EUA matam dois membros do Estado Islâmico em operação de represália no Afeganistão

Segundo a Casa Branca, um dos alvos era responsável pelo planejamento de ações do ISIS-K, braço local do grupo jihadista que reivindicou a autoria das explosões em Cabul

Um talibã em meio a restos de roupas ensanguentadas depois do atentado na entrada do aeroporto de Cabul na quinta-feira.
Um talibã em meio a restos de roupas ensanguentadas depois do atentado na entrada do aeroporto de Cabul na quinta-feira.WAKIL KOHSAR (AFP)
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U.S. President Joe Biden listens to a question from a member of the media as he delivers remarks about Afghanistan, from the East Room of the White House in Washington, U.S. August 26, 2021. REUTERS/Jonathan Ernst
Biden: “Não vamos perdoar ou esquecer. Vamos caçar os terroristas e fazê-los pagar por isso”
Una mujer llora junto al cadáver de una víctima de la explosión de una bomba en el aeropuerto, en un hospital de Kabul, este domingo.
Atentado de Cabul intensifica embate entre Estado Islâmico e Talibã, aumentando instabilidade no Afeganistão
EDITORS NOTE: Graphic content / Medical and hospital staff bring an injured man on a stretcher for treatment after two powerful explosions, which killed at least six people, outside the airport in Kabul on August 26, 2021. (Photo by Wakil KOHSAR / AFP)
Conheça o ISIS-K, inimigo número um dos talibãs

Os Estados Unidos lançaram na madrugada deste sábado sua primeira operação de punição contra alvos do braço local do Estado Islâmico no Afeganistão, o ISIS-K. O ataque, em represália pelo brutal atentado cometido na quinta-feira pelo grupo jihadista em Cabul, que matou dezenas de pessoas, foi lançado com um drone e teve como alvo uma base de operações do grupo terrorista no leste do Afeganistão, informou o Pentágono. Dois alvos de “alto nível” da organização foram mortos no ataque norte-americano e outra pessoa ficou ferida, de acordo com o general do Exército William “Hank” Taylor, entrevista coletiva. No início, o Pentágono relatou apenas a morte de um membro do grupo jihadista. O porta-voz do Pentágono, John Kirby, se recusou a especificar o papel dessas pessoas dentro da organização.

“Forças militares dos Estados Unidos realizaram uma operação antiterrorista contra um planejador do ISIS-K”, havia declarado mais cedo o capitão Bill Urban, porta-voz do Comando Central dos EUA. O ataque ocorreu na província de Nangarhar, a leste de Cabul. “Não há registro de vítimas civis”, acrescentou o porta-voz. Os EUA assinalaram que o ataque foi dirigido contra um membro do ISIS-K que planejava as atividades do grupo, mas não esclareceram imediatamente se ele havia sido o cérebro do atentado de quinta-feira.

A represália ocorreu 24 horas depois que o presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu caçar os autores do atentado de Cabul, que matou 13 militares americanos e feriu quase 20. “Não vamos perdoar nem esquecer. Perseguiremos os terroristas e os faremos pagar por isso”, disse Biden. Seu objetivo de vingar a morte dos soldados foi confirmado na sexta-feira pela porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki: “O presidente não quer que [os terroristas] voltem a pisar na face da Terra”.

Um funcionário americano, citado pela agência Reuters sob condição de anonimato, detalhou que o drone decolou do Oriente Médio e atacou o militante quando ele estava em um carro com outro membro do Estado Islâmico. Acredita-se que os dois tenham morrido, segundo essa fonte. Em Jalalabad, capital da província de Nangarhar, um ancião da comunidade, Malik Adib, disse que três pessoas morreram e quatro ficaram feridas no ataque aéreo da zero hora deste sábado. “Entre as vítimas há mulheres e crianças”, disse Adib à Reuters, sem dar informações sobre suas identidades.

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A resposta dos EUA ocorreu horas depois que o Pentágono alertou para a possibilidade de um novo atentado na área do aeroporto de Cabul. “Estamos preparados, na expectativa de futuros ataques”, disse o porta-voz dos militares americanos, John Kirby, a jornalistas. “Acompanhamos bem de perto essas ameaças, concretas, em tempo real. Nossas tropas estão em perigo”, acrescentou, referindo-se aos 5.800 soldados destacados no aeroporto para garantir as operações de retirada, que serão oficialmente encerradas na terça-feira. Em reunião com os membros do Conselho de Segurança Nacional, Biden foi informado sobre os planos em andamento para identificar os possíveis alvos do ISIS-K, assinalou Psaki.

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