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Eleições na América Latina em novembro colocam em jogo o mapa político da região

Chile e Honduras elegem presidente e Argentina realiza eleições legislativas cruciais, enquanto Nicarágua reafirma a ditadura de Ortega

Elecciones Chile
Um homem vota em Santiago, Chile, em 16 de março de 2021, para escolher prefeitos, vereadores e uma Assembleia Constituinte para reescrever a Constituição.MARTIN BERNETTI (AFP)

A América Latina terá uma agenda eleitoral carregada em novembro. As votações vão mudar o mapa político da Argentina, Chile e Honduras e aumentar a tensão na Nicarágua, onde nas eleições gerais o presidente Daniel Ortega conseguirá sua reeleição depois de prender um a um todos os candidatos da oposição.

A Nicarágua vai às urnas neste domingo, tendo Ortega como único candidato, já que a oposição considera que os demais concorrentes são “comparsas” do regime. O presidente busca sua terceira reeleição consecutiva. Ortega lançou uma forte repressão em junho, quando passou a prender todos os candidatos da oposição que, segundo as pesquisas, tinham mais probabilidades de vencer, entre eles Cristiana Chamorro, filha da ex-presidenta Violeta Barrios de Chamorro. Ela aspirava repetir o feito de seu mãe, que em 1990 derrotou o ex-guerrilheiro sandinista.

Pesquisa do instituto Cid Gallup divulgada domingo pela revista Confidencial mostra que 76% dos nicaraguenses consideram que a reeleição de Ortega não será legítima. A sondagem revela que, em uma disputa competitiva, 65% dos eleitores escolheriam qualquer um dos “candidatos da oposição”, enquanto 17% votariam em Ortega e sua mulher e vice-presidenta, Rosario Murillo. As eleições são classificadas pela oposição como uma “farsa” e tanto os Estados Unidos como a OEA e a União Europeia alertaram para a falta de garantias no processo eleitoral.

No domingo seguinte, 14, o Governo do peronista Alberto Fernández enfrenta eleições legislativas cruciais na Argentina. As primárias realizadas em setembro, uma primeira etapa eleitoral obrigatória para eleitores e partidos, foram uma catástrofe para os governistas, com derrotas em 18 dos 24 distritos do país. Se o resultado se repetir agora na eleição definitiva, o peronismo perderá a maioria no Senado (e seu próprio quórum) e até deixará de ser a maior bancada na Câmara dos Deputados. A oposição permaneceria na Câmara dos Deputados em condições legais de exigir a presidência da Casa.

O Governo vem tentando por todos os meios reverter a tendência apontada nas pesquisas por meio de planos milionários de assistência social para os mais pobres, créditos para a classe média e uma campanha baseada no corpo a corpo dos candidatos com os eleitores. A crise econômica, o mal-estar derivado da pandemia e as lutas internas na coalizão que conduziu Fernández à Casa Rosada dificultam o sucesso dessa estratégia.

No terceiro domingo de novembro, dia 21, será a vez do Chile, onde será eleito o sucessor de Sebastián Piñera. Serão as eleições mais polarizadas desde o retorno à democracia em 1990. O mal-estar social, passados dois anos das revoltas de outubro, pouco arrefeceu, e uma Assembleia Constituinte dominada por independentes vem redigindo uma Constituição há quatro meses para substituir a herdada da ditadura. O ambiente econômico piorou, assim como o humor social. O mal-estar deu vigor à candidatura de José Antonio Kast, candidato da extrema direita que defende o legado do ditador Augusto Pinochet. Kast lidera as pesquisas com 22% dos votos, seguido pelo candidato da coalizão de esquerda Frente Ampla, Gabriel Boric. Formado nas revoltas estudantis de 2011, Boric tem o apoio de 17,4% dos chilenos. De qualquer forma, o cenário é de um resultado que obrigará a um segundo turno de desempate, previsto para 19 de dezembro.

O mês eleitoral será encerrado pelos hondurenhos no domingo, 28 de novembro. Será uma eleição sem brilho por causa de denúncias de fraude e alegações de supostas ligações do presidente Juan Orlando Hernández com o narcotráfico, investigadas pelas autoridades dos Estados Unidos. As pesquisas indicam que a eleição será disputada por dois grupos, o candidato governista, do Partido Nacional, Nasry Asfura, e a líder do Liberdade e Refundação, Xiomara Castro. Mais de cinco milhões de hondurenhos estão aptos a ir às urnas eleger um presidente, 128 deputados para o Congresso e 20 deputados ao Parlamento Centro-Americano.

Pesquisa do Centro de Estudos para a Democracia (Cespad), publicada na semana passada, aponta Castro, mulher do ex-presidente Manuel Zelaya, à frente das preferências eleitorais. Zelaya foi derrubado pelo golpe de Estado que em 2009 o tirou do poder de pijama e sob a mira de uma arma, o que polarizou a sociedade hondurenha. O levantamento revela que a candidata do Liberdade e Refundação tem 38% das preferências de voto, ante 21% de seu rival mais próximo, o conservador Asfura, com 21% das intenções de votos. Ou seja, se a eleição fosse realizada agora, Castro venceria a disputa com 17 pontos porcentuais de vantagem.

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