México investiga possível nova cepa local do coronavírus em quatro pacientes

Mutação do SARS-CoV-2 diagnosticada nesses casos não corresponde nem à variante sul-africana nem à brasileira, e as autoridades não descartam que se trate de uma nova variante

Profissionais sanitários recebem a dose da vacina contra a covid-19 no Hospital Geral na cidade de Guadalajara, no Estado mexicano de Jalisco, em 14 de janeiro.
Profissionais sanitários recebem a dose da vacina contra a covid-19 no Hospital Geral na cidade de Guadalajara, no Estado mexicano de Jalisco, em 14 de janeiro.Francisco Guasco (EFE)
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Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Guadalajara em Jalisco detectou uma variação do coronavírus em quatro casos positivos neste Estado do oeste do México. A Secretaria de Saúde local descartou que se trate da variante sul-africana do coronavírus, como se pensou no princípio, e estuda a possibilidade de ser uma nova variante, autóctone. Ruy López Ridaura, diretor-geral do Centro Nacional de Programas Preventivos e Controle de Doenças, disse a jornalistas neste domingo que o vírus atualmente em circulação no México já tem mutações que não o tornam mais letal ou contagioso, mas reconhece que é preciso estudar as características dos casos de Jalisco, como sua virulência e transmissibilidade, para categorizá-la como uma variante nova.

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A Universidade de Guadalajara e a empresa Genes2Life, que fabrica insumos para o diagnóstico bimolecular, detectaram em 27 de janeiro quatro casos positivos de covid-19 em Jalisco com a mutação E484K, característica da variante sul-africana, e que por semelhança semântica foi batizada de Erik. As duas instituições desenvolveram exames de PCR que buscam essas mutações, conforme descreveu a médica Natali Vega Magaña, chefa do Laboratório de Diagnóstico de Doenças Emergentes e Reemergentes (LaDEER), do Centro Universitário de Ciências da Saúde (CUCS).

Quatro pacientes com idades entre 30 e 60 anos deram positivo para a variante sul-africana, mas só um deles esteve em contato com uma pessoa de Puerto Vallarta que tinha viajado. “Temos que fazer mais estudos. O que podemos confirmar é que detectamos a mutação E484K e isto é um achado importante, já que não tinha sido notificada no México. Entretanto, são necessários estudos mais profundos, como o sequenciamento, assim como a análise de mais amostras positivas para determinar a prevalência dessa mutação em Jalisco”, observou Vega Magaña em um comunicado da Universidade.

López Ridaura comunicou neste domingo que as autoridades afinal descartaram que a mutação corresponda à variante sul-africana, como indicava a primeira teoria da Vega Magaña. “Está sendo estudado para ver se é uma nova cepa”, reconheceu Ridaura, recordando que mutações e novas variantes estão sendo descobertas em todo mundo, e os laboratórios estão analisando se elas infectaram a população mexicana. “Para falar de uma variante mexicana deveremos conhecer se as mutações de Jalisco são mais virulentas ou mais transmissíveis”, explicou. Até agora, as mutações do vírus detectadas no México não agravam a doença nem a tornam mais contagiosas, por isso não se identificou uma variante nova por enquanto.

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Uma variante do vírus é uma combinação de múltiplas mutações que aparecem de maneira consistente em vários indivíduos, algo que os vírus fazem constantemente para sobreviver. Os cientistas que vigiam a evolução do SARS-CoV-2 estão atentos a novas mutações que surjam, como as ocorridas no fim de ano. Além das apelidadas de Nelly e Erik, um grupo de pesquisadores publicou em 12 de janeiro a descrição de uma terceira variante suspeita, com origem em Manaus, relativamente similar às duas anteriores.

O coronavírus também poderia estar sofrendo mutações no mesmo sentido em diferentes lugares do mundo: versões mais transmissíveis e inclusive capazes de reinfectar algumas pessoas que já tiveram covid-19, conforme adverte a equipe que alertou para a variante brasileira, encabeçada pelo epidemiologista Nuno Faria, do Imperial College de Londres. Ao todo, os cientistas do Governo britânico identificaram 17 mutações no código genético do vírus que parecem tornar a nova cepa mais infecciosa. Segundo os pesquisadores, as mudanças na superfície do vírus podem permitir que ele grude mais facilmente nas células, e portanto, que aumente a probabilidade de contágio e sua transmissibilidade.

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