Supremo Tribunal da Venezuela pede extradição de Leopoldo López à Espanha

Líder oposicionista foi condenado a 14 anos de prisão em seu país, de onde saiu pela fronteira com a Colômbia em outubro

O dirigente oposicionista venezuelano Leopoldo López durante uma entrevista à agência Europa Press em 22 de abril, em Madri.
O dirigente oposicionista venezuelano Leopoldo López durante uma entrevista à agência Europa Press em 22 de abril, em Madri.Ricardo Rubio (Europa Press)

O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela solicitou nesta terça-feira à Espanha a extradição do dirigente oposicionista Leopoldo López, que reside em Madri desde outubro. López deixou naquele mês a residência do embaixador espanhol em Caracas, onde estava refugiado desde 30 de abril de 2019, após ter sido condenado a quase 14 anos de prisão domiciliar.

“A Sala de Cassação Penal do Tribunal Supremo de Justiça declarou procedente solicitar ao Reino da Espanha a extradição ativa do cidadão Leopoldo Eduardo López Mendoza para o fiel cumprimento do restante de sua pena em território venezuelano”, informou o Tribunal em uma nota à imprensa.

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O líder do partido Vontade Popular disse ao jornal venezuelano El Nacional que o pedido do Governo é ilegal porque está sendo feito por um “TSJ ilegítimo, de uma tirania criminosa”. “É uma nova manobra para intimidar a oposição, ninguém nos calará”, advertiu o dirigente oposicionista.

López foi condenado em 2015 a quase 14 anos de prisão em um longo processo judicial repleto de irregularidades. Os promotores o responsabilizaram por incitar, por meio de seus discursos, os atos de violência registrados em fevereiro de 2014 no âmbito de intensas manifestações antigovernamentais que deixaram 43 mortos e cerca de 3.000 feridos.

O líder oposicionista passou três anos na prisão militar de Ramo Verde, até que em 2017, depois de uma série de negociações políticas mediadas pelo ex-chefe de Governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, conseguiu uma medida de casa por prisão. López foi libertado por seus guardas em 30 de abril de 2019, dia em que participou do levante malogrado de um grupo de soldados contra o presidente Nicolás Maduro. Após o fracasso do levante, o político refugiou-se na casa do embaixador espanhol em Caracas, Jesús Silva, onde esteve como hóspede até partir para Madri em 24 de outubro do ano passado. O Governo de Maduro acusou então o diplomata de ser “cúmplice” da “fuga” de López e ordenou uma “revisão completa” das relações com a Espanha.

Não é a primeira vez que o chavismo pede extradições à Espanha. Já o havia feito durante o Governo de Hugo Chávez, quando solicitou a entrega de ex-funcionários julgados por suposta corrupção. Neste caso, López foi recebido e reconhecido na Espanha como exilado político depois de escapar da Venezuela.

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