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Oscars 2018
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11 disparates do Oscar que jamais deveriam se repetir, e um que sim

Entre tantas cintilantes luzes ocorrem coisas obscuras que o espetáculo mais glamoroso do ano não pode permitir

  •  Os fatos . O apresentador de 2013, Seth MacFarlane (criador de 'Uma Família da Pesada'), se cobriu de glória com piadas do calibre de “depois da atuação de Adele, Rex Reede virá opinar sobre ela” [Reede é o jornalista cinematográfico que havia causado polêmica ao descrever a atriz Melissa McCarthy como “tem o tamanho de um trator” em uma crítica de 'Uma Ladra Sem Limites'] ou “Django Livre” é a história de um homem que luta para recuperar sua mulher, que foi submetida a uma violência atroz; é o que Chris Brown e Rihanna chamam de ‘um filme romântico’” [Brown havia batido em Rihanna quando saíam juntos]  Por que é um disparate . Porque há somente cinco anos (recordando: foi em 2013) alguém achou que ficava bem tal apologia da misoginia em uma cerimônia vista por bilhões de pessoas. MacFarlane coroou sua participação com um número musical, 'We saw your boobs' (Vimos os seus peitos), no qual enumerava os filmes onde as atrizes nomeadas do ano tinham aparecido nuas. Enfim: intolerável.
    1Quando Seth MacFarlane conduziu a cerimônia mais machista da história Os fatos. O apresentador de 2013, Seth MacFarlane (criador de 'Uma Família da Pesada'), se cobriu de glória com piadas do calibre de “depois da atuação de Adele, Rex Reede virá opinar sobre ela” [Reede é o jornalista cinematográfico que havia causado polêmica ao descrever a atriz Melissa McCarthy como “tem o tamanho de um trator” em uma crítica de 'Uma Ladra Sem Limites'] ou “Django Livre” é a história de um homem que luta para recuperar sua mulher, que foi submetida a uma violência atroz; é o que Chris Brown e Rihanna chamam de ‘um filme romântico’” [Brown havia batido em Rihanna quando saíam juntos] Por que é um disparate. Porque há somente cinco anos (recordando: foi em 2013) alguém achou que ficava bem tal apologia da misoginia em uma cerimônia vista por bilhões de pessoas. MacFarlane coroou sua participação com um número musical, 'We saw your boobs' (Vimos os seus peitos), no qual enumerava os filmes onde as atrizes nomeadas do ano tinham aparecido nuas. Enfim: intolerável. Getty
  •  Os fatos . Em 1999, o diretor Elia Kazan ganhou um Oscar honorário recebido com a ovação mais incômoda da história da premiação: poucos se puseram de pé, a maioria aplaudiu sentada e Ed Harris e Nick Nolte ficaram de braços cruzados. Kazan é uma figura marcada pela infâmia em Hollywood desde que em 1952 dedurou ao Comitê de Atividades Antiamericanas colegas de profissão que eram de esquerda, arruinando a vida deles. Mas se há algo que Hollywood tem é boa memória.  Por que é um disparate . Porque a Academia historicamente foge de discursos políticos e controvérsias e, no entanto, lhe pareceu uma ideia sensacional homenagear uma das pessoas mais polêmicas de sua história. Kazan já havia ganhado dois Oscars (por 'A Luz é para Todos' e 'Sindicato de Ladrões'): não precisava de outro, honorário, não era como se a Academia tivesse uma dívida histórica para com ele.
