal Reserve prevê pelo menos três aumentos dos juros ao longo de 2017, com base nos níveis de emprego e inflação. Yellen alertou em seu comparecimento semestral ao Congresso que esperar muito para aumentar as taxas de juro seria “imprudente”. E repetiu o alerta na sexta-feira.

O Fed subiu os juros em apenas duas ocasiões na última década.

 Os membros do Federal Reserve à direita e à esquerda compartilham, além disso, o medo de dar a impressão ao mercado de que caminham atrás da curva. A credibilidade da autoridade monetária está em jogo. Além disso, as condições para a alta de juros são ideais porque não há tensões financeiras, os mercados estão em seus níveis máximos e a economia cresce de uma forma sustentada, embora com moderação.

As taxas de juro nos EUA se movem em uma faixa entre 0,5% e 0,75% desde dezembro. Se o passado servir de referência, é muito difícil que o Fed não decida subi-las em sua próxima reunião quando o mercado lhe dá uma probabilidade tão alta. Yellen insiste em que o processo de normalização da política monetária se baseia nos dados disponíveis.

A alta dos juros, entretanto, não é um fato consumado. O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, que também tem direito a voto, disse que as condições não mudaram desde a reunião de janeiro e por isso acredita que uma elevação não se justifica. A pressão inflacionária, em sua opinião, não dá esse sentido de urgência. Bullard considera que em maio ou junho, aí sim, pode haver condições para uma alta.

O Fed subiu os juros em apenas duas ocasiões na última década. O indicador de emprego, que é publicado cinco dias antes da reunião, será, portanto, determinante para concretizar uma mudança de tom este mês. A recuperação da confiança depois das eleições e a euforia em Wall Street contrastam com a incerteza sobre o efeito do plano econômico de Donald Trump.

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