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Brasil, a principal rota do tráfico de cocaína na América Latina

O motivo, de acordo com um relatório dos EUA, são as fronteiras muito permeáveis

O país é o segundo maior consumidor da droga no mundo

Drogas apreendidas pela PF no Paraná, em novembro de 2013.

O Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína no mundo e, muito provavelmente, o maior consumidor de produtos que têm a cocaína como base, como o crack. É o que diz o relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre as estratégias internacionais de controle de narcóticos. Segundo o informe, o Governo brasileiro, apesar de estar comprometido com o combate ao tráfico de drogas "não tem a capacidade necessária para conter o fluxo de narcóticos ilegais através de suas fronteiras". As fronteiras do país são porosas e têm três vezes o tamanho da linha que separa os Estados Unidos do México, uma das regiões mais críticas do continente, segundo o relatório.

O documento, que detalha a batalha de cada país do mundo, destaca a América Latina pelas dificuldades que a região enfrenta para controlar a entrada, o comércio e a distribuição das drogas. O Brasil aparece em todos os relatórios dos países com os quais faz fronteira, entre eles a Venezuela, o Peru, a Bolívia e a Colômbia, e é responsabilizado pela falta de controle e fiscalização. O relatório cita como um dos pontos positivos da gestão de Dilma Rousseff a nova lei do crime organizado (lei 12.850), que pune o agente que promove, financia ou integra organização criminosa com 3 a 8 anos de prisão e amplia a colaboração entre os níveis municipal, estadual e federal, como complementar à lei de drogas (lei 12.961), que já previa prisão entre 5 e 15 anos para pessoas envolvidas com o tráfico. Também menciona a criação de 19 postos fronteiriços da Polícia Federal com a finalidade de conter a entrada de narcóticos, como as 3,7 toneladas de cocaína apreendidas em Santos (SP), em abril deste ano, que teriam passado ao território nacional através da fronteira entre a Bolívia e os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A principal rota da droga que sai da Bolívia, Colômbia e do Peru com destino à Europa, passando pelo oeste da África, é o Brasil. Outro ponto débil são os rios de fronteira, por onde a droga entra livremente, cruza o oceano em barcos e contêineres, e chega até os consumidores europeus.

O relatório destaca como um dos pontos positivos o combate ao crack nos grandes centros, promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), que treinou 279.000 profissionais para trabalhar com essa população em 2013. Atualmente, segundo a Fundação Oswaldo Cruz, há cerca de 370.000 viciados nesta droga no Brasil, mas o relatório afirma que este número está subestimado, de acordo com especialistas.

Outro dado citado é um recente estudo da Universidade de São Paulo sobre quando o usuário teve seu primeiro contato com a maconha. Enquanto em 2006, 40% haviam consumido maconha antes dos 18 anos, em 2012 esse percentual passou para 62%, algo que o Departamento de Estado norte-americano interpreta como um problema. "Apesar dos programas brasileiros se centrarem na conscientização sobre o uso de drogas, na redução da demanda e no tratamento, ainda não são proporcionais ao tamanho da população viciada", diz um trecho do informe.

Ao contrário do que acontece no México, o relatório aponta que não há evidências de que altos funcionários do Governo brasileiro estejam associados a atividades ilícitas relacionadas às drogas.