    2Quando foi dado um Oscar honorário a Elia Kazan, envolvido na ‘caça às bruxas’: muitos astros se negaram a aplaudir Os fatos. Em 1999, o diretor Elia Kazan ganhou um Oscar honorário recebido com a ovação mais incômoda da história da premiação: poucos se puseram de pé, a maioria aplaudiu sentada e Ed Harris e Nick Nolte ficaram de braços cruzados. Kazan é uma figura marcada pela infâmia em Hollywood desde que em 1952 dedurou ao Comitê de Atividades Antiamericanas colegas de profissão que eram de esquerda, arruinando a vida deles. Mas se há algo que Hollywood tem é boa memória. Por que é um disparate. Porque a Academia historicamente foge de discursos políticos e controvérsias e, no entanto, lhe pareceu uma ideia sensacional homenagear uma das pessoas mais polêmicas de sua história. Kazan já havia ganhado dois Oscars (por 'A Luz é para Todos' e 'Sindicato de Ladrões'): não precisava de outro, honorário, não era como se a Academia tivesse uma dívida histórica para com ele. Getty
  •  Os fatos . Hattie McDaniel, a icônica Mammy de 'E o Vento Levou...', não pôde assistir à estreia do filme em 1939 porque o cinema onde seria exibido não permitia a entrada de negros. Clark Gable, o protagonista, se negava a ir, em solidariedade, mas McDaniel o convenceu de que não deveria criar mais problemas. Meses depois, o produtor suplicou ao hotel Ambassador, em Los Angeles, Califórnia (onde teve lugar a cerimônia de entrega do Oscar, já em 1940), que abrissem uma exceção em sua política de segregação e deixassem entrar a nomeada Hattie McDaniel.  Por que é um disparate . Quando ganhou ela havia sido colocada em uma mesa para dois tão longe do palco que McDaniel levou vários minutos para recolher seu Oscar. Apesar de “ E o Vento Levou...” ter recebido nove 'Oscars' no total, não deixaram que McDaniel posasse com o restante da equipe do filme: a Califórnia era um Estado segregacionista. O mais vexatório foi que os produtores do filme se mostraram orgulhosos de ter conseguido que McDaniel pudesse viver o que, segundo ela, foi um dos momentos mais felizes de sua vida. Mas também um dos mais humilhantes.
    3Quando tiveram de conseguir uma permissão especial para que o hotel onde se realizava a cerimônia deixasse entrar uma negra nomeada (Hattie MacDaniel, por 'E o Vento Levou...') Os fatos. Hattie McDaniel, a icônica Mammy de 'E o Vento Levou...', não pôde assistir à estreia do filme em 1939 porque o cinema onde seria exibido não permitia a entrada de negros. Clark Gable, o protagonista, se negava a ir, em solidariedade, mas McDaniel o convenceu de que não deveria criar mais problemas. Meses depois, o produtor suplicou ao hotel Ambassador, em Los Angeles, Califórnia (onde teve lugar a cerimônia de entrega do Oscar, já em 1940), que abrissem uma exceção em sua política de segregação e deixassem entrar a nomeada Hattie McDaniel. Por que é um disparate. Quando ganhou ela havia sido colocada em uma mesa para dois tão longe do palco que McDaniel levou vários minutos para recolher seu Oscar. Apesar de “ E o Vento Levou...” ter recebido nove 'Oscars' no total, não deixaram que McDaniel posasse com o restante da equipe do filme: a Califórnia era um Estado segregacionista. O mais vexatório foi que os produtores do filme se mostraram orgulhosos de ter conseguido que McDaniel pudesse viver o que, segundo ela, foi um dos momentos mais felizes de sua vida. Mas também um dos mais humilhantes. Getty
  •  Os fatos. Os fatos. Em 2015, John Travolta abordou Scarlett Johansson no tapete vermelho e a beijou no pescoço agarrando-a pela cintura enquanto a atriz fazia cara de “nunca tinha visto este senhor em toda a minha vida”. Depois, Travolta apresentou a cantora de 'Let it go' (a canção de 'Frozen – Uma Aventura Congelante') Idina Menzel como “Adele Dazeem”. A Internet ficou totalmente enlouquecida.  Por que é um disparate.  Porque Travolta se distraiu, precisamente por ser chegado a 'abraços'. “Justo antes de sair me deparei com Goldie Hawn”, contou. “É tão sexy, carismática e bonita que estava ofuscado, abracei-a, manifestei carinho e me esqueci que tinha de sair para apresentar”. O redator encarregado de lhe indicar sua entrada tinha ficado preso em um elevador, de modo que, quando o ator achava que lhe faltavam 15 minutos, chegou outro redator e lhe comunicou que restava um minuto, não poderia ensaiar e os nomes estavam transcritos foneticamente para que soubesse pronunciá-los. Aí está a pura definição da ironia.
