Pandemia de covid-19

Inglaterra registra o primeiro dia sem mortes em quase um ano e Johnson convida população a recuperar abraços

O país não registrou nenhum óbito por covid-19 no domingo. Bares, restaurantes, cinemas, teatros e museus serão reabertos na próxima segunda-feira

Clientes do pub Fox on The Hill, no sul de Londres, aproveitam sua área ao ar livre em 12 de abril.
Clientes do pub Fox on The Hill, no sul de Londres, aproveitam sua área ao ar livre em 12 de abril.ANDY RAIN / EFE

Foi um número mais circunstancial do que definitivo, mas serviu para reafirmar aos britânicos que os dias mais sombrios ficaram para trás. No domingo, a Inglaterra não registrou nenhuma morte por covid-19. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde julho de 2020. Em todo o Reino Unido, incluindo Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, o número total foi de quatro mortos. Mas 56 milhões dos 66 milhões de habitantes do país vivem na Inglaterra. O Governo de Boris Johnson começa a respirar um pouco mais tranquilo, e o primeiro-ministro pôde anunciar com confiança que na próxima segunda-feira entrará em vigor a nova fase da flexibilização. E o mais importante é que Downing Street levantará as proibições e voltará ao campo das recomendações, onde um conservador meio libertário como Johnson se sente muito mais à vontade. “Abracem seus entes queridos, mas só se considerarem que é possível e que os riscos são muito, muito baixos. Tenham bom senso”, pediu o primeiro-ministro aos cidadãos ao anunciar as próximas medidas de relaxamento do confinamento.

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A partir de segunda-feira, voltam a ser permitidas reuniões de até seis pessoas dentro das casas. Ao ar livre, a permissão é de até 30 pessoas. Embora nunca tenha havido em ambientes familiares uma obrigação explícita de respeitar a distância de segurança de um metro, o Governo Johnson incentiva agora os abraços e uma proximidade maior, sempre com a precaução necessária.

Em recintos públicos como restaurantes, teatros ou lojas, está mantida a regra do distanciamento. Bares, restaurantes e pubs, que desde meados de abril podiam oferecer seu serviço em áreas ao ar livre —o tempo não ajudou, com uma primavera boreal especialmente fria e chuvosa—, poderão abrir seus espaços internos. Cinemas, teatros e museus terão capacidade limitada, mas também retomarão suas atividades. Os hotéis poderão acolher grupos de até seis pessoas, ou dois núcleos familiares combinados. Os estudantes de primeiro e segundo grau continuarão sendo submetidos a dois exames de PCR semanais, mas já não serão obrigados a usar máscara na sala de aula. Os universitários poderão retornar às aulas presenciais, suspensas desde o início do atual ano letivo, em setembro.

Turismo para o exterior

A campanha de vacinação, que no Reino Unido começou quase um mês antes do que no resto da Europa, mostrou-se um sucesso para a redução das internações e mortes. Embora o fator-chave para controlar a pandemia tenha sido, acima de tudo, o confinamento que foi imposto pouco antes do Natal e se prolongou durante quase quatro meses. Dos habitantes do Reino Unidos, 53,1% já receberam pelo menos a primeira dose de imunização, e 26,7%, o tratamento completo. Em números absolutos, 35,4 milhões e 17,8 milhões, respectivamente.

No dia 17 de maio, serão retomadas as concessões de autorização de viagem de turismo para o exterior. O Governo Johnson preparou um “sistema de semáforo” para graduar os diferentes níveis de restrição impostos aos destinos mais cobiçados. Só 12 destinos —incluindo Portugal, Gibraltar e Nova Zelândia— estão na lista verde. Ao voltar desses países, os viajantes não precisarão se submeter a uma quarentena de dez dias nem realizar obrigatoriamente dois exames de PCR durante esse período. Espanha, França e Itália permanecem, por enquanto, na lista amarela, por isso a quarentena na volta desses países continuará sendo obrigatória, e a indústria do turismo teme que isso desestimule as reservas. A Turquia, por exemplo, continua na lista vermelha. A final da Champions League, na qual se enfrentarão dois times britânicos —Manchester City e Chelsea—, está marcada para 29 de maio em Istambul. O Governo Johnson já se ofereceu à UEFA para ser a sede do jogo.

O Governo da Escócia, que tem sido mais cauteloso do que o Executivo central quanto ao avanço da flexibilização, desta vez ajustou suas medidas às de Londres. A partir de 17 de maio, também reduzirá as regras de distanciamento social e ampliará a reabertura geral dos hotéis.

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