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Caçulas que fizeram coisas incríveis enquanto os maiores ficaram olhando

Ciência atribui superioridade intelectual aos primogênitos

Estas histórias mostram filhos mais novos brilhantes

Caçulas que fizeram coisas incríveis enquanto os maiores ficaram olhando

Se usar as roupas herdadas do primogênito durante a infância não é suficientemente traumático, agora chega um estudo, apresentado pelo Materia, que afirma que os irmãos mais novos são menos inteligentes do que os maiores. Na verdade, o relatório da Universidade de Leipzig (Alemanha) apresenta as coisas ao contrário –os irmãos mais velhos tendem a mostrar maior inteligência–, mas vamos colocar ao menos uma vez os sapatos (usados) dos caçulas. Além disso, como ficamos sabendo graças a esse estudo revelador, o intelecto se revela menor à medida que se desce a linha fraterna. Você é o mais novo de cinco filhos? Fique tranquilo e continue lendo.

Então, todos os luminares da história eram filhos mais velhos? Claro que não. Há inúmeros gênios, cuja inteligência ninguém põe em dúvida, que eram filhos mais novos em suas famílias; alguns, inclusive, caçulas de uma longa estirpe. São as exceções à regra da ciência. É agora que você, sofrido irmão mais novo, tem todo o direito de pensar: “Se eles puderam, por que eu não posso?”. E, claro, ninguém poderá refutar isso. Quando lhe esfregarem, via e-mail ou Facebook, as conclusões do estudo de Leipzig, responda simplesmente citando alguns desses crânios.

Johann Sebastian Bach (1685-1750). Todas aquelas intrincadas partituras de cravo saíram da mente do caçula de oito filhos. O primogênito, Johann Christoph, 14 anos mais velho, foi um triste organista de cidadezinha. Johann Sebastian, no entanto, talvez seja o maior expoente da chamada inteligência musical: o mestre do barroco não só compôs uma enxurrada de obras (1.128 catalogadas), como tocava órgão, cravo, violino, viola e foi mestre cantor. Influenciou praticamente todos os compositores posteriores, de Mozart a Mahler. Além disso, como Bach viveu em Leipzig, os pesquisadores da universidade, responsáveis pelo estudo, deveriam estar cientes de sua acuidade.

Thomas Alva Edison (1847-1931). O inventor entre os inventores registrou 1.093 patentes nos Estados Unidos. De sua bem equipada cabeça nasceram artefatos como a lâmpada incandescente, o fonógrafo e uma das primeiras câmeras de cinema. E também o transmissor de carbono, que melhorou muito a qualidade das ligações telefônicas. Aos 30 anos ele já era uma celebridade. Que posição ocupava esse gênio em sua árvore genealógica? Era o caçula de sete filhos.

Marie Curie, a mais nova de cinco irmãos.
Marie Curie, a mais nova de cinco irmãos.

Marie Curie (1867-1934). Você já ouviu falar em elementos da tabela periódica como o polônio e o rádio? Foram isolados por esta cientista nascida na Polônia e radicada na França, que também fez descobertas essenciais no campo da radioatividade. Recebeu o prêmio Nobel de Física em 1903 e o Nobel de Química em 1911, foi a primeira pessoa a receber dois desses galardões. Foi também a primeira mulher a dar aulas na Universidade da Sorbonne. Pois bem, eis que Marie Curie era a caçula de cinco filhos. Não parece que isso tenha sido um lastro intelectual.

Charles Darwin (1809-1882). É significativo que quem postulou a teoria da evolução das espécies não foi um primogênito, mas o quinto de seis irmãos. O autor de A Origem das Espécies (1859) entrou na Universidade de Edimburgo com 16 anos, o que prova que seu talento era precoce (embora tenha abandonado logo os estudos para começar a analisar bichinhos, sua paixão). Suas teorias entraram na história como darwinismo, imortalizando seu sobrenome. É considerado o pai da biologia moderna.

O Dalai Lama tem cinco irmãos mais velhos.
O Dalai Lama tem cinco irmãos mais velhos.

Dalai Lama (1935). Além de sua posição como líder espiritual do Tibete, o XIV Dalai Lama (Tenzin Gyatso) é uma referência mundial da paz. Recebeu o prêmio Nobel em 1989 por sua contribuição a esse respeito. A sabedoria e o gênio desse homem estão acima de qualquer suspeita, apesar de pertencer a uma família de 16 irmãos, dos quais apenas sete sobreviveram a uma infância dura, entre os quais dois são mais velhos do que ele.

Leo Messi (1987). Sim, um jogador de futebol. A julgar pelos qualificativos que os jornalistas esportivos lhe dedicam, estamos diante de uma das mentes mais privilegiadas do planeta. E ele é o mais novo de três irmãos, todos meninos. No ano passado, uma análise publicada pelo EL PAÍS feita pelo neuropsicólogo John Forns descreveu-o como alguém com “múltiplas habilidades cognitivas combinadas: planejamento, coordenação, sequenciação, flexibilidade, e inclusive antecipação aos movimentos do rival”.

René Descartes (1596-1650). Filósofo, cientista, matemático... e tudo isso apesar de ser o mais novo de três irmãos. Refresquemos a memória com o que aprendemos no ensino secundário: considerado por muitos como o precursor da filosofia moderna e da geometria analítica (lembra-se da história das coordenadas cartesianas?), Descartes é aquele que disse: “Penso, logo existo”. Sua grande contribuição foi o método cartesiano, que consiste em quatro regras, entre elas a de não admitir nada como verdadeiro a menos que seja evidente, e a de resolver um problema analisando cada uma das partes.

Madre Teresa (1910-1997). De acordo, a bondade por si mesma não é sinônimo de riqueza intelectual, mas é claro que é preciso algo mais do que um grande coração para conseguir o que conseguiu essa freira de origem albanesa nascida na Macedônia, caçula de uma família de três irmãos. Começou ensinando a ler crianças pobres da Índia e acabou fundando uma ordem religiosa presente em 133 países, recebendo o Nobel da Paz (1979), o reconhecimento de praticamente todas as organizações internacionais e, finalmente, a beatificação por parte de João Paulo II.

O pequeno Michael era o irmão número 7 de uma prole de nove. Nenhum dos mais velhos arrebatou sua inteligência
O pequeno Michael era o irmão número 7 de uma prole de nove. Nenhum dos mais velhos arrebatou sua inteligência

Michael Jackson (1958-2009). O mundo se lembra dele por muitas coisas: Rei do Pop (como ele gostava de chamar a si mesmo), inventor da dança moonwalk e também o mais jovem do Jackson 5. E quem era a alma desse grupo inesquecível? O pequeno Michael, que aos 14 anos ocupou pela primeira vez o topo das paradas de sucesso com seu álbum solo (Ben). Além de cantor excepcional, era um dançarino incrível e um astuto homem de negócios que aprendeu desde cedo a lidar com a voraz indústria do entretenimento. No total, MJ tinha nove irmãos (dos quais era o sétimo), nenhum com o seu talento. Nem mesmo La Toya.

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