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O novo império da carne na América do Sul

Paraguai cresce como potência exportadora de carne bovina

gado paraguaio
‘El Chema’, animal da raça brangus que venceu a Feira internacional de Gado do Paraguai.

O Paraguai se transformou na última década no sexto maior exportador mundial de gado bovino, superando países de referência na região, como a Argentina e o Uruguai, mas não o gigante Brasil, primeiro na classificação, que só em outubro exportou o equivalente a 449 milhões de dólares (1,4 bilhão de reais) em carne. Além do Brasil, o Paraguai compete nos mercados internacionais com potências pecuárias como Austrália, Índia, Estados Unidos e Nova Zelândia.

O presidente da Câmara Paraguaia da Carne, Korni Pauls, comemorou num evento em dezembro o final de um ano “bem-sucedido” para os frigoríficos locais. Apesar de um surto de febre aftosa em 2008, que causou incerteza para os produtores e estremeceu acordos comerciais internacionais, o setor está crescendo outra vez. O Paraguai tem 14,2 milhões de cabeças de gado, um pouco mais de duas por habitante, e nos últimos 30 anos os grandes produtores investiram na melhora genética de raças muito adaptáveis, o que fez deste um fornecedor atraente para países que precisam repor ou melhorar seus rebanhos bovinos.

Foi assim que as vacas paraguaias foram pelos ares. O país embarcou quase 2.000 cabeças em oito aviões com destino ao Equador, país que está se iniciando no mercado exportador depois de ser declarado livre da aftosa em 2015. Nunca antes houve um transporte aéreo de semelhante volume: 50 touros e 1.906 vacas. Ao todo, 680 toneladas dos melhores animais das quatro raças mais prestigiosas do Paraguai: braford, brangus, brahman e nelore. O objetivo: ajudar a renovar a genética bovina do Equador.

Gado adaptado

Os produtores recebem o equivalente a 2.500 reais por cada vaca exportada e até 47.400 por cada exemplar de touro reprodutor. Uma operação de quase 19 milhões de reais, segundo o diretor de exportações do Ministério de Agricultura e Gado do Paraguai, Omar Sosa. Como contrapartida, o Equador encontrou no Paraguai o gado que melhor se adapta ao seu clima e solo: “Ao calor, à umidade, à abundância de insetos, às secas e inundações”, enumerou Sosa. A atenção despertada pela operação comercial fez com que o nome do Paraguai corresse o mundo, com menções em numerosos veículos de imprensa internacionais. Pelos cálculos de Sosa, tratou-se de uma publicidade grátis que poderia ter custado quase cem milhões de reais. “Isso posiciona ao Paraguai no mundo, a relevância que alcançou não tem comparação. É um valor indireto.”

“Foi muito importante, porque pudemos demonstrar que não exportamos só carne, mas também que estamos começando a exportar genética, que é valor agregado”, reflete o presidente da Comissão da Carne da Associação Rural do Paraguai (ARP), Carlos Pedretti.

Pedretti estimou que nos últimos 12 anos as exportações paraguaias de carne tenham saltado de 186.000 toneladas, que lhe renderam 124 milhões de dólares, para 397.000 toneladas, num valor de 1,275 bilhão de dólares (quatro bilhões de reais). O país já exporta para União Europeia, Egito, Colômbia, Rússia, Taiwan e Brasil, e busca novos mercados, como Cuba e Dubai. “A genética paraguaia se impôs. Enviam-se sêmen e embriões, e o Paraguai vai ficando conhecido no mundo como fornecedor”, acrescenta Pedretti.

“De uma feira semanal para a venda de animais, passamos a quatro. Há muito mais venda de genética”, disse o diretor da ARP. Na feira da localidade de Mariano Roque Alonso, a mais importante do Paraguai, que acontece todo mês de julho, os animais puro-sangue são vendidos por até 70 milhões de guaranis (38.700 reais).

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