Caso Queiroz
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O milagre de Marielle

Talvez seja a vereadora e ativista quem consiga, desde o além, acabar com o pesadelo que o país vive

Homem empunha cartaz alusivo a Marielle durante protesto em Brasília, em 7 de junho.
Homem empunha cartaz alusivo a Marielle durante protesto em Brasília, em 7 de junho.SERGIO LIMA (AFP)
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Tinham escrito que a ativista e vereadora negra assassinada Marielle Franco poderia acabar sendo mais perigosa para a família Bolsonaro morta do que viva. Simbolicamente, ela não tinha morrido porque não se conseguiu apagar sua memória e era como a voz da consciência do Brasil que não aceita barbárie.

Hoje, Marielle, com a prisão de Queiroz, volta a estar viva e ameaçadora. E é possível que por fim o país que não aceita a corrupção nem a violência política possa finalmente conhecer a verdade definitiva sobre quem decidiu que a jovem Marielle deveria morrer e por quê.

Há momentos na história de um país que ficam marcados em pedra para que a posteridade não os esqueça. Uma dessas datas no Brasil será o dia, hoje mais próximo do que ontem, em que se saberá definitivamente a identidade de quem mandou assassinar Marielle e por quê.

É verdade que a sociedade acaba se convencendo de que a impunidade política é tão grande que tudo acaba sendo esquecido. Talvez desta vez o Brasil tenha a sorte de decifrar um dos enigmas mais bem guardados e cuja solução pode levar a decisões graves no Governo da nação.

Talvez seja Marielle quem consiga, desde o além, acabar com o pesadelo que o país vive, governado por uma família que parece cada vez mais envolvida não apenas em corrupção, mas em tramas obscuras que lembram as famosas e perigosas máfias mundiais.

A Igreja primitiva costumava dizer que “o sangue dos mártires era a semente dos cristãos”. Quem sabe se o sangue de Marielle não acabará sendo a semente da redenção política capaz de iluminar novos caminhos de esperança para um país menos torturado por uma política que ofende a sua dignidade e que vem sendo opróbio do mundo.

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