    4Quando John Travolta pronunciou mal o nome de Idina Menzel e agarrou Scarlett Johansson Os fatos.Os fatos. Em 2015, John Travolta abordou Scarlett Johansson no tapete vermelho e a beijou no pescoço agarrando-a pela cintura enquanto a atriz fazia cara de “nunca tinha visto este senhor em toda a minha vida”. Depois, Travolta apresentou a cantora de 'Let it go' (a canção de 'Frozen – Uma Aventura Congelante') Idina Menzel como “Adele Dazeem”. A Internet ficou totalmente enlouquecida. Por que é um disparate. Porque Travolta se distraiu, precisamente por ser chegado a 'abraços'. “Justo antes de sair me deparei com Goldie Hawn”, contou. “É tão sexy, carismática e bonita que estava ofuscado, abracei-a, manifestei carinho e me esqueci que tinha de sair para apresentar”. O redator encarregado de lhe indicar sua entrada tinha ficado preso em um elevador, de modo que, quando o ator achava que lhe faltavam 15 minutos, chegou outro redator e lhe comunicou que restava um minuto, não poderia ensaiar e os nomes estavam transcritos foneticamente para que soubesse pronunciá-los. Aí está a pura definição da ironia. Getty
  •  Os fatos.  As sobrancelhas mais famosas do cinema, as de Jack Nicholson, se ergueram até quase dar a volta em sua cara: “Uau”, exclamou, enquanto dava o prêmio de melhor filme a ‘Crash – No Limite’. Efetivamente, haviam passado a perna. Foi na cerimônia de 2006. “Crash’ venceu o favorito, o filme mais premiado da história até o momento, ‘O Segredo de Brokeback Mountain’. A sala gritou com a mesma surpresa que Nicholson. Ang Lee, que ganhou como diretor, afirmou que trocaria sem duvidar seu Oscar pelo de melhor filme para honrar a todos os que trabalharam em ‘Brokeback Mountain’.  Por que é um disparate.  Porque 'Crash', sendo um bom filme, apela a um forte tom melodramático, sentimental e bem-intencionado que o transforma na adaptação positiva de ‘Short Cuts – Cenas da Vida’, de Robert Altman. Um vencedor indigno que se beneficiou de se postular como alternativa homeopática a um drama sobre dois caubóis homossexuais que vários acadêmicos (entre os quais Tony Curtis) reconheceram que nem sequer tinham visto. O anonimato das votações permitiu que os membros dessem vazão a seus preconceitos homofóbicos. Na imagem, a produtora (Cathy Schulman) e o diretor (Paul Haggis) de 'Crash' com seus Oscars.
