Democratas pedem depoimento de Trump sob juramento no impeachment

Julgamento do ex-presidente pela invasão do Capitólio começará na semana que vem no Senado

Donald Trump deixa a Casa Branca, em 20 de janeiro, com sua mulher, Melania Trump.
Donald Trump deixa a Casa Branca, em 20 de janeiro, com sua mulher, Melania Trump.MANDEL NGAN (AFP)
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Washington, Dc (United States), 26/01/2021.- Rep. Jamie Raskin (L) (D-Md.) leads other House impeachment managers after delivering to the Senate an article of impeachment accusing former president Donald Trump of'incitement of insurrection', in Washington, DC, USA, 25 January 2021. (Estados Unidos) EFE/EPA/Melina Mara / POOL
Agora no Senado, impeachment de Trump põe à prova sua influência sobre o Partido Republicano
In this image from video, Sen. Rand Paul, R-Ky., makes a motion that the impeachment trial against former President Donald Trump is unconstitutional in the Senate at the U.S. Capitol in Washington, Tuesday, Jan. 26, 2021. (Senate Television via AP)
Republicanos se preparam para livrar Trump do impeachment no Senado

Os congressistas democratas que são os acusadores no julgamento político do ex-presidente Donald Trump pediram que o republicano testemunhe sob juramento antes ou durante o processo de impeachment que começará na terça-feira no Senado. Trump, que enfrenta a acusação de “incitar a insurreição”, em razão da invasão de uma multidão de seus seguidores ao Capitólio, poderá se recusar a ir, o que deixará ao Senado a decisão de emitir uma intimação se quiser seguir em frente.

O chefe dos chamados gestores de impeachment ―o grupo de nove membros da Câmara dos Representantes que atuam como promotores―, Jamie Raskin, enviou carta ao ex-presidente nesta quinta-feira propondo a entrevista entre segunda e a quinta-feira da semana que vem e o convocou a responder ao pedido o mais tardar nesta sexta-feira. Em sua carta, Raskin atribui a decisão de solicitar sua declaração sob juramento à resposta escrita à acusação enviada pelos advogados de defesa de Trump ao Senado na terça-feira. Nela, segundo o deputado, o presidente “contesta alegações factuais”, por isso os gestores querem lhe fazer perguntas.

A linha básica da defesa do ex-presidente consiste em que Trump não incitou com suas palavras ou atos a revolta que um grupo de seus seguidores promoveu em 6 de janeiro, que seus discursos à multidão horas antes não se referiam ao uso de violência ou a prática de crimes e que tanto estas como as suas infundadas acusações de fraude implicam o exercício da liberdade de expressão, amparada pela Constituição.

Ter o presidente sob juramento significa que, se ele mentir, estará cometendo um crime federal e obstruindo a justiça. Trump, que com o fechamento de sua conta no Twitter perdeu seu grande palanque, vive em sua mansão na Flórida desde que deixou a Casa Branca em 20 de janeiro, data da posse do novo presidente, o democrata Joe Biden. É improvável que os advogados o aconselhem a testemunhar presencialmente. Raskin alertou que, se ele se recusar, usará seu silêncio como prova de que as acusações têm fundamento.

O processo de impeachment da semana que vem é o quarto de um presidente na história dos Estados Unidos e o segundo contra o próprio Trump. Ao contrário dos precedentes, o julgamento se iniciará com o réu já fora da Casa Branca, ou seja, uma hipotética declaração de culpabilidade não se traduziria em destituição do cargo, mas seria seguida de uma votação sobre o futuro do republicano como candidato. Esse é, hoje, o cenário menos provável, já que a sentença exige o apoio de 67 dos 100 senadores da Câmara Alta e os integrantes do partido do ex-presidente, que são 50, estão em grande maioria a favor de absolvê-lo novamente.

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