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Facebook volta a copiar Snapchat para ser a sua TV

Rede social faz vários testes para aprimorar os recursos de vídeo da plataforma. Veja o que muda

Dan Rose durante sua intervenção na conferência Code Media. VOX MEDIA

O Facebook vai deixar de ser uma empresa que dá prioridade ao celular para ceder o protagonismo ao vídeo, em todos os suportes. Dan Rose, principal responsável pelos acordos e conteúdo, revelou a nova estratégia da rede social durante a conferência Code Media. “Há cinco anos tudo era celular, celular, celular. Agora, é vídeo, vídeo, vídeo”, começou, para depois dar algumas pistas. Como a de que o vídeo de mais sucesso no Facebook tem entre 30 segundos e um minuto, com exceção das transmissões ao vivo, que ultrapassam os dez minutos com facilidade.

Nos próximos dias os usuários experimentarão algumas mudanças importantes. Para começar, encontrarão uma aba dedicada exclusivamente ao vídeo. “Queremos torná-lo único, que seja consumido de um jeito mais profundo”, insistiu. A primeira coisa que os usuários notarão é que os vídeos verticais poderão ser vistos por inteiro, sem cortes, como no Snapchat. Se o som do celular estiver ativado, o vídeo terá som. Uma decisão que pode provocar mais de um aborrecimento no trabalho. Como no YouTube, será possível arrastar o vídeo que se está vendo para o canto inferior esquerdo e continuar consultando as demais atualizações do Facebook. É evidente que o Facebook pegou ideias de outros aplicativos, sobretudo do Snapchat. Rose não hesitou em reconhecer isso: “Às vezes inovamos, às vezes nos inspiramos em outros. Há muitos produtos que surgem a partir do que outros já fizeram”.

A grande novidade tem a ver com a tela principal da casa, o televisor. Nas próximas semanas chegarão a Apple TV, a Amazon TV e os televisores da Samsung com um aplicativo. “Queremos que as pessoas consumam conteúdo quando quiserem”, ressaltou. Estes vídeos não serão apenas os que os usuários colocarão em seus perfis, mas por trás há um plano mais ambicioso, para o qual contam com os editores de mídias e produtoras: “Vamos tentar fazer conteúdo único, com conversas sobre a atualidade, algo que, de verdade, tenha paixão e provoque conversas”.

O usuário, em princípio, verá o programa gratuitamente, mas com publicidade. Será lançado um formato que chamaram de ad break, será uma breve interrupção durante o vídeo. Na opinião de Rose, colocar o anúncio antes do conteúdo, como no YouTube, gera frustração no consumidor: “Ele tem de ver a publicidade antes de saber se gosta ou não do vídeo que estava procurando...”. As receitas serão divididas meio a meio com os editores.

Rose reconheceu que tudo é flexível e experimental, algo habitual no Facebook. Em princípio os vídeos não ultrapassarão os 30 minutos de duração. Os primeiros testes virão no formato que a rede social mais promoveu no último ano, o Live, seu sistema de transmissão ao vivo. Rose disse que a empresa pagou às mídias para promover o uso desse formato, mas que em breve deixará de fazê-lo, apesar de contemplar algumas exceções quando o contrato inicial expirar. “Como acontece com a realidade virtual, que também pagamos para subvencionar a criação de vídeos, queremos que sirvam como inspiração, experiência. Agora já sabem usá-lo e esperamos que não o abandonem, mas que produzam conteúdo de qualidade que sirva para incentivar a conversa. Depois de um ano de contrato, reduziremos essa subvenção à metade”.

Uma das surpresas trazidas por esse formato é que as transmissões ao vivo não só conseguem mais conexão com o público, como também recebem mais atenção depois da transmissão.

Rose não se esquivou das duas grandes incógnitas que preocupam as mídias: se o Facebook se consideram a si mesmo uma mídia e como enfrenta o problema das notícias falsas. Por enquanto,a rede social se considera uma plataforma, embora com uma definição ambígua: “Somos algo novo. Temos valores, regras de comunidade e ajudamos a encontrar notícias e entretenimento. Fazemos parte do ecossistema das mídias, é claro, e as ajudamos a difundir seu conteúdo”.

Sua postura para interceptar o conteúdo de veracidade duvidosa é um pouco mais complexa: “Nós nos preocupamos muito com nosso relacionamento com os editores e as mídias. Nem tudo é vídeo, também há artigos, texto. Assumimos o compromisso de trabalhar melhor com os jornalistas. Mas também temos que ensinar aos usuários a diferenciar o que é falso, a discernir”. No entanto, disse que se, conscientemente, alguém quiser publicar algo falso, eles não podem proibir.

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