Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

Cristina Kirchner é processada

Processo por corrupção marca um ponto de inflexão importante na situação da ex-presidenta argentina

Cristina Kichner
Fernández saúda a seus simpatizantes à saída de um tribunal em outubro. AFP

A abertura de processo decretada nesta terça-feira contra a ex-presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, por suposta formação de quadrilha destinada a desviar contratos de obras públicas para a Austral Construcciones –empresa de propriedade de um empresário ligado ao kirchnerismo– é um importante ponto de inflexão na situação ex-mandatária desde que deixou o poder em dezembro de 2015.

Embora seja seu segundo processo, é o primeiro em que se envolve numa trama de corrupção em grande escala na qual também estariam envolvidas importantes personalidades do seu mandato (2007-2015) e do falecido Néstor Kirchner (2003-2007), como o ex-ministro do Planejamento Federal, Julio de Vido. O milionário embargo imposto a Kirchner –10 bilhões de pesos (cerca de 2,07 bilhões de reais)– projetou na sociedade argentina uma imagem do volume de dinheiro subtraído que a Justiça argentina investiga.

A corrupção é, sem dúvida, um dos maiores males que afligem algumas democracias latino-americanas, cujos sistemas judiciários às vezes enfrentam poderosas tramas políticas que dificultam seu trabalho. As investigações contra Kirchner –iniciadas quando ela ainda ocupava a Casa Rosada– sempre estiveram envolvidos por polêmicas, com destaque para a misteriosa morte do promotor Alberto Nisman, que ocorreu em janeiro de 2015, horas antes de ele comparecer perante a Câmara dos Deputados para denunciar a então presidenta por acobertar os autores do atentado contra a sede da entidade judaica AMIA. O caso foi oficialmente encerrado como suicídio.

A Argentina está enfrentando uma grave crise econômica e precisa de estabilidade para enfrentá-la, mas não pode cair no velho hábito de ignorar a corrupção para de alcançá-la. A Justiça do país sul-americano assim entendeu e agora resta que o processo siga seu curso, que Kirchner tenha as devidas garantias e que um veredito seja emitido.