EUA pedem a libertação “imediata” da líder oposicionista nicaraguense Cristiana Chamorro

Departamento de Estado norte-americano considera que o regime de Daniel Ortega detém a candidata presidencial sob “acusações falsas”

Policiais em frente à casa de Cristiana Chamorro, presa desde quarta-feira pelo regime de Daniel Ortega.
Policiais em frente à casa de Cristiana Chamorro, presa desde quarta-feira pelo regime de Daniel Ortega.Carlos Herrera

Os Estados Unidos pediram na sexta-feira ao Governo da Nicarágua que “liberte imediatamente” a líder oposicionista Cristiana Chamorro, que desde quarta está sob vigilância policial e prisão domiciliar. Segundo o Departamento de Estado, o regime de Daniel Ortega detém a líder de oposição sob “acusações falsas”, o que significa “um abuso de seus direitos” e representa “um ataque aos valores democráticos”, assim como uma tentativa clara de frustrar “eleições livres e justas”.

“O regime de Ortega deve libertar imediatamente a líder oposicionista Cristiana Chamorro”, pediu o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, em um comunicado. Para Washington, a prisão de Chamorro ocorre em meio “aos ataques contínuos contra os candidatos presidenciais favoráveis à democracia e contra a imprensa independente”.

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Cristiana Chamorro tornou pública sua pretensão de concorrer à presidência em janeiro, mas “o regime de Ortega está decidido a proibir Chamorro de participar das eleições de novembro”, segundo Price. Chamorro, de 67 anos, pretende ser a resposta a um eleitorado órfão de uma figura capaz de unir uma oposição dividida em relação às eleições gerais, nas quais Ortega pretende se reeleger pela terceira vez consecutiva.

Além de Chamorro, o Departamento de Estado norte-americano também pediu a libertação dos dois colegas da Fundação Violeta Barrios de Chamorro para a Reconciliação e a Democracia presos pelo regime. Suas detenções por acusações falsas são “um ataque aos valores democráticos”, afirma a diplomacia dos EUA.

O Governo de Manágua, em vez de realizar reformas eleitorais antes da data limite de maio estabelecida pela Organização de Estados Americanos (OEA), colocou em andamento “ainda mais restrições e reduziu a transparência eleitoral”, como denuncia o Departamento de Estado. Sobre isso, Washington lembra que Ortega “cancelou sem fundamento” em maio o status legal de dois partidos políticos da oposição com o objetivo final de impedir uma eventual candidatura de Cristiana Chamorro.

A diplomacia norte-americana conclui seu pedido a Ortega dizendo que “as atuais condições de repressão e exclusão não são consistentes com eleições confiáveis”. “A região e a comunidade internacional devem estar junto ao povo nicaraguense para apoiar seu direito a eleger de modo livre seu Governo”, finaliza o Departamento de Estado.

Jornalista de profissão ―atual vice-presidenta do jornal La Prensa―, Chamorro pretende seguir os passos de sua mãe, a ex-presidenta Violeta Chamorro, que em 1990 ganhou as eleições, ao contrário do que diziam as pesquisas, superando a Frente Sandinista de Daniel Ortega. O pai de Cristiana Chamorro, o jornalista Pedro Joaquín Chamorro, foi assassinado a tiros em 1978 pela ditadura de Anastasio Somoza. A candidatura de Cristiana Chamorro entusiasmou os nicaraguenses, a julgar pelas repetidas pesquisas que a colocam como a favorita entre o restante dos pré-candidatos de oposição (21% segundo os resultados da CID-Gallup publicados dias antes de sua prisão).

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