Onda de calor deixa mais de 100 mortos no Canadá

Temperatura se aproximou de 50 graus nesta terça-feira. Idosos são a maioria das vítimas

Um homem se refresca numa praça de Vancouver, na costa canadense do Pacífico, neste domingo.
Um homem se refresca numa praça de Vancouver, na costa canadense do Pacífico, neste domingo.JENNIFER GAUTHIER (Reuters)

A onda de calor que atinge o oeste do Canadá e o noroeste dos Estados Unidos desde o fim de semana passado mostra seu lado mais letal na província canadense da Colúmbia Britânica. Nesta terça-feira, a polícia de Vancouver informou ter recebido “mais de 65 chamadas relacionadas com mortes súbitas” desde sexta-feira, quando em média investiga três ou quatro mortes desse tipo em um dia normal. A Polícia Montada do Canadá (RCMP, na sigla em inglês) relatou que seu quartel de Burnaby respondeu a 25 chamadas na segunda e terça-feira, além de outras nove no fim de semana. As mortes estão sendo investigadas, mas acredita-se que “o calor foi um fator que contribui para a maioria das mortes. Muitos dos falecidos eram pessoas idosas”, afirmou o cabo Mike Kalanj, porta-voz da RCMP, em um comunicado. Na localidade de Surrey, a Polícia Montada contabilizou 38 mortes, e Victoria teve três. O Serviço Forense da província informou ao canal CBC que normalmente são registradas 130 mortes em um período de quatro dias, mas que entre sexta e segunda passadas foram 233.

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Mike Kalanj salientou os riscos destas temperaturas para as pessoas com problemas crônicos de saúde. “É imperativo que cuidemos uns dos outros durante este calor extremo”, acrescentou. O serviço de emergências da província já havia divulgado que, entre sexta e segunda-feira pela manhã, atendeu a 187 chamados por esgotamento por calor e 52 por insolação. “Vancouver nunca experimentou um calor como este e, infelizmente, dezenas de pessoas estão morrendo. Nossos agentes se encontram no limite, mas estamos fazendo o possível para que as pessoas estejam a salvo”, afirmou Steve Addison, sargento da polícia de Vancouver, nas redes sociais.

Várias cidades preparam centros de acolhida onde as pessoas podem se proteger e refrescar. Os problemas de saúde estão sendo agravados porque boa parte dos domicílios nesta província― famosa por seus verões moderados― não conta com sistemas de ar condicionado. Dezenas de escolas fecharam suas portas, e a campanha de vacinação contra a covid-19 se desacelerou. O Ministério de Meio Ambiente do Canadá emitiu no fim de semana um alerta sobre “uma onda de calor prolongada, perigosa e histórica” na Colúmbia Britânica, uma província banhada pelo Pacífico. O ministério pediu à população que se mantenha constantemente hidratada, evite atividades ao ar livre e, se não tiver algum abrigo público por perto, que passe o tempo em bibliotecas, shoppings ou outros lugares com ar-condicionado. Do mesmo modo, as autoridades provinciais proibiram as fogueiras, rojões e o uso de chaminés.

Os especialistas explicaram que a elevação das temperaturas se deve à alta pressão estática, que deu lugar a um fenômeno conhecido como “cúpula de calor”. A localidade de Lytton voltou a romper a marca da temperatura mais alta já registrada no país: depois de chegar a 46,6o C no domingo e 47,9o C na segunda, nesta terça-feira bateu em 49,4o C. Ao todo, 60 recordes de calor foram batidos no domingo na Colúmbia Britânica, e outros 59 no dia seguinte.

O Ministério do Meio Ambiente informou que a onda de calor começará a perder força na sexta-feira. As altas temperaturas estão chegando à vizinha Alberta, e o ministério lançou também um alerta para 34 regiões desta província, incluídas Calgary e Edmonton, suas cidades mais populosas. O consumo de energia elétrica, tanto na Colúmbia Britânica como em Alberta, disparou a níveis históricos neste verão.

O calor extremo afeta também os Territórios do Noroeste, uma unidade federativa cortada pelo Círculo Polar Ártico. Nesta segunda-feira, a comunidade de Nahanni Butte bateu o recorde histórico de temperatura nessa região do país: 38,1o C. Na opinião de diversos especialistas citados na imprensa canadense, a mudança climática deve intensificar a frequência dessas ondas de calor extremo.

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