Em sua primeira conversa com Xi Jinping, Biden critica os abusos e a escalada autoritária da China

Presidente dos Estados Unidos apresenta sua estratégia para Pequim e manifesta preocupação com as práticas comerciais chinesas e com a repressão em Hong Kong e Taiwan

Joe Biden e Xi Jinping, numa imagem de dezembro de 2013 em Pequim (China).
Joe Biden e Xi Jinping, numa imagem de dezembro de 2013 em Pequim (China).LINTAO ZHANG (AFP)
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US President Joe Biden salutes as he boards Air Force One before departing from Andrews Air Force Base in Maryland on February 5, 2021. - Biden is traveling to Wilmington, Delaware where he is scheduled to spend the weekend. (Photo by MANDEL NGAN / AFP)
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As frentes de batalha entre Washington e Pequim vão muito além da pessoa que ocupa a Casa Branca, como se tornou evidente nesta quarta-feira na primeira conversa entre o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o líder do regime chinês, Xi Jinping. Segundo um comunicado da Casa Branca, Biden expressou a Xi sua preocupação com as práticas econômicas “coercitivas e injustas” por parte de Pequim, a repressão em Hong Kong e os abusos contra a etnia uigur e outras minorias na província de Xinjiang, assim como as ações “crescentemente autoritárias” na região, incluindo Taiwan.

A guinada que a nova Administração de Biden impôs à política externa pode ser resumida numa frase redonda que o democrata gosta de dizer: “Os Estados Unidos voltaram”. Esse retorno significa a volta da maior potência mundial aos mecanismos multilaterais, como o acordo climático de Paris, e aos organismos internacionais, como o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, como ele anunciou na segunda-feira passada. Também implica um novo olhar para aliados tradicionais como o Canadá e a Europa. O que, entretanto, ficou claro na campanha eleitoral é que o regime chinês ocupa um lugar diferente.

Ainda como candidato, Biden se manifestava com dureza sobre Pequim. Diferentemente do seu antecessor, Donald Trump, cujas críticas se centravam quase exclusivamente na rivalidade comercial, o democrata põe ênfase nos direitos humanos, embora não se esqueça da economia. A palavra China aparecia 24 vezes no programa de reativação industrial do presidente democrata, preocupado com a fuga de produção industrial e as práticas de concorrência desleal por parte do gigante asiático. Em um debate um ano atrás, acusou Xi de “valentão” e de não ter “um só osso democrático” em seu corpo.

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O novo inquilino da Casa Branca, em resumo, não tuita contra Pequim às seis da manhã, nem se refere ao SARS-CoV-2 como “vírus chinês”, mas os motivos do clima de Guerra Fria que se instalou entre as duas potências continuam vivos. Os Estados Unidos e a China enfrentam o pior momento das relações bilaterais em 40 anos, no qual a já habitual rivalidade tecnológica, econômica e geoestratégica se intensifica com uma recente escalada de sanções, fechamentos de consulados, acusações de espionagem e vetos a viagens.

Durante a conversa desta quarta-feira, segundo a Administração norte-americana, os dois mandatários também trocaram impressões sobre a pandemia, a mudança climática e a prevenção da proliferação de armas. O comunicado resumia também qual é a nova doutrina de Washington: “O presidente Biden se comprometeu a manter um vínculo orientado para resultados ao mesmo tempo em que avança nos interesses do povo norte-americano e seus aliados”.

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