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Android Wear 2.0, no encalço do Apple Watch

Google se junta à LG para renovar seus relógios de pulso

O LG Watch Sport estreia o Android Wear 2.0.
O LG Watch Sport estreia o Android Wear 2.0.

Mais bonitos, mais duradouros e mais práticos. Essas são as grandes virtudes da nova leva de smartwatches do Google. O gigante de Mountain View se aliou à LG para dar um empurrãozinho em seus complementos inteligentes. Na próxima sexta-feira, começam a ser vendidos – inicialmente apenas nos Estados Unidos – dois novos modelos, que buscam competir com o Apple Watch mirando nos seus pontos fracos: a compatibilidade e facilidade de uso.

O LG Watch Sport e o Style são duas apostas diferentes para atingir um público mais amplo. O primeiro, que nos EUA custará 349 dólares (1.090 reais), tem chip NFC, pensado para poder usar o serviço Android Pay, e conexão à Internet do tipo LTE. Pode-se usar com chip, o que permite ser mais independente na hora de sair para correr sem levar o celular ou responder ligações e mensagens, por exemplo. O Sport conta com uma correia fixa e é resistente a chuva, a poeira e a pancadas. É mais robusto e talvez menos discreto. Recorda os relógios usados por entusiastas do atletismo, mas parece um modelo tradicional.

O LG Watch Style é o contrário: fino, elegante e leve. Não é tão resistente e dispensa o chip e o botão para pagamento, mas suas pulseiras podem ser substituídas por opções que o Google oferece na sua loja ou por praticamente qualquer outra. O sistema é como o de um relógio tradicional. Embora não pareça, também é resistente a poeira e água.

Em ambos os casos, as opções para personalizar a tela são muitíssimas. Da cor dos ponteiros à quantidade de informação exibida nas complicações, que é o nome de cada uma das telas iniciais.

LG Watch Style.
LG Watch Style.

O Android Wear 2.0, sistema operacional que estreia nesses dispositivos, mantém a visão clássica de que os relógios têm mostrador esférico. Todos os aplicativos se adaptam a esse formato, mas eles ganham em usabilidade com o acréscimo da coroa lateral. Serve para trocar de aplicativo, escolher idiomas, acionar a localização ou selecionar qualquer opção de um menu.

Aprender a usá-lo e conectá-lo ao celular é questão de minutos. Só é preciso baixar um aplicativo e fazer com que se comuniquem pela primeira vez. A partir daí, basta aprender alguns gestos simples e baixar novos aplicativos. A novidade é que foi criada uma loja de acesso direto para instalá-los, e que os mais modernos são carregados automaticamente no relógio, se o usuário quiser.

O Google foi pioneiro nesse terreno ao lançar o seu relógio 360 com a Motorola. Três anos se passaram desde então, e as necessidades hoje são muito diferentes. A concorrência, também. A Apple tem uma segunda geração mais resistente, com melhor tela e um pouco mais independente. Segundo o último relatório da Canalys, a Apple dominou 80% do faturamento com relógios inteligentes no último trimestre de 2016. Um total de 2,6 bilhões de dólares (8,1 bilhões de reais) no mundo todo.

Esse dado não intimida o Google. A empresa sabe que foi a mesma coisa quando saiu o iPhone, ou com o iPad no caso dos tablets. Apesar de a Apple ter uma margem maior, quase sempre acaba criando novas categorias de produto sobre as quais posteriormente perde o domínio. A visão dos executivos de Mountain View é produzir dois relógios que sirvam de padrão para os demais fabricantes, que criariam seus produtos a partir deles.

Um dos acertos é o fato de ser compatível tanto com o Android como com o iPhone. Neste segundo caso, porém, não são oferecidas todas as opções, a experiência é mais limitada, mas ele cumpre o básico.

Após uma semana de uso, as sensações são positivas. A experiência em geral melhorou. As notificações são mais claras, menos insistentes. O assistente, o mesmo do celular Pixel, responde às perguntas com acerto e mantém uma conversa com relativa naturalidade. Só que o ser humano fala ao relógio, e este responde por escrito. É um pouco difícil de acostumar, mas é prático.

O binômio saúde/esporte é outro aspecto que mereceu especial atenção. O Sports acentua essa aposta. O aplicativo Fit, que vem instalado, não só mede a pulsação, armazenando e analisando o resultado, como também acompanha toda a atividade física. Graças aos sensores de movimento, ele é capaz de adivinhar se você saiu para andar de bicicleta ou se está levantando peso, se foi a uma sessão de spinning ou se está queimando os excessos do Natal na esteira. Depois, guarda tudo. Com o passar do tempo, melhora o monitoramento e oferece estatísticas mais completas.

Entre os pontos a melhorar está o carregamento. Ele não oferece um plugue ou suporte universal, como já acontece com os celulares, por exemplo. Isso leva ao paradoxo de que ambos os modelos são da LG, mas cada um tem um jeito diferente de carregar a bateria. Seja como for, ambos superam o desafio de passarem o dia inteiro longe da tomada.

O Android Wear 2.0, sistema operacional lançado junto com esses modelos, estará também nos relógios que Fossil, Casio e Michael Kors lançaram na última temporada. Talvez seu hardware não seja tão potente como os recém-apresentados, mas o Google pretende que fiquem bastante tempo por aí, e por isso se compromete a dar atenção aos clientes que apostarem na sua plataforma.

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