Atentado terrorista no Afeganistão

Dezenas de mortos em várias explosões ao lado de escola para meninas em Cabul

Porta-voz do Ministério de Interior do Afeganistão definiu o incidente como “terrorista”, mas ainda não está claro as motivações dos ataques. Várias estudantes da escola estão entre as vítimas

Familiares tentam identificar vítimas de explosões que mataram dezenas de pessoas, entre elas várias alunas de uma escola feminina.
Familiares tentam identificar vítimas de explosões que mataram dezenas de pessoas, entre elas várias alunas de uma escola feminina.Rahmat Gul / AP

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Pelo menos três explosões perto de uma escola para meninas em Cabul causaram ao menos entre 30 e 40 mortos e deixaram cerca de 50 pessoas feridas neste sábado. Entre as vítimas há várias alunas da escola, segundo informações do porta-voz do Ministério do Interior do Afeganistão, Tariq Arian, que definiu o ocorrido como “incidente terrorista”. O presidente afegão, Ashraf Ghani, responsabilizou os talibãs, que por sua vez condenaram o ataque e culparam o Governo.

O bairro de Dasht-e Barchi, no oeste da capital afegã, foi sacudido no início da tarde (hora local) por pelo menos três explosões, segundo a mídia regional. Trata-se de um bairro pobre que é habitado principalmente por xiitas e já foi alvo de vários atentados de um grupo afegão ligado ao Estado Islâmico, conhecido como Estado Islâmico Khorasan. O momento do ataque coincidiu com a saída das alunas da escola secundária Sayed-ul-Shuhada e com as compras de última hora antes da quebra do jejum do Ramadã, por isso a área estava bastante concorrida.

“Infelizmente, como resultado do incidente terrorista desta tarde em Cabul, houve 25 mártires [sic] e 52 feridos foram socorridos até agora, todos compatriotas civis, mas estes números podem mudar”, publicou Arian em uma rede social. Pouco depois, falando à imprensa, ele mesmo aumentou para 30 o número de mortos, mas a agência Reuters falou em 40, citando de forma anônima um alto funcionário do próprio Ministério do Interior. Os números ainda podem mudar, já que a imprensa destacou que várias pessoas ficaram feridas com gravidade.

Em meio ao caos inicial para tentar socorrer as vítimas, houve certa confusão sobre a origem das detonações. “Um carro-bomba explodiu primeiro, e depois ocorreram duas explosões mais perto da escola”, declarou um professor à rede de televisão ToloNews. Ele disse que as vítimas eram, na maioria, meninas. No entanto, outras fontes disseram que as explosões foram causadas por três foguetes.

Como está se tornando comum sempre que há um atentado com grande número de vítimas civis, nenhum grupo se responsabilizou pelo ataque. O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, não só condenou o atentado, como acusou o Governo afegão de estar por trás. “Estas ações são obra de círculos sinistros que atuam em nome do Daesh sob a cobertura dos serviços secretos da Administração de Cabul”, tuitou Muhajid, utilizando o acrônimo árabe do Estado Islâmico.

Em um comunicado divulgado por seu gabinete, o presidente Ghani devolveu pouco depois a acusação. “Os talibãs, ao aumentar sua guerra e sua violência ilegítima, mostraram mais uma vez que não só não querem resolver a atual crise de forma pacífica, como [preferem] complicar a situação”, diz o comunicado.

Os talibãs e o Governo afegão se acusam mutuamente de bloquear as conversações de Doha, com as quais os Estados Unidos tentavam impulsionar um acordo político antes da retirada de suas tropas ―que o pacto assinado pela Administração Trump com a guerrilha fixava para 1º de maio. Às vésperas do fim desse prazo, o presidente Joe Biden anunciou que todos os soldados americanos sairão do Afeganistão até 11 de setembro, 20º aniversário dos atentados que levaram Washington a intervir nesse país.

Desde então, Cabul está em alerta e os líderes afegãos afirmam que os talibãs aumentaram seus ataques e lançaram uma ofensiva generalizada. A população, por sua vez, teme que, sem a proteção das tropas estrangeiras, as forças de segurança não sejam capazes de frear os talibãs e comece uma nova guerra civil.



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