Biden impõe sanções ao ministro da Defesa de Cuba e aos ‘boinas negras’ por reprimir protestos

“Isto é só o começo”, avisa o presidente dos Estados Unidos, que também estuda formas de monitorar as remessas que familiares dos cubanos enviam à ilha

Joe Biden, na Casa Branca, na quarta-feira, 21 de julho.
Joe Biden, na Casa Branca, na quarta-feira, 21 de julho.Susan Walsh (AP)
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A man is arrested during a demonstration against the government of Cuban President Miguel Diaz-Canel in Havana, on July 11, 2021. - Thousands of Cubans took part in rare protests Sunday against the communist government, marching through a town chanting "Down with the dictatorship" and "We want liberty." (Photo by YAMIL LAGE / AFP)
Depoimentos sobre violência policial nos protestos sacodem Cuba
HAB15. LA HABANA (CUBA), 11/07/2021.- Un grupo de personas responden a manifestantes frente al capitolio de Cuba hoy, en La Habana (Cuba). Cientos de cubanos salieron este domingo a las calles de La Habana al grito de "libertad" en manifestaciones pacíficas, que fueron interceptadas por las fuerzas de seguridad y brigadas de partidarios del Gobierno, produciéndose enfrentamientos violentos y arrestos. EFE/Ernesto Mastrascusa
Criticar o regime de Cuba ainda é um tabu entre a esquerda no Brasil

O Governo Joe Biden intensifica a pressão sobre o regime cubano. O Departamento do Tesouro anunciou nesta quinta-feira sanções contra o ministro da Defesa, Álvaro López Miera, e a Brigada Especial Nacional (BEN), unidade conhecida como boinas negras, pela repressão exercida pelas forças de segurança durante as manifestações de 11 de julho, quando milhares de pessoas saíram às ruas. A punição aumenta a tensão entre Washington e Havana, que teve as maiores mobilizações contra o regime desde a crise dos anos noventa. As palavras de Biden nesta quinta-feira, assim que foram divulgadas as sanções, indicam que a crise levará tempo para amainar: “Isto é apenas o começo, os Estados Unidos continuarão a punir os responsáveis pela opressão do povo cubano”, disse ele em um comunicado.

As punições foram divulgadas logo após o início dos julgamentos em Cuba de manifestantes e se inserem na Lei Magnitsky Global, aprovada pelo ex-presidente Barack Obama em 2012, que persegue os autores de crimes graves de violações de direitos humanos e de corrupção em todo o mundo. Como consequência das sanções, a Secretaria de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), instância do Tesouro, congela os bens e interesses do ministro. Em seu comunicado, o departamento chefiado por Janet Yellen acusa o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias, dirigido por López Miera, de ter “atacado manifestantes e prendido ou provocado o desaparecimento de cerca de uma centena deles, em um a tentativa de suprimir os protestos”.

No que se refere a Cuba, a era Biden não é uma continuação da de Barack Obama, de quem o atual presidente foi vice. O republicano Donald Trump pôs fim ao degelo iniciado por seu antecessor em 2015 e estabeleceu restrições a viagens e comércio, entre outras, que Biden está mantendo. A repressão exercida nos protestos de algumas semanas atrás levou o inquilino da Casa Branca a ir mais longe e tomar essas duas medidas, por enquanto, seletivas.

O democrata é alvo de fogo cruzado. Por um lado, membros do Congresso e movimentos cubano-americanos clamam por ações duras contra o regime de Castro. Por outro, vozes da ala esquerda de seu partido, como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, defendem o abrandamento do embargo para evitar sofrimentos para a população.

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Nesse sentido, o presidente destacou nesta quinta-feira em seu comunicado que o Governo está fazendo uma “revisão” da política de remessas para ver como podem “maximizar” o apoio ao povo. Trump proibiu o envio de dinheiro em novembro. Há uma semana, quando questionado sobre o assunto, Biden declarou que estudavam a possibilidade de abrir essa porta, mas garantindo que as remessas não fossem confiscadas pelo regime, num momento de grave crise econômica na ilha.

O Departamento de Estado antecipara na quarta-feira que o país estava considerando impor penalidades. “Conforme ordenou o presidente Joe Biden, aplicaremos sanções de alto impacto às autoridades cubanas que orquestraram essas violações dos direitos humanos”, disse Julie Chung, a número dois do Departamento de Estado para a América Latina.

Em mensagem no Twitter que assinou com suas iniciais, a encarregada da diplomacia para a região também publicou uma foto ao lado da oposicionista cubana Rosa María Payá, filha do falecido ativista Oswaldo Payá, com quem disse ter se encontrado para conversar “sobre este momento inédito para o povo cubano e a urgência de agir e responsabilizar”. “Estão matando nossos irmãos e irmãs na ilha”, denunciou Paya no início da semana, durante uma audiência no Congresso dos Estados Unidos.

“Vamos nos concentrar na aplicação de fortes sanções ao regime responsável pela repressão brutal”, disse Chung em outra série de tuítes. Nas mensagens postadas na rede social, Chung detalhou alguns dos elementos que serão fundamentais nas ações da Casa Branca em relação a Cuba. Pretende-se criar um grupo para averiguar como o dinheiro que os familiares dos cubanos mandam para a ilha pode ser levado “diretamente ao bolso do povo cubano”. “Devemos evitar que as remessas de cubanos caiam nas mãos dos opressores”, continuou Chung.

Por sua vez, o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, o democrata Bob Menéndez, pediu na quarta-feira “sanções seletivas” contra qualquer membro das forças de segurança de Cuba “cúmplice na perpetuação da repressão” na ilha, cujo regime já dura mais de seis décadas.

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