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Plutão tem glaciares, água e compostos orgânicos

Cientistas responsáveis ainda não podem explicar como o planeta anão continua ativo

Em Plutão há abundante água congelada e compostos orgânicos, como confirmaram na quinta-feira os primeiros dados científicos publicados da missão New Horizons. A sonda da NASA sobrevoou o planeta em 14 de julho, fazendo o retrato mais detalhado até a data desse planeta anão nos confins do Sistema Solar. Desde então, acumulou-se em seu computador de bordo uma grande quantidade de imagens, cada vez de maior resolução, que chegam à Terra a conta-gotas e revelam novas facetas desse mundo congelado.

A nova imagem de Plutão, publicada na quinta-feira pela revista Science junto com o primeiro estudo completo do planeta e suas luas, mostra um planeta com intensos contrastes de cor. Muitos dos acidentes geográficos estudados encontram-se na região Tombaugh, uma vasta área muito brilhante e em forma de coração. Dentro dela, a New Horizons mostra agora a existência de geleiras através das quais o gelo ainda flui. Também há penhascos de até 600 metros de altura e cadeias de montanhas com picos de dois e três mil metros feitos de água congelada.

A cor vermelha escuro das áreas equatoriais se deve aos compostos orgânicos produzidos quando a luz solar incide no metano e em outros elementos da superfície do planeta. Embora observações da Terra já houvessem sugerido, é a primeira vez que se confirma a existência de água em Plutão.

A nova imagem de Plutão que mostra o contraste entre as zonas geladas e as ricas em compostos orgânicos ampliar foto
A nova imagem de Plutão que mostra o contraste entre as zonas geladas e as ricas em compostos orgânicos

O terreno acidentado indica que Plutão não é o mundo congelado que se pensava. Alguns dos acidentes geográficos datam de centenas de milhões de anos, só um instante considerando que o planeta se formou há 4,5 bilhões de anos. É provável que essa atividade continue agora e os especialistas da NASA ainda não entenderam como isso pode estar acontecendo.

Água em toda parte

O planeta tem atmosfera, confirma o trabalho, e isso não está desaparecendo como se pensava. Os novos dados da missão também permitiram definir o diâmetro do planeta: 2.374 km, ou seja, um pouco menos do que as estimativas anteriores. Isto significa que Plutão é mais denso do que se pensava, o que poderia ajudar a revelar a origem do Cinturão de Kuiper depois da formação do planeta anão e sua maior lua, Caronte.

Nix e Hydra, duas das luas de Plutão, também estão cobertas de gelo abundante especialmente cristalino a julgar pelo brilho que possuem. Por seu lado, Caronte, o maior satélite do planeta anão, tem cavidades profundas e movimentos tectônicos que indicam que continua ativo como seu companheiro.

A sonda da NASA está atualmente a cerca de 5 bilhões de quilômetros da Terra, adentrando-se no desconhecido Cinturão de Kuiper, onde pode haver 200 outros planetas anões a descobrir.

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