    5Quando homofóbicos roubaram uma vitória que 'O Segredo de Brokeback Mountain' merecia Os fatos. As sobrancelhas mais famosas do cinema, as de Jack Nicholson, se ergueram até quase dar a volta em sua cara: “Uau”, exclamou, enquanto dava o prêmio de melhor filme a ‘Crash – No Limite’. Efetivamente, haviam passado a perna. Foi na cerimônia de 2006. “Crash’ venceu o favorito, o filme mais premiado da história até o momento, ‘O Segredo de Brokeback Mountain’. A sala gritou com a mesma surpresa que Nicholson. Ang Lee, que ganhou como diretor, afirmou que trocaria sem duvidar seu Oscar pelo de melhor filme para honrar a todos os que trabalharam em ‘Brokeback Mountain’. Por que é um disparate. Porque 'Crash', sendo um bom filme, apela a um forte tom melodramático, sentimental e bem-intencionado que o transforma na adaptação positiva de ‘Short Cuts – Cenas da Vida’, de Robert Altman. Um vencedor indigno que se beneficiou de se postular como alternativa homeopática a um drama sobre dois caubóis homossexuais que vários acadêmicos (entre os quais Tony Curtis) reconheceram que nem sequer tinham visto. O anonimato das votações permitiu que os membros dessem vazão a seus preconceitos homofóbicos. Na imagem, a produtora (Cathy Schulman) e o diretor (Paul Haggis) de 'Crash' com seus Oscars. Getty
  •  Os fatos. O ator Will Rogers anunciou o ganhador de melhor diretor em 1934 com a hoje lendária frase: “Venha e pegue-o, Frank”. Havia dois Franks indicados: Capra, por 'Dama por um Dia', e Lloyd, por 'Cavalgada'.  Por que é um disparate.  Eufórico, Frank Capra deu um salto e caminhou triunfante até o palco até se dar conta de que o ganhador era... Frank Lloyd. Capra deu meia volta no que ele mesmo definiria depois como “a caminhada mais longa, mais triste e mais devastadora” de sua vida. “Só desejava me arrastar e me meter debaixo do tapete como um verme miserável”, lamentou. “Desabei na cadeira e todos os meus amigos na mesa estavam chorando”, acrescentou. Mas, como isto é Hollywood, os perdedores podem alcançar a glória, e Capra conquistaria posteriormente três Oscars, por 'Aconteceu Naquela Noite', 'A mulher Faz o Homem' e ‘Do Mundo nada se Leva'. Hoje, Capra persiste como um dos maiores narradores norte-americanos e o subgênero de fábula social bem-intencionada é denominado “capraesco”. Outros não-ganhadores que se levantaram foram Rossalind Russell, convencida de que iria ganhar por 'Electra de Luto', em 1948, e Kate Winslet em 1998, que confundiu a alegria de seus colegas com o triunfo de Helen Hunt por 'Melhor é Impossível’ e acreditou que ela havia ganhado por 'Titanic'. Na imagem, Frank Lloyd com seu Oscar.
    6Quando Frank Capra subiu ao palco... e o vencedor tinha sido outro Frank Os fatos.O ator Will Rogers anunciou o ganhador de melhor diretor em 1934 com a hoje lendária frase: “Venha e pegue-o, Frank”. Havia dois Franks indicados: Capra, por 'Dama por um Dia', e Lloyd, por 'Cavalgada'. Por que é um disparate. Eufórico, Frank Capra deu um salto e caminhou triunfante até o palco até se dar conta de que o ganhador era... Frank Lloyd. Capra deu meia volta no que ele mesmo definiria depois como “a caminhada mais longa, mais triste e mais devastadora” de sua vida. “Só desejava me arrastar e me meter debaixo do tapete como um verme miserável”, lamentou. “Desabei na cadeira e todos os meus amigos na mesa estavam chorando”, acrescentou. Mas, como isto é Hollywood, os perdedores podem alcançar a glória, e Capra conquistaria posteriormente três Oscars, por 'Aconteceu Naquela Noite', 'A mulher Faz o Homem' e ‘Do Mundo nada se Leva'. Hoje, Capra persiste como um dos maiores narradores norte-americanos e o subgênero de fábula social bem-intencionada é denominado “capraesco”. Outros não-ganhadores que se levantaram foram Rossalind Russell, convencida de que iria ganhar por 'Electra de Luto', em 1948, e Kate Winslet em 1998, que confundiu a alegria de seus colegas com o triunfo de Helen Hunt por 'Melhor é Impossível’ e acreditou que ela havia ganhado por 'Titanic'. Na imagem, Frank Lloyd com seu Oscar.
