Trump recua e sanciona plano de estímulo após bloqueá-lo durante vários dias

Ratificação do pacote de ajuda econômica, no valor de 900 bilhões de dólares, evita paralisação do Governo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.ANDREW CABALLERO-REYNOLDS (AFP)
Mais informações
FILE PHOTO: U.S. Vice President Joe Biden (R) points to some faces in the crowd with his son Hunter as they walk down Pennsylvania Avenue following the inauguration ceremony of President Barack Obama in Washington, January 20, 2009. REUTERS/Carlos Barria/File Photo
Sombra de Hunter Biden paira sobre a nova presidência dos EUA
FILE - In this Oct. 25, 2018, file photo, George Papadopoulos, the former Trump campaign adviser who triggered the Russia investigation, arrives for his first appearance before congressional investigators, on Capitol Hill in Washington. On Tuesday, Dec. 22, 2020, President Donald Trump pardoned 15 people, including Papadopoulos, his 2016 former campaign adviser whose conversation unwittingly helped trigger the Russia investigation that shadowed Trump’s presidency for nearly two years. (AP Photo/Carolyn Kaster, File)
Trump concede indulto a 20 pessoas, entre eles dois condenados no caso de elo com a Rússia na eleição

Após passar vários dias ameaçando não sancionar o colossal projeto de lei que destina 900 bilhões de dólares (4,7 trilhões de reais) em ajudas a famílias e empresas, o ainda presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou neste domingo e decidiu estampar sua assinatura neste novo pacote de resgate econômico, aprovado no Congresso com amplo apoio bipartidário, logo antes que se esgotasse o prazo.

Em nota, Trump declarou que sancionaria a legislação “com uma mensagem taxativa deixando claro ao Congresso que os pontos da lei que representam um esbanjamento precisam ser retirados”. Na tarde de domingo, pelo Twitter, o republicano ―que deixa o cargo no próximo dia 20― já havia prometido “boas notícias” sobre o grande plano de ajuda, que chegou a qualificar de “vergonha”. Em um primeiro momento, o presidente não deu mais detalhes, enquanto milhões de norte-americanos estavam na expectativa de que expirasse um prazo para a aprovação de leis orçamentárias, o que poderia levar a uma paralisação momentânea do Governo federal a partir da noite de segunda-feira. Dessa forma, funcionários públicos ficariam sem receber salários, e os desempregados perderiam acesso a seus benefícios.

Fontes citadas pela imprensa norte-americana declaravam que ao longo de toda a semana, enquanto descansava em sua residência de Mar-a-Lago, na Flórida, o presidente foi continuamente mudando de opinião sobre assinar ou não o projeto de lei. Segundo estas mesmas fontes, não se sabe o que fez o mandatário mudar de opinião na última hora deste domingo. Mas o fato é que esteve sob forte pressão dos republicanos para que cedesse. “Acho que, quando deixar o cargo, ele quer ser lembrado por defender benefícios mais altos, mas o perigo é que seja lembrado pelo caos, a miséria e o comportamento errático”, afirmou o senador republicano Pat Toomey numa entrevista ao canal Fox

O texto afinal sancionado por Trump inclui ajudas econômicas de até 600 dólares (3.130 reais) em função da renda do destinatário, e um bônus por desemprego de até 300 dólares por semana, assim como uma verba de 284 bilhões de dólares para que as empresas e negócios afetados pela crise da pandemia possam fazer frente aos aluguéis e aos gastos com folha de pagamentos.

O projeto aprovado na segunda-feira passada, um calhamaço de 5.593 páginas, prevê 900 bilhões de dólares em ajudas urgentes a famílias e empresas golpeadas pelos efeitos da crise sanitária, além de garantir o financiamento do Governo até o mês de setembro, e acarreta um desembolso total de 2,3 trilhões de dólares. O projeto de lei contou com um amplo apoio dos dois partidos no Capitólio. Passou na Câmara de Representantes (deputados) por 359 x 53 votos, e no Senado, de maioria republicana, por 92 x 6.

Durante todo o transcurso das negociações, Trump se manteve em silêncio, alheio à crise que o país vive. Neste domingo, às 19h40 (hora da Costa Leste, 21h40 em Brasília), o ainda presidente sancionava o monumental pacote de ajuda. Se o não tivesse chancelado a lei, o Governo entraria na fase de shut down, ou seja, literalmente fecharia as portas por causa da inação do dignitário.

A semana foi uma autêntica montanha russa, algo a que a nação já se acostumou sob o atual presidente. No dia seguinte à esmagadora aprovação parlamentar do pacote, Trump divulgou um vídeo pedindo ao Congresso que emendasse o projeto e aumentasse “os ridiculamente baixos 600 dólares para 2.000, ou 4.000 dólares por casal”, em referência ao dinheiro que milhões de norte-americanos deveriam receber em conceito de ajuda contra a pandemia. “Peço também ao Congresso que se desfaça imediatamente dos elementos esbanjadores e desnecessários desta legislação, e que me envie um projeto de lei apropriado, ou se não a próxima Administração terá que aprovar um pacote de alívio pela covid, e possivelmente essa Administração serei eu”, disse Trump, em um vídeo de 35 segundos, no qual, além de lançar um desafio à lei, continuava se mostrando alheio à realidade de que perdeu as eleições, pois deixava clara sua esperança de permanecer na Casa Branca depois de 20 de janeiro, negando-se a admitir a derrota sofrida nas urnas em 3 de novembro e no Colégio Eleitoral em 20 de dezembro diante do democrata Joe Biden.

Além do caos que significaria o fechamento do Governo a partir da madrugada desta terça, mais de 14 milhões de pessoas não teriam podido receber o seguro-desemprego, e nenhum cheque com subsídios foi despachado. Não sancionar a lei também significaria congelar o novo dinheiro aprovado para a distribuição das vacinas contra o coronavírus, as companhias aéreas, as pequenas empresas e as ajudas às escolas, entre outras coisas.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS