Cultura

Desaparecimento do monólito de Utah aumenta o mistério que cercou sua descoberta

Autoridades do desértico Estado dos EUA afirmam que a peça metálica foi levada por um desconhecido na sexta-feira

Funcionários do Estado de Utah com o monólito achado entre os cânions, na terça-feira da semana passada.
Funcionários do Estado de Utah com o monólito achado entre os cânions, na terça-feira da semana passada.DPA vía Europa Press / Europa Press

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Nunca desde a invenção da forja um pedaço de metal tinha dado tanto que falar. O inquietante monólito de aço encontrado entre os cânions do deserto de Utah (oeste dos Estados Unidos), cuja recente descoberta alimentou uma espiral de bizarras especulações, sumiu do jeito que apareceu, como num passe de mágica. As autoridades de Utah afirmam ter recebido “relatos confiáveis” de que a escultura encontrada por acaso por uma patrulha aérea que mapeava a população de carneiros selvagens na área, em meados deste mês, “foi retirada por um desconhecido” na noite da sexta-feira, embora as autoridades não tivessem especificado sua localização para evitar uma avalanche de curiosos, caçadores de recompensas e fãs de teorias paranormais. “A Administração não retirou a escultura, pois se considera que é propriedade privada”, acrescenta o comunicado oficial, e por isso o caso, que caberia ao xerife local, não está sendo investigado por enquanto.

A notícia do achado viralizou rapidamente na Internet, e muitos compararam a escultura – se é que é uma escultura, e não uma espécie de piada – com o estranho monólito alienígena retratado no filme 2001: uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick, um clássico da ficção científica e da história do cinema. Entretanto, a hipótese mais plausível aponta para o escultor minimalista John McCracken, autor de peças quase idênticas expostas durante anos em uma galeria de Nova York, além de fã de ficção científica e entusiasta da vida extraterrestre.

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À medida que a história se espalhava como pólvora na Internet, desatou-se também uma enlouquecida corrida para encontrar o ponto exato onde o objeto tinha sido posicionado, aparentemente em 2016, vários anos depois da morte de McCracken, o que acrescenta ainda mais incerteza à história. Com ajuda das formações geológicas dos arredores, os imponentes cânions avermelhados do sul do deserto de Utah, milhares de internautas percorreram através do Google Maps as ravinas até o último de seus meandros, com a esperança de localizar a peça de 3,5 metros de altura. Mas, em última instância, e à espera de que o escritório do xerife decida se deve se envolver no caso, desconhece-se quem – humano ou extraterrestre – retirou o trambolho do lugar.

John McCracken, um artista norte-americano conhecido por suas esculturas minimalistas de madeira e metal, viveu durante um tempo no Estado do Novo México, vizinho a Utah, e morreu em 2011. Seu filho, o fotógrafo Patrick McCracken, declarou nesta semana ao jornal The New York Times que seu pai lhe havia dito em 2002 que adoraria “deixar suas obras em ambientes perdidos para que fossem descobertas mais tarde”.

Também nesta semana, David Zwirner, representante legal de McCracken e sócio da galeria de Manhattan que expôs sua obra, disse que é possível que o monólito misterioso seja obra do artista. Porém, afirmou que os funcionários da galeria “estão divididos a respeito”.

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