  •  Os fatos.  Em 2003, Adrien Brody se impôs a todos os prognósticos ao ganhar como melhor ator por ‘O Pianista’. A surpresa o entusiasmou tanto que, ao subir ao palco, deu um beijo na boca de Halle Berry, que era quem lhe entregava o prêmio.  Por que é um disparate.  Porque se fosse hoje Brody teria saído desse palco algemado. “Eu só pensava: ‘que porra está acontecendo?’, lembra Berry, que ao mesmo tempo compreende a euforia de ganhar um Oscar de surpresa e sentir-se fora do próprio corpo. “Assim, me deixei levar, só podia pensar: ‘Que porra Brody está fazendo?’, acrescentou a atriz.
    7Quando Adrien Brody beijou Halle Berry, mas ela não queria Os fatos. Em 2003, Adrien Brody se impôs a todos os prognósticos ao ganhar como melhor ator por ‘O Pianista’. A surpresa o entusiasmou tanto que, ao subir ao palco, deu um beijo na boca de Halle Berry, que era quem lhe entregava o prêmio. Por que é um disparate. Porque se fosse hoje Brody teria saído desse palco algemado. “Eu só pensava: ‘que porra está acontecendo?’, lembra Berry, que ao mesmo tempo compreende a euforia de ganhar um Oscar de surpresa e sentir-se fora do próprio corpo. “Assim, me deixei levar, só podia pensar: ‘Que porra Brody está fazendo?’, acrescentou a atriz. Getty
  •  Os fatos. Há 12 meses. Warren Beatty abriu o envelope e, depois de duvidar por alguns segundos, passou o abacaxi para Faye Dunaway. Ela lê 'La La Land' e bem está o que bem acaba: era o favorito, havia ganhado seis estatuetas e esse é o final feliz para um filme feliz. Mas como acontece no próprio ‘La La Land’, essa explosão de alegria é imaginária porque lá estava a vida real para truncá-la.  Por que é um disparate.  O palco se encheu de senhores brancos com fones de ouvido muito nervosos, os espectadores (especialmente os que estão no fuso horário da Espanha) se aconchegavam no sofá quando já estavam prontos para desligar a televisão e o próprio produtor de ‘La La Land’ consertava a situação: “Pessoal, ‘Moonlight' ganhou”. Nunca se viu tanta gente rica surpreendida junta. Ryan Gosling ria enquanto Emma Stone só queria sair desse palco e os dois consultores da PriceWaterhouse Coopers passavam à história como os piores profissionais (estavam tirando ‘selfies’ quando deram a Beatty o envelope errado) do mundo. Ou, pelo menos, os mais incompetentes da noite. Aquela, aliás, foi uma das mais divertidas e simpáticas cerimônias dos últimos anos, mas ninguém se lembra disso.
    8Quando Warren Beatty e Faye Dunaway dão a vitória à 'La La Land', mas não era assim Os fatos.Há 12 meses. Warren Beatty abriu o envelope e, depois de duvidar por alguns segundos, passou o abacaxi para Faye Dunaway. Ela lê 'La La Land' e bem está o que bem acaba: era o favorito, havia ganhado seis estatuetas e esse é o final feliz para um filme feliz. Mas como acontece no próprio ‘La La Land’, essa explosão de alegria é imaginária porque lá estava a vida real para truncá-la. Por que é um disparate. O palco se encheu de senhores brancos com fones de ouvido muito nervosos, os espectadores (especialmente os que estão no fuso horário da Espanha) se aconchegavam no sofá quando já estavam prontos para desligar a televisão e o próprio produtor de ‘La La Land’ consertava a situação: “Pessoal, ‘Moonlight' ganhou”. Nunca se viu tanta gente rica surpreendida junta. Ryan Gosling ria enquanto Emma Stone só queria sair desse palco e os dois consultores da PriceWaterhouse Coopers passavam à história como os piores profissionais (estavam tirando ‘selfies’ quando deram a Beatty o envelope errado) do mundo. Ou, pelo menos, os mais incompetentes da noite. Aquela, aliás, foi uma das mais divertidas e simpáticas cerimônias dos últimos anos, mas ninguém se lembra disso. Getty
