Conflito árabe-israelense

Hamas dispara 130 foguetes contra a região de Tel Aviv em plena escalada bélica em Gaza

Pelo menos 28 palestinos e duas mulheres israelenses morreram nas explosões. A Força Aérea israelense deflagrou 140 operações, e as milícias lançaram mais de 250 projéteis

Socorristas numa casa atingida por um foguete lançado de Gaza, nesta terça-feira, em Ashkelon (Israel).
Socorristas numa casa atingida por um foguete lançado de Gaza, nesta terça-feira, em Ashkelon (Israel).JACK GUEZ / AFP

Pelo menos 130 foguetes foram disparados da Faixa de Gaza nesta terça-feira contra a área metropolitana de Tel Aviv, onde se concentra a metade da população de Israel. Os alarmes antiaéreos foram ativados na capital econômica do país pouco antes das 21h (15h em Brasília), quando vencia o ultimato dado pelo Hamas e pela Jihad Islâmica para que a Força Aérea israelense deixasse de bombardear o enclave costeiro. O aeroporto internacional David Ben Gurion, porta de entrada do Estado judeu, cancelou todos os voos. A escalada bélica iniciada na segunda-feira entre Israel e as milícias de Gaza se aproxima nesta terça de uma guerra aberta. O Exército lançou operações contra mais de 140 alvos palestinos, nas quais morreram pelo menos 28 pessoas, entre elas nove crianças, segundo fontes sanitárias de Gaza. Mais de 250 foguetes foram disparados do enclave pelo Hamas e pela Jihad Islâmica em direção ao território israelense. Ao menos duas mulheres morreram com o impacto de um projétil numa casa da cidade costeira de Ashkelon, situada uns 20 quilômetros ao norte da fronteira de Gaza.

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Apesar das tentativas de mediação do Egito, do Qatar e da ONU entre as partes, os combates se multiplicaram nas últimas horas, com incursões aéreas e ondas de foguetes sem precedentes desde 2019. Após reunir o Gabinete de Segurança para a crise, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que ampliaria a “intensidade e a frequência” das operações militares da chamada Operação Guardiões dos Muros como consequência da morte de dois civis em Ashkelon. O máximo líder do Hamas, Ismail Haniya, advertiu em outro comunicado que o movimento islâmico não deteria as “ações de resistência” da chamada Operação Espada de Jerusalém após uma noite de bombardeios israelenses.

As vítimas mortais israelenses estavam em “um edifício antigo” que não possuía refúgio antiaéreo, e as equipes de resgate as encontraram “presas entre os escombros” após a queda dos projéteis, declarou à agência EFE um porta-voz do serviço de emergência. As ondas de foguetes se intensificaram ao meio-dia desta terça. O Hamas afirmou em nota que havia efetuado mais de 130 disparos em apenas cinco minutos contra as cidades de Ashkelon e Ashdod (ao norte da primeira), onde as explosões causaram cerca de 30 feridos e provocaram incêndios em casas e edifícios públicos.

População é orientada a ir para refúgios

As autoridades pediram à população das localidades israelenses mais próximas da Faixa de Gaza que se dirija aos refúgios ou se mantenha em suas imediações, em meio aos preparativos para uma grande ofensiva. As Forças Armadas reforçaram as zonas fronteiriças do enclave palestino com batalhões de infantaria e veículos de combate. Mais de 5.000 reservistas foram mobilizados pelo comando da Divisão Sul, que opera na região.

O chefe do Estado Maior, general Aviv Kochavi, autorizou as unidades operacionais a realizarem assassinatos seletivos de comandantes das forças palestinas, vários dos quais já foram mortos, segundo porta-vozes de suas organizações. O Shin Bet (serviço de inteligência doméstica) informou também sobre a morte de chefe da unidade de lançamento de foguetes da Jihad Islâmica, Samah Abed al Mamluk.

A escalda bélica começou na segunda-feira, depois do disparo de sete foguetes contra Jerusalém e o centro de Israel, num tipo de ataque inédito desde a guerra de 2014 em Gaza, desencadeando uma imediata represália do Exército. Os bombardeios de posições do Hamas no enclave costeiro somam pelo menos 28 mortes (20 de milicianos, segundo um porta-voz militar) e mais de 150 feridos.

A mesma fonte militar informou que o alvo das ações contra os palestinos são bases, depósitos e fábricas de armas ou túneis sob a fronteira. As imagens vindas de Gaza, aonde Israel não permite o acesso da imprensa estrangeira desde o fechamento do passo fronteiriço de Erez, mostram um edifício de oito andares e outros imóveis desabados depois dos bombardeios. Mais de 80 aviões de combate israelenses, entre eles os caça furtivos F-35 (invisíveis aos radares), estão participando da ofensiva aérea em Gaza.

A onda de violência que começou em Jerusalém durante o mês do Ramadã já havia deixado mais de 300 palestinos feridos na segunda-feira em confrontos com a polícia na mesquita de Al Aqsa, e então se espalhou para a Faixa de Gaza, palco de três destrutivas guerras desde que o Hamas assumiu o poder no território em 2007.

As brigadas Ezzedin al Qassam, filiadas ao movimento islâmico, assumiram na segunda-feira o disparo dos mísseis contra Jerusalém, numa ofensiva à qual se somou a Jihad Islâmica Palestina com um ataque com um foguete antitanque contra um veículo civil israelense nos arredores da Faixa de Gaza. Poucas horas antes do incomum ataque contra a Cidade Sagrada, o Hamas tinha advertido em um comunicado de que se as forças de segurança israelenses não se retirassem da mesquita de Al Aqsa os milicianos agiriam “em represália pelos crimes e a brutalidade contra o povo palestino”.

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