Miami

Miami lança uma grande operação de resgate após desabamento parcial de um prédio residencial

Uma pessoa morreu e mais de 30 foram resgatadas, incluindo um brasileiro: “Dois passos para frente da minha porta, o prédio deixou de existir”, conta. Ao menos 99 pessoas ainda estão desaparecidas

O prédio que desabou em Miami nesta quinta-feira.
O prédio que desabou em Miami nesta quinta-feira.JOE RAEDLE / AFP
Washington / São Paulo - 25 jun 2021 - 00:45 UTC

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Um grande edifício de pelo menos 12 andares desabou parcialmente às duas da manhã desta quinta-feira em Miami (3h no horário de Brasília), perto da praia desta cidade no Estado norte-americano da Flórida, segundo os serviços de resgate e a Polícia do condado de Miami Dale, onde ocorreu o incidente. Até o momento, as autoridades locais confirmaram um morto e 35 resgatados —sendo 11 com ferimentos. Ainda não se sabe o que provocou a tragédia.

Das pessoas resgatadas dos escombros, apenas duas precisaram ser encaminhadas para o hospital, as demais receberam tratamento para ferimentos leves no local. As autoridades afirmam que 99 pessoas seguem desaparecidas. Em uma entrevista na rede de TV CNN, a comissária Sally Heyman afirmou pela manhã que não era possível saber a probabilidade de estarem soterradas no local, uma vez que poderiam estar “de férias ou ausentes por qualquer outra circunstância”. Ela acrescentou: “Continuamos esperançosos, mas aos poucos as chances [de encontrar sobreviventes] vai desvanecendo”.

Entre os resgatados está o brasileiro Bruno Treptow, que mora há 20 anos no prédio. Pai da apresentadora do Jornal da Band Joana Treptow, ele relatou ao telejornal que estava dormindo quando ouviu um estrondo. “Eu senti que era o teto e falei com a minha mulher: ‘O teto está caindo. Vamos morrer’”, conta ele, que estava em uma parte do edifício que não foi atingida. “Dando dois passos para frente da minha porta, o prédio deixou de existir”, afirmou. Ele não conseguiu sair no momento devido à intensa nuvem de poeira, mas foi resgatado pelas equipes posteriormente.

O incidente ocorreu entre a 88th Street e a Collins Avenue, na cidade de Surfside, a cerca de 9 quilômetros de Miami Beach, no mesmo litoral. O prefeito de Surfside, Charles W. Burkett, confirmou que já existe uma fatalidade. “O delegado me informou que pelo menos duas pessoas foram transferidas para o hospital e uma delas morreu, 10 pessoas foram atendidas no local e temos 15 unidades familiares em um centro comunitário que serão transferidas para um hotel“, afirmou em uma breve entrevista ao programa matinal Today Show.

“Acordei todos os presentes porque, quando olhei pela janela, vi todos do lado de fora”, disse Kimberly Morales, uma vizinha do condomínio, à CNN. “Eu disse a todos que se apressassem e saíssem do prédio.” Morales garantiu que não ouviu o desabamento do prédio, mas ao sair viu que faltava uma parte significativa da construção, que foi erguida em 1981. É o complexo residencial Champlain Towers South Condo, um prédio de apartamentos com 136 moradias.

O governador Ron DeSantis afirmou que os órgãos envolvidos no resgate estão se preparando “para algumas más notícias, tendo em vista a destruição que estamos vendo”.

No momento, as causas do colapso são desconhecidas. Oitenta equipes de resgate foram deslocadas para o local, entre policiais e membros dos diferentes corpos de bombeiros do condado de Miami-Dade, e os acessos de tráfego foram fechados entre as ruas 85 e 96.

Os bombeiros conseguiram retirar um menino vivo dos escombros, como pode ser visto nas imagens da rede de televisão local NBC6. Um dos bombeiros o colocou nos ombros e ele foi deitado em uma maca de resgate.

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Um centro de reunificação familiar foi estabelecido para quem procura parentes desaparecidos entre 93rd Street e Collins Avenue e foi criada uma linha direta para buscas.

Santos Mejía, marido de uma mulher que estava presa no nono andar, onde ela cuidava de um idoso, disse à CNN que recebeu um telefonema de sua esposa por volta das 1h15, dizendo que “algo terrível aconteceu, parece que foi um terremoto e está tudo escuro“. Ao longo da manhã foi possível comunicar-se com ela em várias ocasiões, o apartamento continuava sem energia, mas na última vez em que se falaram, ela confirmou que iam ser evacuados.

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