  •  Os fatos. O apresentador, David Niven, foi interrompido por um sujeito que começou a perambular nu pelo palco. Niven reagiu como só um cavalheiro britânico pode fazer. “Não é fascinante que provavelmente a única coisa divertida que este homem faz em sua vida seja despir-se e mostrar-nos suas pequenezas”, disse. O intruso fez o gesto da paz enquanto era tirado do palco. Era 1974: os hippies tinham chegado ao Oscar.  Por que é um disparate.  É espantoso o nível mínimo de segurança que havia nesse tipo de evento. Que qualquer um pudesse entrar no teatro, tirar a roupa e chegar ao palco sem que ninguém lhe pedisse nenhum tipo de identificação sugere que poderiam ter acontecido coisas piores, muito piores. O intruso, aliás, era o artista e ativista pelos direitos dos gays Robert Opel. Viveu seus 15 minutos de fama dando entrevistas na televisão. Mas cinco anos depois, quando tinha 40, foi assassinado em seu escritório por dois assaltantes. Nenhum roteirista teria escrito semelhante disparate macabro.
    9Quando um intruso irrompeu nu no palco. Os fatos.O apresentador, David Niven, foi interrompido por um sujeito que começou a perambular nu pelo palco. Niven reagiu como só um cavalheiro britânico pode fazer. “Não é fascinante que provavelmente a única coisa divertida que este homem faz em sua vida seja despir-se e mostrar-nos suas pequenezas”, disse. O intruso fez o gesto da paz enquanto era tirado do palco. Era 1974: os hippies tinham chegado ao Oscar. Por que é um disparate. É espantoso o nível mínimo de segurança que havia nesse tipo de evento. Que qualquer um pudesse entrar no teatro, tirar a roupa e chegar ao palco sem que ninguém lhe pedisse nenhum tipo de identificação sugere que poderiam ter acontecido coisas piores, muito piores. O intruso, aliás, era o artista e ativista pelos direitos dos gays Robert Opel. Viveu seus 15 minutos de fama dando entrevistas na televisão. Mas cinco anos depois, quando tinha 40, foi assassinado em seu escritório por dois assaltantes. Nenhum roteirista teria escrito semelhante disparate macabro. Pinterest
  •  Os fatos.  Em 2005, os produtores da cerimônia consideraram que Jorge Drexler, compositor e intérprete da canção 'Al otro lado del río', indicada pelo filme 'Diários de Motocicleta', era tão desconhecido que a audiência mudaria de canal se ele a cantasse na cerimônia. Assim, puseram os únicos dois latinos que conheciam, Antonio Banderas e Carlos Santana, em uma atuação medonha que nem sequer o carisma e o profissionalismo de Banderas puderam salvar.  Por que é um disparate. Uma falta de respeito e um golpe. Beyoncé cantou outras três canções de ‘gente não famosa’ e, em uma espantosa guinada do karma, Drexler ganhou o Oscar. Subiu ao palco, cantou um trecho de sua canção e se mandou. Moral: quando você sofrer uma situação humilhante na vida, seja Jorge Drexler. Na foto, Prince dá o Oscar a Drexler.
