Regime de Daniel Ortega volta a atacar e deter jornalistas na Nicarágua

Polícia faz buscas pela terceira vez na redação da revista ‘Confidencial’. Repórteres de agências internacionais que cobriam o fato foram levados

A polícia da Nicarágua após confiscar equipamentos na redação da revista ‘Confidencial’, em Manágua, nesta quinta-feira.
A polícia da Nicarágua após confiscar equipamentos na redação da revista ‘Confidencial’, em Manágua, nesta quinta-feira.Wilfredo Miranda
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A polícia da Nicarágua fez na manhã desta quinta-feira uma nova operação de busca contra a revista Confidencial, um veículo crítico ao regime de Daniel Ortega e dirigido pelo jornalista Carlos Fernando Chamorro. Foi a terceira vez que o Confidencial teve suas instalações ocupadas por policiais desta maneira. Em dezembro de 2018, o regime já havia feito buscas na redação e apreendido equipamentos. Vários jornalistas foram reprimidos ou detidos enquanto cobriam a ação policial desta quinta.

Pela manhã, Chamorro denunciou num programa de rádio que um jornalista da sua revista que estava na redação no momento em que a polícia chegou permanece “desaparecido”. “Queremos ver Leonel Gutiérrez, queremos que recupere sua liberdade se estiver detido. Neste momento está retido, sequestrado pela polícia porque não pudemos ter nenhum contato com ele. Queremos que nos devolvam os bens que levaram”, declarou Chamorro, segundo a própria Confidencial.

Chamorro acusou Ortega de estar diretamente por trás da nova ação contra a revista, um veículo investigativo que está na mira do Governo desde que o ex-guerrilheiro sandinista retornou ao poder na Nicarágua, em 2007.

“Esta seria a segunda vez que a ditadura lança um ataque frontal contra este veículo de comunicação, que foi invadido ilegalmente na madrugada de 13 de dezembro de 2018, ocasião em que nos roubaram tudo (…)”, denunciou Chamorro. “O que estamos vendo no dia de hoje não responde a nenhuma lei, não podemos encontrar nenhuma justificação racional. Não está ocorrendo nenhuma novidade. Não começou hoje. Começou muitas décadas atrás”, acrescentou o jornalista, filho da ex-presidenta Violeta Chamorro.

Vários repórteres denunciaram nas redes sociais que a polícia também deteve jornalistas que cobriam a ação, entre eles correspondentes de agências internacionais. Nos arredores também estava o colaborador do EL PAÍS em Manágua, Wilfredo Miranda, que assim narrou no Twitter: “A polícia leva presos os meus colegas da imprensa internacional, da Efe Notícias, e eu escapei de ser capturado. ‘Vão presos, vão presos’, disse um policial à paisana. A razão é que estamos documentando o novo ataque à Confidencial. Com total violência nos encurralaram e tomaram nossos celulares. Minha colega Renée Lucia foi perseguida e agredida. Como éramos vários jornalistas, não puderam capturar todos, porque nos dispersamos. Um policial à paisana dirigia a tropa de choque”.

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