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Encontro entre Lula e FHC é bússola para um Brasil sem ódio e reconciliado

Há momentos históricos em que a única maneira de não afundar no abismo do desespero é deixar de lado pequenos ou grandes rancores em busca da reunificação de um país

Trabalhador monta outdoor do PT com imagem do ex-presidente Lula, no Rio, em 29 de abril.
Trabalhador monta outdoor do PT com imagem do ex-presidente Lula, no Rio, em 29 de abril.MAURO PIMENTEL / AFP

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O encontro entre os ex-presidentes Lula e FHC, de imediato considerado histórico pela imprensa nacional e internacional, coincide curiosamente com a pesquisa do Datafolha que aponta que 90% dos brasileiros acham que o Brasil tem jeito e 70% dizem sentir orgulho do país. Tudo isso em um dos momentos mais graves e sombrios vividos politicamente desde a ditadura.

Esse encontro cordial dos dois maiores líderes políticos para tentar salvar a democracia ameaçada e romper as muralhas do ódio entre irmãos que poderiam arrastar o país a uma guerra civil é como um raio de esperança de que o Brasil possa sair vivo e até revigorado dos escombros de um bolsonarismo que se nutre da morte e despreza a vida.

Lula e FHC foram, sem dúvida, aos dois maiores líderes brasileiros nos últimos tempos e com projeção internacional. Dois líderes bem diferentes e distantes um do outro, um popular e outro intelectual, mas ambos com estatura de estadista. Ambos conscientes do próprio valor e de seu papel fundamental, e que na história do país, nestes anos, mantiveram no alto seus egos no limite de uma ruptura. O fogo tinha sido interrompido por FHC quando foi ao hospital dar um abraço de pêsames a Lula pela morte de sua esposa Marisa.

O fato de os dois líderes quererem baixar a temperatura de seus egos para buscar juntos uma solução para o momento dramático que o Brasil vive lembra alguns abraços de líderes políticos históricos no passado.

Conheço pessoalmente os dois ex-presidentes, por motivos profissionais, e pude constatar que, apesar das diferenças que os distinguem, ambos são inabaláveis na defesa dos valores da democracia e da liberdade e no amor e admiração por este país.

Ainda é difícil saber se esse encontro histórico que revela que ambos aparecem como dois estadistas que esquecem os rancores do passado acabará dando frutos de esperança em um futuro melhor. Por enquanto, os dois líderes em posições opostas até ontem parecem se juntar àquela esmagadora maioria dos brasileiros que, ao invés de cair no pessimismo, continua confiando em que o país ainda tem como voltar a ser aquele que o mundo sempre admirou e até invejou.

Há momentos históricos em que a única maneira de não afundar no abismo do desespero é deixar de lado pequenos ou grandes rancores em busca da reunificação de um país em que 90% têm esperança.

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O melhor sinal de que este encontro histórico entre Lula e Fernando Henrique infundiu medo no presidente golpista e negacionista que está arrastando o país para uma verdadeira tragédia política e humana foi revelado pelas palavras de desprezo com que o capitão reformado comentou esse encontro chamado a fazer história: “Falando de política, para o próximo ano, já existe uma chapa formada: um ladrão candidato a presidente e um vagabundo como vice”.

O sarcasmo e a vilania do presidente rapidamente demonstraram que este encontro dos dois ex-presidentes pode ameaçar suas ambições de continuar destruindo a democracia e ameaçando o país com seus ímpetos genocidas.

Em poucos minutos, a política brasileira deu um salto que abre novos horizontes e oferece esperança a quem está cansado de ser visto pelo mundo como um país à deriva. Uma nova bússola apareceu em busca do caminho perdido.

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