Israel lança ofensiva terrestre e aérea em grande escala contra Gaza

Após porta-voz informar que soldados entraram no território, Exército nega que tropas terrestres estejam na ação. Artilharia e tanques se juntam aos bombardeios na maior escalada do conflito dos últimos sete anos

Soldados israelenses preparam munição perto da cidade de Sderot para disparar na Faixa de Gaza, na quinta-feira. Em vídeo, a escalada da violência entre o Exército israelense e as milícias islâmicas vista por drones.MENAHEM KAHANA / AFPFOTO: AFP | VIDEO: EPV
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Mourners chant Islamic slogans while carrying the body of Awad Abu Selmiya, during a funeral of thirteen Hamas militants outside a mosque in Gaza City, Thursday, May 13, 2021.  Gaza residents are bracing for more devastation as militants fire one barrage of rockets after another and Israel carries out waves of  airstrikes. (AP Photo/Adel Hana)
Pontos-chave para entender o atual conflito em Gaza
A fire rages at sunrise in Khan Yunish following an Israeli airstrike on targets in the southern Gaza strip, early on May 12, 2021. - Israeli air raids in the Gaza Strip have hit the homes of high-ranking members of the Hamas militant group, the military said Wednesday, with the territory's police headquarters also targeted. (Photo by YOUSSEF MASSOUD / AFP)
Israel e Hamas intensificam ataques na pior crise desde 2014
Manifestantes palestinos en la frontera de la franja de Gaza con Israel, en abril de 2018.
Tribunal Penal Internacional investiga cúpula de Israel e do Hamas por crimes de guerra

Israel lançou uma nova ofensiva aérea em grande escala contra o Hamas na Faixa de Gaza no início da madrugada desta sexta-feira em uma intervenção sem precedentes desde a guerra de 2014. Os disparos da artilharia e dos tanques concentrados nas últimas horas na fronteira do enclave se juntaram aos bombardeios maciços que a aviação realiza desde a tarde de segunda-feira. A magnitude do ataque não é clara e nas primeiras horas houve confusão sobre se as tropas israelenses haviam penetrado no território.

Um porta-voz do Exército inicialmente confirmou a entrada de soldados do outro lado da cerca de separação com Gaza, mas duas horas depois outro porta-voz militar declarou que havia sido uma falha de comunicação. “Esclarecimento: atualmente não há tropas terrestres das FDI [Forças de Defesa de Israel] dentro da Faixa de Gaza. As forças terrestres e aéreas das FDI estão realizando ataques contra alvos na Faixa de Gaza”, declarou o Exército em nota. A mídia de Gaza assegurou nas redes sociais que em poucos minutos mais de 150 bombardeios terrestres e aéreos foram registrados. O Hamas havia alertado em um comunicado que se as tropas israelenses invadissem qualquer parte de Gaza: “A ofensiva terrestre oferecerá uma oportunidade para aumentar o número de mortos e prisioneiros entre o inimigo.”

O Gabinete de Segurança, órgão do Governo que toma as decisões importantes em caso de guerra, reuniu-se no quartel-general das Forças Armadas em Tel Aviv para examinar os planos da chamada Operação Guardião das Muralhas. “O Hamas vai pagar um alto preço por seus ataques a Israel”, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um comunicado divulgado após a reunião. “Ainda não foi dita a última palavra nesta operação, que só terminará quando for necessário”, acrescentou.

O chefe do Exército, o general Avi Kochavi, ordenou o envio de três brigadas à fronteira, enquanto o Estado-Maior da Divisão Sul mobilizou mais de 9.000 reservistas.

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Pelo menos 109 palestinos —entre milicianos e civis, incluindo 28 crianças— foram mortos nas incursões aéreas israelenses desde o início da ofensiva e mais de 500 pessoas ficaram feridas, de acordo com o Ministério da Saúde palestino. Em Israel, sete pessoas —incluindo dois menores e um soldado— morreram em consequência do lançamento de foguetes a partir do enclave e outras 200 ficaram feridas.

Dirigentes do Hamas sinalizaram que estão dispostos a um cessar-fogo em nome das milícias de Gaza, relata a Al Jazeera, mas Israel mantém sua rejeição à trégua enquanto continuarem caindo projéteis em seu território. Mais de 1.700 foguetes foram disparados desde segunda-feira, dos quais 300 caíram dentro da faixa, sobre o sul e centro do país. “Agora não é hora de falar”, disse segundo a imprensa israelense o chefe do Shin Bet (serviço de inteligência interno), Nadav Argaman, que dirige a estratégia de assassinatos seletivos de dezenas de comandantes do Hamas e da Jihad Islâmica. Até que a aviação e a artilharia esgotem a lista dos bancos de dados de objetivos militares na Faixa de Gaza, com o fim de reforçar a capacidade de dissuasão de Israel, não se espera que a intensidade das hostilidades comece a diminuir.

Quatro apartamentos ocupados por chefes das milícias e um prédio de seis andares foram destruídos em ataques da aviação, que concentrou o fogo de seus mísseis contra os blocos mais emblemáticos da cidade de Gaza.

Escritórios dos meios de comunicação

Os partidos islâmicos e as milícias islamistas têm escritórios em muitos desses blocos, que também abrigam escritórios comerciais ou de meios de comunicação, 20 dos quais perderam suas sedes, de acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras.

Em meio a esse clima de incerteza, o Exército anunciou ontem à noite que a milícia pró-iraniana do Hezbollah ameaçou abrir uma nova frente depois de lançar três foguetes a partir do Líbano até o mar diante da costa de Israel.

O primeiro-ministro Netanyahu colocou-se de forma decidida à frente da direção das operações bélicas. Em meio à escalada de ataques com foguetes, que mais uma vez atingiram o sul e o centro do país, o chefe do Governo parece ter recuperado a iniciativa política.

O líder conservador Naftali Bennett, que havia se comprometido a se juntar à coalizão governamental com a oposição, rompeu o acordo na noite passada em vista da onda de violência nas cidades com população árabe. Bennett anunciou que iria voltar a negociar um acordo de Governo com o bloco da direita de Netanyahu, junto com ultraortodoxos e a extrema direita, que assim volta a se aproximar da maioria.

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