    10Quando não deixaram Jorge Drexler interpretar a canção que ganhou o Oscar porque ele não era suficientemente famoso. Os fatos. Em 2005, os produtores da cerimônia consideraram que Jorge Drexler, compositor e intérprete da canção 'Al otro lado del río', indicada pelo filme 'Diários de Motocicleta', era tão desconhecido que a audiência mudaria de canal se ele a cantasse na cerimônia. Assim, puseram os únicos dois latinos que conheciam, Antonio Banderas e Carlos Santana, em uma atuação medonha que nem sequer o carisma e o profissionalismo de Banderas puderam salvar. Por que é um disparate.Uma falta de respeito e um golpe. Beyoncé cantou outras três canções de ‘gente não famosa’ e, em uma espantosa guinada do karma, Drexler ganhou o Oscar. Subiu ao palco, cantou um trecho de sua canção e se mandou. Moral: quando você sofrer uma situação humilhante na vida, seja Jorge Drexler. Na foto, Prince dá o Oscar a Drexler. Getty
  •  Os fatos.  Em 1999, a mastodôntica campanha de promoção de Harvey Weinstein (sim, ele) para que ‘Shakespeare Apaixonado’ abrandasse o coração dos acadêmicos surtiu efeito quando se impôs ao favorito e muito melhor ‘O Resgate do Soldado Ryan”, de Steven Spielberg.  Por que é um disparate. A Academia com frequência é ousada ao designar apresentadores, para conseguir momentos míticos. Às vezes funciona (Sofia Loren premiando Roberto Benigni; Barbra Streisand, a primeira diretora a ganhar, Kathryn Bigelow; Coppola, Spielberg e Lucas, a Scorsese; Penélope Cruz e Antonio Banderas, a Pedro Almodóvar) e, em outras ocasiões, provoca situações tão incômodas como a cara de Harrison Ford, íntimo amigo e lendário colaborador de Spielberg, dizendo “Shakespeare Apaixonado’ em vez de ‘O Resgate do Soldado Ryan’. Além do mais, condenou uma obra linda como ‘Shakespeare Apaixonado’ ao inferno dos “piores filmes ganhadores do Oscar”. E se alguém pergunta até onde chegava o poder do produtor Harvey Weinstein (na foto, à direita de Gwyneth Paltrow), esta manobra para que 'Shakespeare Apaixonado' ganhasse é um bom exemplo. Aliás, Paltrow levou o prêmio de melhor atriz de Fernanda Montenegro, que concorria por 'Central do Brasil'.
    11Quando, graças a uma campanha do hoje infame Harvey Weinstein, 'Shakespeare Apaixonado' ganhou no lugar do que merecia, 'O Resgate do Soldado Ryan' Os fatos. Em 1999, a mastodôntica campanha de promoção de Harvey Weinstein (sim, ele) para que ‘Shakespeare Apaixonado’ abrandasse o coração dos acadêmicos surtiu efeito quando se impôs ao favorito e muito melhor ‘O Resgate do Soldado Ryan”, de Steven Spielberg. Por que é um disparate.A Academia com frequência é ousada ao designar apresentadores, para conseguir momentos míticos. Às vezes funciona (Sofia Loren premiando Roberto Benigni; Barbra Streisand, a primeira diretora a ganhar, Kathryn Bigelow; Coppola, Spielberg e Lucas, a Scorsese; Penélope Cruz e Antonio Banderas, a Pedro Almodóvar) e, em outras ocasiões, provoca situações tão incômodas como a cara de Harrison Ford, íntimo amigo e lendário colaborador de Spielberg, dizendo “Shakespeare Apaixonado’ em vez de ‘O Resgate do Soldado Ryan’. Além do mais, condenou uma obra linda como ‘Shakespeare Apaixonado’ ao inferno dos “piores filmes ganhadores do Oscar”. E se alguém pergunta até onde chegava o poder do produtor Harvey Weinstein (na foto, à direita de Gwyneth Paltrow), esta manobra para que 'Shakespeare Apaixonado' ganhasse é um bom exemplo. Aliás, Paltrow levou o prêmio de melhor atriz de Fernanda Montenegro, que concorria por 'Central do Brasil'. Getty
