Ex-policiais envolvidos na morte de George Floyd são acusados de violar direitos civis

Um grande júri federal dos EUA indicia Derek Chauvin, culpado do assassinato do afro-americano que se tornou ícone do movimento contra o racismo, e os ex-agentes Thomas Lane, J. Kueng e Tou Thao

Os ex-policiais de Minneapolis envolvidos na morte de Floyd: Derek Chauvin, Tou Thao, Thomas Lane e J. Alexander Kueng.
Os ex-policiais de Minneapolis envolvidos na morte de Floyd: Derek Chauvin, Tou Thao, Thomas Lane e J. Alexander Kueng.HANDOUT (Reuters)
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Former Minneapolis police officer Derek Chauvin is led away in handcuffs past his defense attorney Eric Nelson after a jury found him guilty of all charges in his trial for second-degree murder, third-degree murder and second-degree manslaughter in the death of George Floyd in Minneapolis, Minnesota, U.S. April 20, 2021 in a still image from video.  Pool via REUTERS
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Protesters march following the verdict in the trial of former Minneapolis police officer Derek Chauvin, found guilty of the death of George Floyd, in Brooklyn, New York City, New York, U.S., April 20, 2021. REUTERS/Jeenah Moon
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FILE PHOTO: A demonstrator holds up a "Black Lives Matter" sign during a protest over the death of a Black man, Daniel Prude, after police put a spit hood over his head during an arrest on March 23, in Rochester, New York, U.S. September 6, 2020. REUTERS/Brendan McDermid/File Photo
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Um grande júri federal de Minneapolis (Minnesota) indiciou nesta sexta-feira os quatro ex-policiais envolvidos na prisão e morte do afro-americano George Floyd por três acusações de violar “intencionalmente” os direitos constitucionais dele em 25 de maio de 2020. Derek Chauvin, considerado culpado no mês passado pelo assassinato de Floyd, que se tornou um ícone do movimento contra o racismo, receberá sua sentença em junho. Os outros três ex-agentes envolvidos no caso, Thomas Lane, J. Kueng e Tou Thao, aguardam um julgamento estadual marcado para agosto. As novas acusações podem levar a outro julgamento de grande impacto, e uma possível condenação federal se somaria à estadual.

De acordo com um comunicado divulgado nesta sexta-feira pelo Departamento de Justiça, os quatro ex-policiais foram acusados de não terem prestado assistência médica a Floyd. Chauvin também foi indiciado por violar o direito do afro-americano de não ter que permanecer subjugado e por fazer uso não razoável da força. Além disso, enfrenta uma segunda acusação formal, decorrente da prisão de um adolescente de 14 anos que ele segurou pela garganta e no qual bateu várias vezes na cabeça com uma lanterna em 2017. Por sua vez, Thao e Kueng foram acusados de “deliberadamente” não intervir para impedir “o uso de força irracional”, enquanto Chauvin cravava seu joelho por mais de nove minutos no pescoço do detido e este se queixava de que não conseguia respirar.

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Na acusação, o júri federal alega que o crime de violar “intencionalmente” os direitos constitucionais “resultou em lesões corporais e morte do senhor Floyd”, diz o documento. A condenação em uma acusação federal de direitos civis nos Estados Unidos pode levar à prisão perpétua ou até à pena de morte, embora essas sentenças sejam extremamente raras.

Em um julgamento histórico, Chauvin, de 45 anos, foi considerado culpado em 21 de abril dos três crimes de que era acusado: homicídio culposo, homicídio doloso de segundo grau (implica intenção no momento, mas não premeditação) e homicídio doloso de terceiro grau (causar a morte agindo de forma perigosa e sem cuidado com a vida humana). O ex-agente aguarda sua sentença, que será anunciada em 25 de junho, no centro correcional Oak Park Heights, a única prisão de segurança máxima de Minnesota. A pena para o crime mais grave, homicídio doloso de segundo grau, pode chegar a 40 anos de prisão.

Eric Nelson, o advogado de defesa de Chauvin, entrou com uma moção na terça-feira para solicitar um novo julgamento. Nelson alega que seu cliente não teve um julgamento justo. De acordo com o advogado, o tribunal não conseguiu isolar os jurados nem os obrigou a “evitar todas as informações da mídia”. Nelson pediu a anulação do veredicto com o argumento de que o júri “se sentiu ameaçado e intimidado, sentiu pressão de tipo racial durante os procedimentos e não seguiu as instruções durante as deliberações”.

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