  •  Os fatos. Ao recolher seu Oscar de melhor atriz coadjuvante por 'Boyhood – Da infância à Juventude' em 2015, a atriz Patricia Arquette passou por cima de todo o protocolo da Academia (que nos anos 90 vetava qualquer estrela que fizesse discursos políticos, desde Susan Sarandon a Richard Gere) para denunciar a brecha salarial entre homens e mulheres e exigir que fosse “o momento da igualdade salarial para todos e de igualdade de direitos para as mulheres”. Há três anos, Arquete rompeu assim um dos maiores tabus históricos de Hollywood: durante décadas, as atrizes não costumavam opinar sobre seus salários (com a exceção de Meryl Streep, que já em 1991 exigia um salário equiparável ao de Pacino, Nicholson e De Niro).  Por que é um disparate.  Porque foi criticada por muitos como a extravagância de uma senhora rica. O próprio apresentador, Neil Patrick Harris, fez piada com o fato de duas estrelas de primeira como Meryl Streep e Jennifer Lopez incentivarem essa denúncia de injustiça salarial. Outros se queixaram de que uma frase de Arquette (‘temos que lutar pelas mulheres, pelos homens que amam as mulheres, pelos gays e pelas pessoas de cor”) sugeria que quando dizia “mulheres” só se referia às brancas cisheterossexuais, deixando claro que hoje é impossível ser boa pessoa sem que venha alguém te dizer que você está agindo mal. Mas aquela extravagância acendeu um pavio que não deixou de arder em três anos. Neste domingo, os produtores da cerimônia vão desejar que as estrelas façam entusiasmados discursos políticos para, desse modo, gerar retuítes, memes e comentários nas redes sociais. E esse fogo, iniciado por aquela “senhora privilegiada branca cisheteroxesual”, cada vez dá mais calor às vítimas e queima com mais força os assediadores. Por isso para Arquette não importa “ter perdido um par de trabalhos” por causa daquele discurso. O Oscar mudou a vida de centenas de mulheres, mas só uma o usou para mudar o mundo.
    12E um escândalo que deveria se repetir: Patricia Arquette criticada por reclamar algo que hoje se aplaudiria com fúria, a igualdade salarial entre homens e mulheres. Os fatos.Ao recolher seu Oscar de melhor atriz coadjuvante por 'Boyhood – Da infância à Juventude' em 2015, a atriz Patricia Arquette passou por cima de todo o protocolo da Academia (que nos anos 90 vetava qualquer estrela que fizesse discursos políticos, desde Susan Sarandon a Richard Gere) para denunciar a brecha salarial entre homens e mulheres e exigir que fosse “o momento da igualdade salarial para todos e de igualdade de direitos para as mulheres”. Há três anos, Arquete rompeu assim um dos maiores tabus históricos de Hollywood: durante décadas, as atrizes não costumavam opinar sobre seus salários (com a exceção de Meryl Streep, que já em 1991 exigia um salário equiparável ao de Pacino, Nicholson e De Niro). Por que é um disparate. Porque foi criticada por muitos como a extravagância de uma senhora rica. O próprio apresentador, Neil Patrick Harris, fez piada com o fato de duas estrelas de primeira como Meryl Streep e Jennifer Lopez incentivarem essa denúncia de injustiça salarial. Outros se queixaram de que uma frase de Arquette (‘temos que lutar pelas mulheres, pelos homens que amam as mulheres, pelos gays e pelas pessoas de cor”) sugeria que quando dizia “mulheres” só se referia às brancas cisheterossexuais, deixando claro que hoje é impossível ser boa pessoa sem que venha alguém te dizer que você está agindo mal. Mas aquela extravagância acendeu um pavio que não deixou de arder em três anos. Neste domingo, os produtores da cerimônia vão desejar que as estrelas façam entusiasmados discursos políticos para, desse modo, gerar retuítes, memes e comentários nas redes sociais. E esse fogo, iniciado por aquela “senhora privilegiada branca cisheteroxesual”, cada vez dá mais calor às vítimas e queima com mais força os assediadores. Por isso para Arquette não importa “ter perdido um par de trabalhos” por causa daquele discurso. O Oscar mudou a vida de centenas de mulheres, mas só uma o usou para mudar o mundo. Getty

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